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Escola de Mação dá a provar alta cozinha

12/03/2017 às 00:00

A cozinha está na moda.

Hoje em dia, também devido à proliferação de programas na tv, cozinhar é uma arte cada vez mais apreciada. Mas há que começar por algum lado para a desenvolver.

E foi isso mesmo que fomos conhecer ao “invadirmos” a cozinha do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação. É que, nesta escola, existe o Curso Profissional de Restauração, Serviço de Cozinha/Pastelaria. São 3 turmas, (10º, 11º e 12º ano), 33 alunos e 3 formadoras.

Quem nos recebeu foi a chef Bárbara Vieira, responsável pela turma do 12º ano. Explicou-nos que “muitos dos alunos já vêm com algumas noções, pois cozinham em casa e vêm à procura de uma experiência profissional de futuro e que será a cozinha. Nos últimos tempos, também devido aos programas de televisão, acabou por dar uma maior dinâmica à área”.

Cada turma tem uma chef responsável. A Bárbara está com o 12º ano e as outras turmas estão sob a responsabilidade das formadoras Carla Martins e Raquel Rosa.

Quisemos saber se, para além de estar na moda, se a cozinha poderá ser o futuro destes alunos. “Há alunos que já saíram e que ficaram a trabalhar e tenho outros que estão a finalizar este ano e que já têm ofertas de trabalho, o que é muito positivo”, diz Bárbara Vieira.

Quanto às ofertas de trabalho, “não são daqui, até porque a oferta hoteleira do concelho de Mação e mesmo desta zona, não é muito significativa”.

Entrámos na azáfama da cozinha, em plena preparação do almoço.

Conhecemos Gonçalo Rei, 18 anos, aluno do 11º ano, do Pereiro de Mação. É especialista em tigeladas. “Dizem que as minhas tigeladas são as melhores”. Conhecimento que adquiriu em casa pois “a minha mãe já fazia”. Prefere a pastelaria mas não se vê a criar um negócio próprio. Quer aprender tudo o que puder e, dependendo das oportunidades que surgirem, ficar em Mação poderá ser uma hipótese.

Flávio Vicente, 18 anos, 10º ano, é natural de Carvoeiro. “Vim para este curso porque já cozinhava em casa e porque gosto mesmo de cozinha. Aqui já aprendi imensas técnicas, como o corte de legumes, por exemplo”, diz-nos o aluno que começa agora a dar os primeiros passos. Quanto à sua área favorita, “a pastelaria, sem dúvida. É a melhor parte”. Diz-se especialista em doce de ovos e, desde que frequenta o Curso, “o doce já evoluiu. Já é diferente daquele que fazia em casa”.

Já Nádia Dias, 18 anos, 12º ano, natural de Mação, confessa que “na cozinha gosto de fazer de tudo um pouco. Gosto de variar”. Veio por vocação e adora o que faz. No 10º ano entrou no ensino regular, na área de economia “mas não gostei porque era mesmo isto que eu queria. Já cozinhava em casa. Aprendi muitas técnicas novas, várias formas de confecionar os alimentos”.

Nos anos anteriores já estagiou em hotéis e também já serviu em casamentos numa herdade que organiza eventos. Ficar por Portugal é um objetivo mas, devido à pouca oferta, não prevê ficar em Mação.

“A Nádia é multifacetada”, confirma a chef Bárbara.

As formadoras Carla Martins, Raquel Rosa e Bárbara Vieira

No final de maio, os alunos do 12º ano vão para estágio e, posteriormente, têm uma Prova de Aptidão, em que eles escolhem uma temática, vão ter que a defender e apresentar também uma parte prática. “É como se fosse uma tese. Vão para estágio, voltam e apresentam o relatório de estágio. Acabam a Prova de Aptidão e defendem-na e só depois é ficam libertados para o futuro”, explica-nos Bárbara Vieira.

“Quem vem para o Curso Profissional, nota-se que vêm com uma necessidade de aprendizagem. Vêm porque gostam”, afirma a chef.

Para além da parte prática na cozinha, o Curso Profissional de Restauração, Serviço de Cozinha/Pastelaria tem em Mação uma outra componente: um restaurante pedagógico que abre as portas à sociedade.

“Tentamos fazer, pelo menos, uma vez por mês, mas serve para mostrar a parte prática da teoria que eles aprendem. E surgiu da necessidade de mostrar o que fazemos e porque eles também têm necessidade de se verem representados nos pratos que apresentam”, explica a responsável.

Sentámos, “embasbacámos” com a apreciação visual dos pratos e provámos. E aprovámos!

Quem não escondeu o orgulho pelo trabalho apresentado foi José António Almeida, o diretor do Agrupamento.

“Não conheço uma escola aqui na região, do ensino regular, que dê uma formação tão prática como nós fazemos na área da cozinha e pastelaria”, afirma.

Quanto ao sucesso do Curso Profissional em Mação, o diretor diz serem “extremamente rigorosos a selecionar os técnicos que trabalham connosco e depois temos a sorte de eles se apaixonarem pela escola e pela nossa forma de trabalhar”.

Mas apesar de só termos falado com alunos do concelho de Mação na nossa vista à cozinha, José António Almeida explica que “a nossa qualidade permite-nos recrutar alunos dos concelhos vizinhos, como Gavião e Abrantes”.

No Restaurante Pedagógico do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, o Jornal de Abrantes percebeu que, de cada vez que abre as portas ao público, há pessoas que não conseguem aceder. Funciona por inscrições, devido às limitações da sala, e nem sempre se consegue degustar as maravilhas que os alunos confecionam. É uma questão de se ficar atento e tentar não perder a oportunidade pois “a sociedade corresponde sempre e tem corrido muito, muito bem”, concluiu Bárbara Vieira.

“As pessoas já sabem que vir aqui experimentar estas aulas práticas é uma experiência de qualidade”, afirma José António Almeida.

 Patrícia Seixas

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