O turismo parece estar a ser um dos parceiros mais fortes do setor agrícola. Na abertura da Feira do Fumeiro, em Sardoal, o secretário de Estado da Agricultura ligou os dois setores de atividade e a sua complementaridade.
No seu discurso, João Moura disse que Portugal fechou 2025 com cerca de 35 milhões de turistas estrangeiros. O governante mostrou a escala destes números, dando o exemplo do Brasil [90 vezes maior do que o nosso país] que registou 9 milhões de turistas estrangeiros, também em 2025.
João Moura atribuiu este número de visitantes a Portugal pelo clima, pelas gentes, mas também pela gastronomia. E vincou que o seu maior prazer, nestas funções, é que os que produzem, produzem com mais qualidade em relação a outros países.
João Moura, secreatário de Estado da Agricultura

Já à margem da Feira do Fumeiro, aos jornalistas, João Moura explicou melhor os números apresentados e anunciou que o governo está a preparar uma nova marca turística para os produtos de qualidade. A marca “Portugal” pretende dar a força à qualidade dos produtos que, cada vez mais, são procurados pelos estrangeiros.
João Moura diz que “ao contrário do que era tradicional (...) os turistas vinham para dois ou três spots em Portugal, era as cidades de Lisboa, a cidade do Porto, os seus patrimónios históricos, era a cidade de Coimbra, pela sua tradição muito própria estudantil, era a sua costa litoral, pelas suas praias, pelas suas oportunidades de desfrutar de um clima maravilhoso.” E aludiu aquilo que é, nos nossos dias, o turista estrangeiro. “Hoje o turista procura algo mais, procura o seu interior, a descoberta do património natural, das nossas albufeiras, dos nossos campos agrícolas, do nosso agroturismo. Hoje o nosso enoturismo tem quase tanto significado em Portugal como a produção vínica. E hoje a produção vínica está intimamente e intrinsecamente associada, da mesma forma que está o turismo equestre, com os nossos cavalos mais nobres que temos em Portugal.”
De acordo com o governante a agricultura contribui fortemente para o turismo. Notou ainda que já contribuía antes ao fornecer à “mesa dos grandes restaurantes portugueses, da nossa gastronomia, dos nossos chefes, também não é por acaso que em Portugal o crescimento de estrelas Michelin e de chefes com graduação, tem crescido de forma tão significativa. Significa que tem a ver com a matéria-prima, que eles desfrutam, que eles têm a oportunidade de ter essa matéria-prima, são os produtos nacionais, são os produtos da nossa agricultura.”
Esta nova marca “Portugal”, que o governo está a criar, será a marca do produto português. “Temos cada vez mais certeza que está a ter uma aceitação mundial cada vez mais forte, uma marca com grande reconhecimento.” E pormenorizou. “Desde logo, porque ela se insere no bloco alimentar mais seguro do mundo, que é o bloco europeu. Portanto, temos todo o interesse em potenciar produtos que estavam em desuso, como era o caso do presumo pata negra, que vinha num decrescente brutal. Praticamente só era feito já em Espanha e neste momento estamos a retomar fortemente.” E acrescentou outro produto ligado à pecuária, a lã. “A lã portuguesa, que antigamente nas escolas se ensinava às crianças a tecelar, a fazer produtos de lã e tudo caiu em desuso. Neste momento estamos a tentar retomar porque tudo isto, não só são formas de promover o produto nacional, mas também são formas de ajudar a produção.”
João Moura revela depois a competitividade com outros mercados, para reforçar a ideia de qualidade em vez de quantidade. “Se me disser, mas temos alguma capacidade de ombrear com a carne ou com os cereais? Não, não temos. Mas temos capacidade de ombrear com a carne da altíssima qualidade, que eles não têm, mas nós temos. E o consumidor sabe diferenciar aquilo que é carne de inferior qualidade, aquela que é de qualidade suprema que é o caso das nossas.”
O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, deu o exemplo da carne, já que estava numa feira do fumeiro, mas acrescentou que temos o vinho ou o azeite, com uma grandiosa capacidade de exportação portanto, "temos aqui uma oportunidade fortíssima de alavancar a agricultura em Portugal”.
João Moura, secreatário de Estado da Agricultura

João Moura inaugurou na sexta-feira à tarde a Feira do Fumeiro, Vinho e Pão de Sardoal e afirmou ter prazer nos profissionais que representa. “São os agricultores, são aqueles que trabalham a terra, aqueles que produzem o bom vinho, o bom pão, o bom azeite, o peixe, a carne, os enchidos, os ovos, as frutas, os legumes, as flores, etc, etc. E em cada um destes exemplos que eu vos acabei de dar, façam um exercício e imaginem o que são os produtos, comparativamente, os mesmos produtos de outros países. Comparem-nos. E invariavelmente vamos chegar à conclusão que Portugal produz, se não for o melhor do mundo, está entre os melhores do mundo. Em todos.”