A poucos dias do arranque oficial da época balnear no concelho de Abrantes, marcado pelo hastear da Bandeira Azul nas praias fluviais de Aldeia do Mato e Fontes, Cláudio Reis, responsável pela empresa concessionária dos bares e das atividades náuticas nas duas praias, mostrou-se otimista para o verão de 2026, apesar dos constrangimentos provocados pela tempestade que atingiu recentemente a região.
Em entrevista ao jornalista da Antena Livre, Jerónimo Belo Jorge, o empresário explicou que o início da época tem decorrido "um bocado ao pé coxinho", devido aos estragos causados nas estruturas de sombra da Praia Fluvial de Fontes.
"Tem sido bom, apesar de termos muitas condicionantes devido à tempestade, que nos afetou muito, nomeadamente ao nível das sombras. Ainda temos muitas limitações, mas esperamos que durante a próxima semana fique tudo reposto em conjunto com a Câmara Municipal e aí sim possamos funcionar em pleno", afirmou.
Segundo Cláudio Reis, a ausência dessas estruturas tem sido particularmente sentida durante os dias de temperaturas elevadas.
"Não está como queríamos, nem pouco mais ou menos. Com este calor extremo, um guarda-sol acaba por ser insuficiente e as pessoas estão habituadas a encontrar aqui outras condições."
Praia de Fontes afirma-se como referência em Castelo de Bode

Apesar das dificuldades iniciais, o concessionário considera que a Praia Fluvial de Fontes se consolidou como uma referência para quem procura as praias interiores da albufeira de Castelo de Bode.
"A Praia de Fontes já é uma marca para quem anda a passear no rio, sobretudo para quem navega de barco. Trabalhamos para que as pessoas se sintam bem e acabem sempre por voltar."
Além dos visitantes que chegam por via fluvial, o espaço continua também a atrair quem procura um ambiente mais tranquilo.
"Quem vem por terra encontra aqui uma praia mais recatada, mais sossegada, diferente de outras mais movimentadas. Conseguimos agradar aos dois públicos."
Um dos serviços que mais tem contribuído para essa procura é o transporte fluvial entre a margem do concelho de Tomar e a Praia de Fontes.
"Muita gente de Tomar e também de Leiria prefere deixar o carro do outro lado da barragem e atravessar de barco. Em dois minutos chegam aqui e evitam quase uma hora de viagem por estrada."
Além da restauração, a empresa aposta fortemente nas atividades náuticas, disponibilizando passeios de barco, aluguer de embarcações, wakeboard, wakesurf, boias rebocáveis, canoas e pranchas de stand up paddle.
Segundo Cláudio Reis, existe procura tanto por experiências de aventura como por atividades mais tranquilas.
"Os mais novos procuram mais adrenalina. As pessoas mais velhas preferem passear de barco, parar para dar um mergulho ou apreciar a paisagem."
Este é o primeiro ano em que a empresa assume igualmente a concessão da Praia Fluvial de Aldeia do Mato, permitindo criar uma oferta integrada entre as duas praias.
"O objetivo passa por criar uma dinâmica própria na Aldeia do Mato, mas também fazer a ligação entre os dois espaços. Vamos ter passeios e transferes de barco entre as duas praias, permitindo que as pessoas desfrutem das duas no mesmo dia."
A nova concessão mantém praticamente toda a oferta existente em Fontes e introduz ainda novidades ligadas aos desportos náuticos sustentáveis.
Entre elas está uma escola dedicada às pranchas elétricas de foil, desenvolvida em parceria com uma empresa belga.
"É uma modalidade inovadora e ambientalmente sustentável. Ainda não é acessível a toda a gente, mas vamos promovendo experiências e ofertas para que mais pessoas possam experimentar."
Empresa emprega cerca de 16 pessoas
Durante a época balnear, a empresa emprega cerca de 15 a 16 trabalhadores distribuídos entre os bares, atividades náuticas e apoio ao funcionamento das praias.
Cláudio Reis destacou que a prioridade passa por contratar jovens da região.
"Tentamos sempre dar oportunidade à malta daqui. Conhecemos muitas vezes as famílias e preferimos apostar nos jovens da nossa terra. É uma forma de criar emprego local e ajudar a fixar população."
O empresário reconhece, contudo, que a sazonalidade continua a ser um dos principais desafios da atividade.
"É um negócio de poucos meses e todos os anos temos de formar pessoas sem experiência. É um investimento grande, mas preferimos continuar a apostar em recursos humanos da região."

Questionado sobre a segurança, Cláudio Reis revelou que a empresa pretende reduzir os comportamentos de risco que se têm verificado na Praia Fluvial de Aldeia do Mato.
"Queremos inverter a tendência dos acidentes e das situações de risco. Reforçámos as equipas que acompanham a praia e voltámos a implementar regras que já existiam, para garantir que todos possam usufruir do espaço em segurança."
Segundo explicou, essas equipas não apenas prestam informações aos visitantes, como também organizam a utilização da praia e promovem comportamentos responsáveis.
"O nosso principal objetivo é que toda a gente esteja em harmonia, em segurança e que o verão decorra sem incidentes."

Com uma oferta cada vez mais diversificada e uma estratégia de articulação entre as praias fluviais de Fontes e Aldeia do Mato, a empresa espera consolidar o crescimento da procura turística na albufeira de Castelo de Bode durante a época balnear de 2026.
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