O ministro da Economia e da Coesão Territorial avançou ontem, no Dia do Município, que “Ourém foi o primeiro concelho a conseguir resolver todas as candidaturas” associadas aos prejuízos de intempéries, faltando apenas uma.
“No conjunto do país houve candidaturas da parte de cerca de 170 concelhos. Ourém é o segundo que tem maior número de candidaturas às indemnizações para os prejuízos das casas", disse Manuel Castro Almeida, afirmando que o primeiro foi Leiria e o terceiro Marinha Grande.
Segundo o ministro, “Ourém foi o primeiro concelho a conseguir resolver todas as candidaturas”.
“Falta uma candidatura entre 3.758 candidaturas no concelho de Ourém”, acrescentou, realçando que o presidente da Câmara de Ourém, no distrito de Santarém, Luís Albuquerque, “foi de longe o mais eficiente a fazer essas avaliações”.
À Lusa, Luís Albuquerque explicou que a candidatura que falta avaliar “está do lado do munícipe”, que tem de responder a elementos que faltam.
“Hoje podemos dizer, com orgulho, que estamos na linha da frente, com o processo de análise e validação das candidaturas dos danos causados nas casas particulares. Das 3.758 candidaturas submetidas para recuperação de habitações próprias permanentes, cerca de 2.900 já foram pagas, representando um apoio próximo dos 13 milhões de euros”, enumerou o autarca, durante o seu discurso, explicando que cerca de 850 candidaturas foram indeferidas, por não cumprirem as regras.
Luís Albuquerque lembrou a devastação de que foi alvo o concelho durante a tempestade Kristin, referindo que dos cerca de 1.500 quilómetros de estradas asfaltadas, mais de mil ficaram obstruídas.
“Apesar de os números não conseguirem traduzir tudo aquilo” que foi vivido, ajudam a “perceber a dimensão daquilo que aconteceu”, disse, acrescentando que "todas as escolas do concelho sofreram danos" e "os prejuízos apurados nas empresas ultrapassam os 23 milhões de euros”.
Também no património e nas infraestruturas municipais, recordou o autarca, os “prejuízos estimados ultrapassam os 31 milhões de euros, sendo necessários cerca de 40 milhões para devolver integralmente ao concelho as condições existentes antes da tempestade, e onde se inclui a recuperação da rede viária”.
Luís Albuquerque revelou que enquanto o território recupera de “prejuízos próximos dos 40 milhões de euros”, estão em curso “cerca de 45 milhões de investimento estruturante”.
Constatando que estava perante algo que nunca tinha sido vivido, o autarca constatou que Ourém “se revelou maior do que a adversidade que enfrentava”.
“Mostrou-se grande, através da dedicação dos muitos que trabalharam até à exaustão, deixando os seus próprios problemas para segundo plano para ajudarem os outros (…). Foram momentos e dias de união, solidariedade e, porque não dizê-lo, de superação”, reforçou.
Elogiando todos os que ajudaram o território, Luís Albuquerque acrescentou que Ourém “respondeu com coragem, com solidariedade, com competência e, acima de tudo, com humanidade”.
Uma “enorme mobilização coletiva” contribuiu para a retoma da normalidade possível, sem “deixar ninguém para trás”, prosseguiu.
A floresta, que foi “totalmente devastada” é, neste momento, a principal preocupação do concelho. Já foram desobstruídos “mais de 95% dos caminhos florestais e vicinais”, segundo o presidente da Câmara de Ourém.
Luís Albuquerque destacou ainda que “um concelho não se mede apenas pela forma como enfrenta as crises, mede-se também pela capacidade de continuar a ambicionar mais para as suas pessoas”.
Por isso, pediu “mais na saúde”, não se resignando “a que 18 mil oureenses continuem sem médico de família” e prometeu continuar a defender um Serviço de Atendimento Permanente para Ourém.
A habitação para quem mais precisa e melhorias nas acessibilidades e nos transportes são outras apostas.
Na sessão solene, o Município de Ourém homenageou vários funcionários pelo seu trabalho durante a tempestade Kristin, além da entrega das medalhas honoríficas.
Lusa