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Reconhecimento: Tramagal homenageia Octávio Félix de Oliveira com memorial no dia em que a vila assinala 40 anos

25/08/2026 às 09:30

O Tramagal passou a ter um espaço público com o nome de Octávio Félix de Oliveira, numa homenagem a um dos seus mais ilustres conterrâneos, falecido em 2025. O memorial foi descerrado este domingo, 23 de agosto, num largo situado entre a Rua da Barca, onde se encontrava a casa dos avós do homenageado, e a Rua Comendador Eduardo Duarte Ferreira, junto ao local onde funcionou a Metalúrgica Duarte Ferreira.

A cerimónia adquiriu um significado ainda maior por coincidir com os 40 anos da elevação do Tramagal a vila, processo no qual Octávio Félix de Oliveira teve um papel determinante.

O memorial recorda o seu percurso profissional e cívico: secretário de Estado do Emprego nos XIX e XX Governos Constitucionais, entre 2013 e 2015, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, entre 2011 e 2013, e presidente do Instituto da Segurança Social, entre 2024 e 2025. A placa destaca ainda a sua participação ativa nas associações e instituições do Tramagal.

A chuva obrigou a transferir a sessão institucional para as instalações da Sociedade Artística Tramagalense, mas não impediu o descerramento do memorial.

Padre Adelino Cardoso: “Não queremos apenas recordar um rosto ou um nome”

A cerimónia começou com a bênção do memorial pelo padre Adelino Cardoso, que conheceu pessoalmente Octávio Félix de Oliveira e recordou a proximidade que manteve com o homenageado.

O sacerdote explicou que preparou especificamente uma oração para aquele momento, tendo em conta a relação que tinha com Octávio e a importância que este assumiu na comunidade.

Na oração, o padre Adelino pediu que a memória de Octávio permanecesse viva através dos valores, das obras e dos gestos que deixou.

“Não queremos apenas recordar um rosto ou um nome. Queremos recordar uma vida, um exemplo, um homem”, afirmou.

Na bênção, o sacerdote destacou ainda que Octávio “fez parte da história desta comunidade” e que, através do trabalho, dedicação e amor pela terra, contribuiu para perpetuar a memória do Tramagal.

A família: “O meu pai viveu permanentemente entre duas realidades”

Em representação da família, o filho, Afonso Félix de Oliveira, começou por agradecer aos amigos que acompanharam a paixão do pai pelo Tramagal e que estiveram na origem da homenagem.

Afonso destacou o simbolismo do local escolhido para o memorial: de um lado, a Rua da Barca, associada à casa dos bisavós e ao espaço de refúgio que Octávio sempre manteve na memória; do outro, a Rua Comendador Eduardo Duarte Ferreira, ligada à Metalúrgica Duarte Ferreira, onde trabalharam o pai e os avós do homenageado.

“Por isso é com muito orgulho que lhe chamaremos Largo Octávio Félix de Oliveira”, afirmou.

O filho recordou também o percurso profissional do pai, que o levou a assumir funções de elevada responsabilidade na administração pública e no Governo.

“O meu pai viveu permanentemente entre duas realidades, que tantas vezes tentou conciliar com sacrifício pessoal e familiar”, afirmou Afonso, sublinhando que, apesar das responsabilidades nacionais, Otávio manteve sempre o Tramagal e os tramagalenses no centro da sua vida.

Recordou ainda o contributo do pai para a elevação do Tramagal a vila e afirmou que esse é “talvez o seu maior legado”.

Afonso Félix de Oliveira deixou, por fim, o compromisso da família em continuar disponível para apoiar iniciativas culturais, desportivas e de desenvolvimento promovidas pelo Tramagal.

Paulo Duarte Oliveira: “Não adiemos a vida”

O irmão, Paulo Duarte Oliveira, agradeceu a todos os que organizaram a homenagem e propôs aos presentes que recordassem, durante alguns segundos, momentos vividos com Octávio.

Foi então que contou uma história relacionada com os últimos dias de vida do irmão.

Recordou que, depois de começar a sentir os primeiros sintomas da doença, Octávio realizou exames médicos e tomou conhecimento da gravidade da situação.

No dia seguinte, contou Paulo Duarte Oliveira, o irmão disse-lhe:

“Esta noite não dormi. Estive toda a noite a pensar na vida. E cheguei à conclusão que não devemos adiar. Não devemos adiar aquilo que desejamos e queremos fazer.”

Paulo Oliveira transformou essa frase na principal mensagem da sua intervenção: “Não adiemos a vida”.

No final, convidou os presentes a partilhar uma jeropiga produzida pelo próprio Octávio, num momento mais descontraído de convívio entre familiares e amigos.

