Antena Livre
Deseja receber notificações?
Município Abrantes
PUB

Constância e Vila Nova da Barquinha: Miguel Pinto Luz foi o primeiro governante “que se disponibilizou a vir ver a ponte”

30/04/2026 às 17:02

Após ter passado pelo concelho de Abrantes, o ministro das Infraestruturas dirigiu-se até Constância, onde nos Paços do Concelho, reuniu com os autarcas de Constância e Vila Nova da Barquinha. O tema: os constrangimentos da ponte que liga Praia do Ribatejo e Constância Sul.

A visita de Miguel Pinto Luz, no dia 29 de abril, passou também por uma reunião com os autarcas de Constância e de Vila Nova da Barquinha. Sem a presença de jornalistas, “reunimos um conjunto de atores locais que achamos que são importantes à questão da travessia sobre o Tejo, nomeadamente as Câmaras Municipais, as Juntas de Freguesia, a Proteção Civil, a GNR, a CAIMA, que é uma grande indústria aqui da região, o Campo Militar de Santa Margarida, que não esteve aqui só a representar a Brigada Mecanizada, o senhor Brigadeiro-General, comandante da Brigada Mecanizada, esteve em representação do Exército nesta reunião”, começou por dizer Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância, que adiantou que “fizemos uma pequena apresentação sobre os antecedentes da travessia, como é que tudo isto surgiu e o que é que pretendemos para o futuro”. Por parte de Miguel Pinto Luz, disse, “a resposta que tivemos foi no sentido de que, tendo em conta o estudo prévio que está a decorrer neste momento no âmbito do IC9, que estamos a tempo de procurar, dentro dessa solução, desse estudo, uma solução para a questão da travessia sobre o Tejo nesta região”.

Sem qualquer anúncio concreto, é convicção dos dois autarcas de que o ministro, “depois da apresentação que fizemos, dos dados que lhe demonstrámos, saiu de Constância com uma visão completamente diferente daquela que tinha antes de chegar”. Segundo Sérgio Oliveira, Miguel Pinto Luz “não tinha uma visão tão abrangente daquilo que são as unidades militares, daquilo que é a centralidade deste território”.

Já Manuel Mourato, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, explicou que “aquilo que pretendemos hoje aqui, foi mostrar ao senhor ministro a importância desta travessia enquanto centralidade não só para estes dois concelhos, mas para toda uma região. Sobretudo, - e foi por isso que tivemos aqui o senhor Brigadeiro-General em representação do chefe de Estado-Maior do Exército - realçar a importância da estratégia de duas unidades militares que estão aqui na nossa região, nos dois concelhos. Portanto, a importância de perceber o duplo uso que pode ser utilizado numa travessia do Tejo, aqui nesta zona, quer em termos militares quer em termos civis. Este será um argumento muito forte para o Ministério das Infraestruturas, e eu julgo que conseguimos transmitir ao senhor ministro uma visão muito prática, muito realista daquilo que é o problema desta ponte e uma solução que sirva, não só os dois concelhos, mas toda uma região”.

Manuel Mourato disse ter ficado convencido de que “o senhor ministro levou daqui a realidade”. Quanto a ter ficado com alguma esperança, “o futuro dirá”.

Já no que diz respeito a garantias, “foi a de que o senhor ministro está disponível, e a equipa dele, para trabalhar connosco, uma vez que estamos em fase de estudo prévio do IC9. Estamos em estudo prévio de uma série de situações que atravessam aqui as nossas regiões, e foi-nos dada a garantia de que seremos incluídos nesses trabalhos e nesses grupos de trabalho para que se possa decidir, dentro destes estudos prévios, soluções que sirvam todos”.

Quanto a soluções apontadas pelos dois autarcas, ambos defenderam que foram “muito claros em apresentar propostas que sirvam não só os dois concelhos, mas a região no seu todo, e julgo que dessas propostas que nós apresentámos, fomos muito incisivos na forma prática que elas possam ter num futuro muito próximo”, disse Manuel Mourato, que ainda acrescentou que “tem que haver uma travessia que sirva esta região, e nada mais central do que a zona em que estamos”.

