Já duram há cerca de dois anos e não se prevê a sua conclusão. As obras da regeneração urbana da zona do centro histórico da vila de Cardigos estão a deixar a população à beira de um ataque de nervos.
O prazo da conclusão da obra é agora de 30 de maio de 2026. Com uma prorrogação de mais 60 dias. No entanto, no Executivo e na população, não há quem acredite que seja possível cumpri-lo.
Com início em junho de 2024, a empreitada tinha, na altura, um prazo de execução previsto de um ano e conta “integralmente, com financiamento municipal”, não tendo a autarquia conseguido apoio de fundos comunitários para a obra. Vasco Estrela era, à época, o presidente da Câmara Municipal e explicou que “a chamada Praça de Cardigos, realmente está num estado muito debilitado, com piso muito degradado, com infraestruturas a necessitarem de ser reabilitadas, quer em termos de saneamento, quer em termos de rede de águas, infraestruturas elétricas e telecomunicações que têm de ser enterradas e, portanto, todo o espaço urbano tem de ser requalificado”. E a obra arrancou. Mas desde cedo se percebeu a incapacidade da empresa de terminar a empreitada. Por uma razão ou por outra, certo é que a obra tem estado parada e tem deixado a população revoltada, quer com os buracos, quer com a lama, quer com o pó, consoante as estações do ano.
O atual Executivo, confrontado com esta situação, e após reunir com o empreiteiro, chegou à conclusão de que era melhor, para a Câmara e para a população, alargar o prazo à empresa, em vez de denunciar o contrato e avançar para um novo concurso público.
Esta decisão levou a que o vereador José António Almeida, eleito pelo PSD, lembrasse que “o senhor presidente, no exercício de outras funções, como representante da Assembleia Municipal, foi, e permita-me que lhe diga, um bocadinho useiro e vezeiro, e às vezes até de forma enviesada, quando falou nas obras aqui no centro da vila de Cardigos. Sabia e conhecia os condicionalismos que o executivo anterior tinha, resultantes do processo concursal, e agora que assumiu as responsabilidades de conduzir a obra, tinha condições, como o executivo anterior não tinha, de responder de uma forma mais decidida para que a obra se concluísse o mais rapidamente possível. Hoje, eu percebo, tem argumentos se calhar mais objetivos para tomar a decisão que tomou, e a primeira decisão acerca das obras, foi alargar o prazo ao empreiteiro. Se calhar ficava-lhe bem deixar aqui, numa reunião pública em Cardigos, um pedido de desculpas à população de Cardigos e ao executivo anterior, por tudo o que disse sem um grande conhecimento de causa, porque o carma é tramado, veio-lhe cair nas mãos e a primeira decisão que tomou acerca das obras de Cardigos, foi dar um prazo maior ao empreiteiro. E mais, todos nós, a população de Cardigos, todos nós, executivo, sabemos que o prazo que lhe deu não vai ser suficiente para a conclusão das obras”.

José Fernando Martins, presidente da Câmara Municipal de Mação, respondeu ao vereador social-democrata dizendo que “ontem, encerrei a reunião com um pedido de desculpas público à população de Cardigos. Não tendo origem no problema, a partir do momento que sou presidente de Câmara, assumo o problema, e apresentei desculpas à população de Cardigos pelo problema que está aqui. É um problema que estamos a tentar resolver, que não se resolve com um estalar de dedos, e há uma análise que nós fizemos, sobre se era mais vantajoso para a população e para o município, a empresa terminar a obra, ou se era arranjar outra empresa. Entendemos que o mais vantajoso para todos, até mesmo em termos de tempo, seria que esta empresa conseguisse terminar a obra”.
O autarca referiu que, “neste momento, nem há margem mínima, é não há margem”, no que diz respeito ao prazo de conclusão. “Obviamente que, se o empreiteiro não terminar a obra, vamos ter problemas por muito mais tempo. Nos próximos oito, quinze dias, iremos tomar a decisão definitiva. Se vierem recomeçar a obra com força para fazer, tudo bem. Se não recomeçarem, acabou-se a tolerância, não há mais tolerância”, garantiu José Fernando Martins.

Nesta mesma reunião do Executivo Municipal de dia 26 de fevereiro, que se realizou em Cardigos, os cidadãos também marcaram presença e fizeram ouvir as suas preocupações. António Martins começou por dizer que “já ouvi aqui hoje demasiadas vezes a palavra solidariedade. «Estamos muito solidários com a população de Cardigos». Meus amigos, nós não precisamos de solidariedade coisa nenhuma. Nós precisamos que uma entidade pública, que é dona de uma obra em Cardigos, a conclua. E isso não tem nada a ver com solidariedade”. Para António Martins, “a verdadeira questão que está aqui, é que a empresa a quem foi adjudicada a obra, não tem dinheiro para a concluir. E isto está a inviabilizar o sucesso de muitos, de alguns que ainda existem, alguns negócios em Cardigos”. A solução, disse, é “ponham-se a mexer, venha outro que fará o trabalho com certeza”.

Já António Costa Dias começou por dizer que “nunca pensei que no fim da minha vida, tivesse que andar de gatas em Cardigos”. Quanto ao que vinha, “venho para dizer à Câmara Municipal de Mação que este empreiteiro não vai conseguir fazer nada”.
“Aqui há tanto buraco por fechar, tantas chapas, que nós chegamos à conclusão que isto não tem sentido nenhum.Nós não podemos viver neste lamaçal todo. A Câmara é que tem que assumir a responsabilidade. Toda a gente faz maus negócios. A Câmara fez um mau negócio, tem que resolver por lá. É o que nós queremos. Os cardiguenses querem isso”, exigiu.

A Câmara de Mação vai aguardar uns dias para ver se a empresa recomeça os trabalhos e que os conclua, no máximo, até ao final de junho.