A criação de uma rede nacional de cooperação para os territórios rurais, novas soluções de financiamento para micro e pequenas empresas e a definição de metas para fixar população e atrair talento foram algumas das propostas que saíram do primeiro Fórum SmartVillages, realizado em Sardoal.
A iniciativa, promovida pela NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém / Câmara de Comércio e Indústria, decorreu no dia 24 de setembro, no Centro Cultural Gil Vicente, e reuniu mais de 90 participantes para debater soluções para a revitalização dos territórios de baixa densidade.
Na abertura, o presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, defendeu que «o desafio é construir territórios onde a inovação valorize a identidade».
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Valamatos, chamou a atenção para a necessidade de garantir condições que permitam às populações permanecer nestes territórios, nomeadamente através de soluções de mobilidade e conectividade e do acesso à saúde, educação, cultura e restantes serviços públicos essenciais.
O presidente da NERSANT, Rui Serrano, destacou a importância da articulação entre os diferentes parceiros, salientando o compromisso assumido para potenciar os territórios de baixa densidade.
Também Jorge Gaspar, vice-presidente do Conselho Diretivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, enquadrou o debate na nova realidade territorial da NUT II Oeste e Vale do Tejo, que está a trabalhar na sua estratégia de desenvolvimento com particular atenção aos territórios mais despovoados e afastados dos grandes centros urbanos.
Ao longo do dia, o Fórum apresentou experiências e projetos relacionados com regeneração territorial, comunidades inteligentes, laboratórios de inovação aberta e digitalização das pequenas e médias empresas. Foram igualmente debatidos temas como inovação patrimonial, turismo, sustentabilidade e mobilidade, assim como o papel das associações de desenvolvimento local na dinamização das chamadas Smart Villages.
O encontro contou ainda com uma componente internacional, através da participação de Tomasz Pilat, que apresentou a experiência desenvolvida na Polónia e permitiu comparar estratégias adotadas naquele país com iniciativas em curso em Portugal.
No encerramento, Rui Serrano apontou três linhas consideradas prioritárias: a criação de uma rede nacional de cooperação, mecanismos de financiamento adaptados às micro e pequenas empresas rurais e metas nacionais destinadas a fixar população, atrair talento e contribuir para o rejuvenescimento dos territórios de baixa densidade.
O presidente da NERSANT anunciou ainda a intenção de transformar as conclusões do encontro num documento estratégico sobre Smart Villages, a elaborar em conjunto com os parceiros envolvidos.
O secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, encerrou os trabalhos, considerando que as experiências apresentadas e os debates realizados podem contribuir para encontrar respostas aos desafios enfrentados pelas comunidades e pelos territórios.
O I Fórum SmartVillages teve como parceiros o Município de Sardoal, a CIM Médio Tejo, TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, MédioTejo21, TagusValley e Universidade Politécnica de Tomar. A iniciativa foi cofinanciada pela União Europeia, através do programa Interreg Sudoe Hitts.