Se a solução passa por um alargamento da ponte existente ou pela construção de uma nova, Sérgio Oliveira respondeu que “isso para nós é indiferente, não estamos aqui numa postura radical, nem impositiva. Quer Constância, quer Barquinha, têm uma postura de diálogo construtivo, no sentido de que se nos disserem que a solução passa por construir uma ponte nova ao lado desta, ou até por reabilitar esta, que permita a passagem de pesados, o trânsito militar e eliminar os semáforos, nós estamos disponíveis para essa solução. Se nos disserem que a solução passa por integrar a nova travessia no estudo do IC9, em que efetivamente essa nova travessia fique num sítio central e que assegure o escoamento do trânsito em toda esta região, nós também estamos disponíveis para isso”.

“Aliás, o senhor ministro foi claro em dizer que, depois da apresentação que nós fizemos, foi daqui com o sentimento que nem eu, nem o meu colega da Barquinha, estávamos aqui com uma birra ou com uma embirrice de que há 50 anos tinham prometido aqui uma ponte e tinham que a fazer, mesmo que ela não fosse precisa. Portanto, o senhor ministro foi daqui esclarecido, pelo menos aquilo que nós sentimos, e ficou com argumentos racionais e válidos de que, efetivamente, é necessário uma nova travessia nesta região, num sítio central, que sirva militares, empresas, pessoas e instituições”, declarou Sérgio Oliveira.

Quanto a prazos, “não avançou com prazos”. Contudo, Miguel Pinto Luz garantiu que “iria pôr o gabinete dele, de imediato, o mais rapidamente possível. em contacto connosco para partilhar informação para a questão do estudo prévio. Pediu-nos para nós enviarmos a nossa apresentação para o gabinete dele e é isso que nós iremos fazer, não deixando de perder de vista este argumento. Mas que fique claro, Constância e Barquinha não estão aqui contra ninguém, nem estão aqui numa luta de titãs, não é nada disso. Nós temos a certeza que temos um conjunto de argumentos válidos, racionais, e que basta apresentar o mapa da região para ver essa racionalidade”.

Promessas de Miguel Pinto Luz não houve, até porque “disse que não queria criar falsas expectativas, mas que esta reunião aconteceu num momento certo porque se está na fase de desenvolvimento desse estudo prévio”.

Relativamente à tão falada ponte de Tramagal, que poderá integrar o traçado do IC9, Sérgio Oliveira também quis que ficasse claro que “Constância nunca esteve, nem nunca deixará de estar, solidária com o Tramagal e com a freguesia do Tramagal. E qualquer solução que nós hoje aqui apresentámos não deixou o Tramagal de fora, porque nós sabemos o estrangulamento que o Tramagal ali tem e estamos solidários com a freguesia do Tramagal. Agora, nós não podemos aceitar é uma solução que sirva apenas uma parte do território”.

Segundo o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, a apresentação foi feita com “um mapa muito concreto em que todas estas soluções estão integradas: Polígono Militar de Tancos, Santa Margarida, Estrada Nacional 118, Caima, todos os aglomerados populacionais que estão aqui à volta. Julgo que o senhor ministro foi convencido de que, efetivamente, há aqui sinergia de forças e estamos todos em busca de uma solução e não contra qualquer outra solução”.

Já o presidente da Câmara de Constância concluiu a afirmar que “em quase nove anos que estou na Câmara de Constância, foi a primeira vez que um ministro das Infraestruturas ou das Obras Públicas se disponibilizou a vir reunir à Câmara e vir à entrada da ponte. Nenhum outro ministro, nenhum outro secretário de Estado, durante estes quase nove anos, teve a disponibilidade que o senhor ministro teve. Portanto, não me pareceu que viesse apenas cumprir calendário ou fazer uma operação de charme junto dos presidentes da Câmara. Não me pareceu sinceramente isso. Acho que veio mesmo no sentido de se inteirar da região, ouvir os autarcas e ir daqui com um conjunto de informações que, acho, são relevantes para quem tem o poder de decidir”.

Após a reunião nos Paços do Concelho de Constância, o ministro deslocou-se com os autarcas até à ponte e verificou, no local, os constrangimentos da travessia.

Mais uma vez, Miguel Pinto Luz não prestou declarações aos jornalistas.

Partilhar nas redes sociais:
Partilhar no X
PUB
Capas Jornal de Abrantes
Jornal de Abrantes - abril 2026
Jornal de Abrantes - abril 2026
PUB