Fernando Brazão: “Foi um grande, grande amigo”

Em nome do grupo de amigos que promoveu a homenagem, Fernando Brazão recordou o percurso de uma amizade que começou ainda na infância.

Falou das brincadeiras de infância, da juventude, da universidade, da política e dos vários projetos associativos e culturais em que ambos participaram.

Descreveu Octávio como um profissional dedicado, competente e exigente consigo próprio, mas também como alguém que sabia ouvir e respeitar opiniões diferentes.

Recordou, com humor, a rivalidade futebolística entre ambos — Octávio era sportinguista e Fernando benfiquista — para sublinhar que as diferenças nunca impediram a amizade.

Fernando Brazão destacou ainda o envolvimento de Octávio no Tramagal Sport União, nas comemorações do centenário do clube e em vários projetos destinados a preservar a memória e a história da comunidade.

Falou também do orgulho que Octávio sentia pelos filhos e da felicidade que viveu enquanto avô.

“Meu querido amigo Octávio, hoje tenho o privilégio de poder dizer diante de todos aquilo que talvez nem sempre tenhamos dito suficientemente ao longo destes anos. Obrigado.”

E concluiu: “Para mim, haverá sempre uma frase ainda mais importante: foi um grande, grande amigo.”

Manuela Ruivo: “Fazes-nos falta”

Também Manuela Ruivo, amiga e membro do grupo que organizou a homenagem, sublinhou a dimensão humana de Octávio e a capacidade que tinha de congregar pessoas com diferentes percursos, opiniões e formas de estar. “Fazes-nos falta”, afirmou.

Manuela destacou a ligação de Octávio à família, à causa pública e ao Tramagal, bem como o trabalho desenvolvido em defesa do associativismo local.

Recordou a participação nas comemorações dos 100 anos do Tramagal Sport União, a edição do livro do centenário, a revitalização da Tuna Tramagalense e diversos projetos que ficaram por concretizar.

Agradeceu também à Junta de Freguesia, ao Município de Abrantes e a todos os que contribuíram diretamente para a construção do memorial, nomeadamente os responsáveis pela oferta da placa e pela execução da obra.

Manuela Ruivo revelou ainda que os amigos pretendem que o nome de Octávio Félix de Oliveira seja também perpetuado em Abrantes, através da atribuição do seu nome a um espaço público na sede do concelho.

Recordou, por fim, a importância que Octávio teve no processo que conduziu à elevação do Tramagal a vila, há precisamente 40 anos.

“Serás sempre o meu melhor amigo, Octávio”, concluiu.

Miguel Relvas: “O Tramagal deve-lhe muito”

Numa mensagem dirigida à cerimónia, Miguel Relvas, antigo deputado do PSD e amigo de Octávio, recordou o papel que ambos desempenharam no processo de elevação do Tramagal a vila.

Relvas afirmou ter sido o primeiro proponente da elevação do Tramagal a vila e destacou o contributo decisivo de Octávio Oliveira.

“O Octávio foi um homem de grande caráter, de convicções firmes e de uma enorme dedicação ao serviço público”, afirmou.

Recordou as três grandes paixões que, na sua perspetiva, marcaram a vida de Octávio: “a família, o Sporting e o Tramagal”.

Para Miguel Relvas, “o Tramagal deve-lhe muito”, pela capacidade de mobilização e pelo profundo amor à terra.

Pedro Passos Coelho: “Era uma pessoa mesmo muito competente”

Um dos momentos de maior destaque da cerimónia foi a intervenção de Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e antigo líder do PSD, que conheceu Octávio Félix de Oliveira desde o início dos anos 1980.

Passos Coelho recordou o percurso político de Octávio na Juventude Social-Democrata e, sobretudo, a competência profissional que lhe reconheceu ao longo de décadas.

Descreveu-o como uma pessoa calma, voluntariosa, realista e prática, que não desistia facilmente de encontrar soluções.

“Era uma pessoa mesmo muito competente”, afirmou Pedro Passos Coelho.

O antigo primeiro-ministro explicou que foi precisamente essa competência que levou à escolha de Octávio para desempenhar funções governativas.

Recordou em particular o trabalho desenvolvido por Octávio como secretário de Estado do Emprego, durante um período em que o desemprego jovem atingia níveis muito elevados.

Pedro Passos Coelho destacou o papel de Octávio na conceção e execução da Garantia Jovem, programa que permitiu a muitos milhares de jovens portugueses aceder a estágios profissionais e oportunidades de emprego.

“Foi um governante muito competente”, afirmou.

Passos Coelho recordou ainda o conhecimento profundo que Octávio tinha da história do Tramagal e a importância que teve no processo de elevação da localidade a vila.

“Tenho a certeza que todas as pessoas no Tramagal sentirão orgulho, agora que esta homenagem foi feita”, afirmou.

