Mais de 80 participantes reuniram-se, no Entroncamento, para debater as prioridades de investimento do Médio Tejo, Oeste e Lezíria do Tejo no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, para o período 2028-2034. Será a primeira vez que estes territórios participam na preparação de um quadro comunitário enquanto região NUTS II autónoma.
O encontro, promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), decorreu no dia 28 de outubro, no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, reunindo autarcas, empresários, instituições de ensino superior, representantes da comunidade científica e entidades públicas e associativas.
A iniciativa, organizada em colaboração com as Comunidades Intermunicipais do Médio Tejo, da Lezíria do Tejo e do Oeste, teve como objetivo identificar prioridades estratégicas e projetos com maturidade para integrar o próximo ciclo de financiamento europeu.
Na abertura dos trabalhos, a presidente da CCDR LVT, Teresa Almeida, destacou a importância da reclassificação territorial concretizada em 2024, que permite às três sub-regiões prepararem, pela primeira vez, um quadro financeiro europeu enquanto parte da nova região NUTS II do Oeste e Vale do Tejo.
Região cresce, mas continua distante da média europeia
Os indicadores apresentados durante a sessão revelam uma região em crescimento demográfico e económico, mas que continua a enfrentar dificuldades de convergência com a União Europeia.
Entre 2021 e 2025, a população aumentou 6,2%, atingindo aproximadamente 865 mil habitantes. No plano económico, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento nominal de 31,2% entre 2021 e 2024.
Apesar desta evolução, o PIB por habitante, em paridade de poder de compra, representava apenas 65% da média da União Europeia em 2024, quando em 2000 atingia os 76%.
Também o investimento em investigação e desenvolvimento continua reduzido, representando cerca de 0,9% do PIB regional.
Perante estes indicadores, Teresa Almeida considerou que o próximo quadro comunitário representa uma oportunidade, mas também uma exigência acrescida para o território, defendendo que a capacidade de aproveitar os fundos europeus dependerá da preparação dos projetos e da articulação entre as três Comunidades Intermunicipais.
Transportes, indústria, habitação e recursos hídricos entre as prioridades
Durante o encontro foram identificados vários investimentos estruturantes com potencial para transformar a economia regional, nomeadamente o futuro Aeroporto Luís de Camões, a ligação ferroviária de alta velocidade Porto–Lisboa–Madrid, a modernização da Linha do Oeste e o desenvolvimento do polo ferroviário do Entroncamento.
A presidente da CCDR LVT destacou ainda a importância da base industrial, agroalimentar e logística da região, bem como a necessidade de garantir que os benefícios dos grandes investimentos chegam aos diferentes municípios.
A proteção do solo agrícola e dos recursos hídricos, particularmente do rio Tejo, foi igualmente apontada como uma preocupação central no planeamento do desenvolvimento regional.
Neste âmbito, está em preparação o novo Plano Regional de Ordenamento do Território de Lisboa, Oeste e Vale do Tejo (PROT LOVT), cuja apresentação está prevista para 2027.
O debate desenvolveu-se em torno de quatro áreas estratégicas: indústria sustentável, economia circular e inovação; segurança hídrica, adaptação climática e transição energética; desenvolvimento urbano, habitação e fixação de população; e turismo sustentável, património cultural e identidade territorial.
As chamadas Novas Agendas Mobilizadoras, propostas pela CCDR LVT para promover projetos de desenvolvimento económico ligados às características e necessidades dos territórios, estiveram também em discussão.
A sessão do Entroncamento foi a segunda de um ciclo de debates promovido pela CCDR LVT, depois de um primeiro encontro realizado na Península de Setúbal.
Os contributos recolhidos junto dos municípios, empresas e restantes entidades serão integrados no trabalho de preparação da estratégia regional para o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 e apresentados posteriormente num encontro alargado de toda a região de Lisboa e Vale do Tejo.