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Abrantes: PSD questiona impactos dos Datacenters e pede avaliação do retorno económico dos grandes investimentos (c/áudio)

12/09/2026 às 12:02

O vereador do PSD João Morgado manifestou preocupação com os impactos dos projetos de data centers anunciados para Abrantes e defendeu que o Município deve passar a avaliar publicamente o emprego, o envolvimento das empresas locais e o retorno fiscal dos grandes investimentos. Manuel Jorge Valamatos respondeu que os projetos só poderão avançar cumprindo as exigências ambientais e defendeu que Abrantes não deve perder a oportunidade de atrair investimento tecnológico, embora reconhecendo a necessidade de “equilíbrio” e “bom senso”.

O tema dos data centers voltou à discussão na reunião da Câmara Municipal de Abrantes, realizada esta terça-feira, 8 de setembro, com João Morgado a questionar o presidente do Município sobre aquilo que considera serem potenciais “externalidades negativas” dos dois grandes projetos anunciados para o concelho.

O vereador do PSD apontou, nomeadamente, para o elevado consumo de eletricidade associado aos centros de dados, referindo notícias que estimam que os projetos previstos para Abrantes possam representar um consumo cerca de 19 vezes superior ao atual consumo do concelho.

João Morgado acrescentou às preocupações o consumo de água e o calor produzido por este tipo de infraestruturas, questionando se a estratégia municipal passa por transformar Abrantes numa referência nacional para a instalação de data centers.

“Queremos perceber qual é a visão do Município relativamente aos impactos no território”, afirmou, considerando necessário discutir não apenas os efeitos positivos dos investimentos, mas também os seus custos ambientais e territoriais.

 

João Morgado, vereador PSD CM Abrantes 

Na resposta, Manuel Jorge Valamatos reconheceu a importância de medir os impactos dos investimentos e defendeu uma maior utilização de dados para fundamentar as decisões municipais.

Sobre as preocupações ambientais, o autarca afirmou que os projetos terão de cumprir os procedimentos de avaliação ambiental aplicáveis antes de poderem concretizar-se.

Valamatos reconheceu igualmente que os data centers são “grandes consumidores de energia”, mas sustentou que Abrantes dispõe de condições particulares para receber investimentos ligados tanto à produção como ao consumo de energia, nomeadamente pela existência de capacidade e infraestruturas de ligação à rede elétrica.

“Tudo terá que ser feito com equilíbrio, com bom senso”, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando que o Município está disponível para receber “data centers ou outras indústrias” desde que exista “racionalidade”.

O autarca considerou ainda que a transição energética implica necessariamente impactos no território. Com o abandono do carvão, argumentou, será necessário aumentar a produção através de outras fontes, designadamente solar, eólica ou hidrogénio.

Para Manuel Jorge Valamatos, Abrantes tem neste processo “uma responsabilidade maior”, mas também uma oportunidade económica, devido às infraestruturas energéticas existentes no território.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

João Morgado alargou depois a discussão aos efeitos dos grandes investimentos sobre a economia local. O vereador contrapôs os milhões de euros anunciados em projetos como os data centers e os investimentos em energias renováveis à estrutura empresarial do concelho, constituída essencialmente por microempresas.

Segundo os números apresentados pelo eleito do PSD, Abrantes terá cerca de três mil microempresas e apenas uma grande empresa.

Morgado alertou, por isso, para o risco de uma “economia de enclave”: grandes investimentos e valores elevados anunciados para o território sem uma correspondente transformação dessa riqueza em emprego e rendimento para a população local.

O vereador apontou também para um aumento da dissolução de empresas, referindo que até julho passaram de 17 em 2025 para 24 em 2026.

Neste contexto, João Morgado deixou duas propostas ao executivo municipal: a elaboração de um relatório público anual sobre os compromissos assumidos pelos grandes investimentos, identificando postos de trabalho efetivamente criados, trabalhadores residentes no concelho, empresas locais subcontratadas e retorno fiscal para o Município; e, caso seja juridicamente possível, a introdução no regulamento municipal de incentivos fiscais de compromissos mensuráveis de desenvolvimento local.

A intenção, explicou, é permitir avaliar objetivamente o retorno dos benefícios fiscais concedidos aos investidores.

O vereador usou como exemplo o projeto de data center EDC1, para o qual foram aprovados benefícios fiscais municipais, defendendo que, no futuro, deve ser possível confrontar o valor dos incentivos concedidos com a riqueza efetivamente criada no concelho.

João Morgado, vereador PSD CM Abrantes 

Câmara diz que benefícios dependem da concretização dos projetos

Manuel Jorge Valamatos lembrou que os benefícios fiscais aprovados estão dependentes da efetiva concretização dos investimentos e das condições associadas aos projetos.

O presidente da Câmara referiu ainda que os projetos de maior dimensão se encontram em diferentes níveis de maturidade. Segundo o autarca, há atualmente dois projetos com estatuto PIN — Projeto de Potencial Interesse Nacional —, enquanto existem outras intenções de investimento relacionadas com produção e consumo de energia que ainda não atingiram uma fase que permita a sua divulgação pública.

Valamatos garantiu que o executivo irá disponibilizando informação à Câmara à medida que os processos avancem e os promotores autorizem a divulgação dos elementos.

A discussão acabou ainda por chegar à antiga Central Termoelétrica do Pego, depois de o vereador Nuno Serra colocar a hipótese de Portugal voltar a equacionar a produção de eletricidade através do carvão perante o crescimento esperado do consumo energético.

Manuel Jorge Valamatos afastou o carvão como solução de futuro, recordando os compromissos de descarbonização e a redução das emissões conseguida com o encerramento da central. Ainda assim, comprometeu-se a colocar ao Ministério do Ambiente a questão sobre a possibilidade de Portugal equacionar, no atual contexto energético, uma eventual reabertura da produção a carvão.

 

 

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