António José Carvalho: “O Octávio amava o Tramagal”

O presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, António José Carvalho, agradeceu a presença de todos e considerou que o memorial permite perpetuar na vila o legado de um “homem excecional”.

“O Octávio amava o Tramagal e irradiava este sentimento em todas as ocasiões”, afirmou.

O autarca destacou a participação de Octávio nas instituições e associações locais, a sua disponibilidade para aconselhar e a capacidade de colocar o conhecimento e o trabalho ao serviço da comunidade.

Recordou também algumas das ideias que Octávio defendia para o futuro da terra, incluindo a preservação da história local, iniciativas culturais, a valorização das escolas e a criação de um museu do Tramagal.

António Carvalho lembrou ainda que Octávio foi o melhor aluno da quarta classe do seu ano e recebeu, na altura, uma bicicleta como prémio, objeto que, segundo o autarca, seria apropriado integrar futuramente num museu local.

“O Octávio teve um papel muito importante no processo que há precisamente 40 anos, num dia 23 de agosto como hoje, resultou na elevação de Tramagal a vila”, afirmou.

Manuel Jorge Valamatos: “Um homem de causas e de princípios”

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considerou que a homenagem representa o reconhecimento de um homem cujo percurso ultrapassou largamente as fronteiras do Tramagal.

Recordou Octávio como professor, autarca e responsável por importantes cargos na administração pública e no Governo, sublinhando a competência, o rigor e o sentido de serviço público.

Mas, acima dos cargos, destacou a dimensão humana e a ligação à comunidade.

“Era um homem de causas e de princípios, profundamente ligado à sua terra e à vida da nossa comunidade”, afirmou.

Valamatos recordou a participação de Octávio no Tramagal Sport União e na preparação das comemorações do centenário do clube, bem como a presidência da Tuna Tramagalense, onde contribuiu para a sua refundação.

Para o presidente da Câmara de Abrantes, Octávio Oliveira soube “estar presente, envolver-se, mobilizar e, sobretudo, procurar sempre fazer acontecer”.

À família, deixou uma palavra de reconhecimento e solidariedade, defendendo que preservar o nome e o exemplo de Octávio é uma forma de manter viva a sua memória.

João Moura: “Aqui está um homem de referência”

O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, que representou o Governo na cerimónia, destacou a dimensão profissional e humana de Octávio Oliveira.

Apesar de exercer funções numa área diferente daquela em que o homenageado construiu a sua carreira, João Moura afirmou que não hesitou em estar presente, por conhecer Octávio há muitos anos e reconhecer o seu percurso.

Recordou-o como uma pessoa modesta, mas altamente profissional, e destacou a sua capacidade de trabalho e conhecimento.

Lembrou também o papel que desempenhava dentro do PSD, muitas vezes assumindo tarefas menos visíveis, mas fundamentais, como a análise dos resultados eleitorais concelho a concelho e freguesia a freguesia.

João Moura partilhou ainda um episódio dos últimos tempos de vida de Octávio, quando este, já hospitalizado e muito debilitado, continuava preocupado com os outros e com a necessidade de encontrar soluções.

“Ele já estava no hospital, a sofrer o que sofreu, e preocupado com os outros”, afirmou.

Para o secretário de Estado, o memorial representa mais do que uma homenagem: é também uma forma de dizer às gerações futuras que ali está “um homem de referência”.

Um memorial para manter viva a memória

O novo Largo Octávio Félix de Oliveira, cujo processo de alteração de toponímia está em curso, passa assim a assinalar fisicamente a ligação do antigo governante ao Tramagal, precisamente entre dois lugares com forte significado na sua história familiar: a casa dos avós e a antiga Metalúrgica Duarte Ferreira.

A cerimónia terminou com um momento musical pela violinista Mónica Afonso, que interpretou o terceiro andamento do Concerto em Lá menor de Antonio Vivaldi — uma escolha simbólica, já que, como foi recordado durante a sessão, no carro de Octávio Oliveira se ouvia frequentemente a Antena 2.

O dia terminou com um convívio entre familiares, amigos, autarcas e representantes de várias instituições, ficando também disponível um livro de honra para mensagens à família.

O memorial pretende, assim, manter presente no espaço público o nome de um homem que, como foi repetidamente sublinhado ao longo da cerimónia, construiu uma carreira nacional sem nunca perder a ligação à terra onde nasceu, às suas pessoas e à sua história.

PS: Os discursos da homenagem vão ser congregados numa edição do Programa Disto & Daquilo do próximo sábado, dia 29, e posteriormente disponibilizado no site e no Spotify da Antena Livre. O programa é emitido na Antena Livre, aos sábados às 11h00 e às 18h00, e na Rádio Tágide, Sábado e Domingo às 19h00.

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