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Incêndios: RAME mantém cerca de 100 militares no terreno para prevenir e apoiar o combate aos incêndios florestais (c/áudio)

29/07/2026 às 10:33

A prevenção continua a ser a principal aposta do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) durante a fase mais crítica da campanha de incêndios florestais. Em entrevista à Antena Livre, o comandante do RAME, coronel Siborro Leitão, fez um balanço da operação deste verão e revelou que o dispositivo militar se manterá praticamente inalterado durante os meses de agosto e setembro, com cerca de uma centena de militares diariamente empenhados em missões de vigilância, prevenção, rescaldo e apoio ao combate.

O comandante explicou que a campanha começou logo a 4 de maio, com o apoio aos municípios em todo o território nacional. A 20 de maio arrancou o reforço à Guarda Nacional Republicana (GNR), inicialmente com 10 patrulhas, número que entretanto aumentou significativamente. Já a 1 de junho iniciou-se o apoio ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com 16 patrulhas diárias, um número que se mantém desde então.

Atualmente, o Exército tem no terreno 28 patrulhas, das quais 27 no território continental e uma na Região Autónoma da Madeira, distribuídas entre missões de apoio à GNR, ao ICNF e aos protocolos estabelecidos com diversos municípios.

Segundo Siborro Leitão, comparativamente a 2025, o maior reforço verificou-se precisamente no apoio à GNR, enquanto o dispositivo destinado ao ICNF e aos municípios se mantém praticamente idêntico ao do ano passado.

O comandante fez questão de sublinhar que estas patrulhas não se limitam à vigilância do território.

"O objetivo é fazer prevenção, vigilância e também sensibilizar as populações locais", explicou, destacando que a presença militar procura reduzir comportamentos de risco e permitir uma deteção rápida de qualquer foco de incêndio.

Além das ações preventivas, o RAME continua preparado para responder sempre que o dispositivo nacional o exige, disponibilizando forças para apoio direto ao combate e operações de rescaldo.

Durante os períodos de maior risco, o Regimento acolheu também bombeiros em pré-posicionamento.

Ao todo, passaram pelas instalações do RAME 247 operacionais, beneficiando do denominado "alojamento regimental", uma capacidade logística que permite aproximar os meios das zonas de maior risco e reduzir os tempos de resposta.

Desde o dia 22 de julho encontra-se ativado o estado de alerta azul, o que coloca o dispositivo militar num regime de prontidão de 24 horas.

 À data da entrevista, sexta-feira, 24 de julho,  o comandante indicou que estavam empenhados:

um pelotão de 19 militares na região de Alijó, em operações de rescaldo;

28 patrulhas de vigilância e prevenção;

cinco destacamentos de engenharia, integrados no Sistema Integrado de Prevenção e Proteção (SIPO), desenvolvendo trabalhos de gestão de combustível em várias zonas do país, incluindo Pombal, Caldas da Rainha e Sertã.

No total, o dispositivo mobilizava cerca de 100 militares diariamente.

Siborro Leitão admite que o esforço durante os próximos dois meses continuará centrado na prevenção.

O comandante considera que o patrulhamento continuará a ser a principal prioridade, mantendo-se o reforço do apoio à GNR e ao ICNF. Paralelamente, prosseguirão os trabalhos dos destacamentos de engenharia no âmbito do SIPO, destinados à limpeza de faixas de gestão de combustível e à redução do risco de propagação dos incêndios.

Ao mesmo tempo, o Exército manterá em prontidão os seus pelotões de rescaldo e vigilância pós-incêndio, bem como os destacamentos de engenharia, considerados uma das capacidades mais importantes de apoio ao combate.

Para além dos militares já empenhados no terreno, o Exército mantém disponível um vasto conjunto de capacidades que podem ser ativadas conforme as necessidades da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Entre esses meios encontram-se módulos de alojamento, alimentação, produção de energia, banhos e latrinas, motobombas, apoio sanitário, transporte e recuperação de viaturas, além das estruturas de comando e controlo.

"O nível de prontidão depende sempre do que for determinado pela Proteção Civil", explicou Siborro Leitão, recordando que, durante a recente onda de calor, alguns destes módulos permaneceram de prevenção nas instalações do regimento para poderem ser projetados de imediato caso fossem solicitados.

O comandante concluiu sublinhando que todo este "catálogo de forças" permanecerá disponível durante a campanha de verão, permitindo reforçar rapidamente o dispositivo nacional sempre que a evolução da situação operacional o justificar.

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