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Resíduos: Abrantes admite dificuldades na recolha de biorresíduos e monos e anuncia reforço do serviço (c/áudio)

20/08/2026 às 14:11

A recolha de biorresíduos e de monos esteve em destaque na reunião do executivo municipal de Abrantes, com vereadores da oposição a questionarem o balanço do projeto dos contentores castanhos, os tempos de resposta na recolha de resíduos volumosos e as medidas previstas para melhorar os serviços.

Biorresíduos: projeto será avaliado após três anos

O vereador do PSD João Morgado questionou o executivo sobre o projeto de recolha de biorresíduos através dos chamados contentores castanhos, implementado em janeiro de 2023 pelos Serviços Municipalizados.

O vereador recordou que o projeto representou um investimento de cerca de meio milhão de euros, a que acresceu um investimento superior a 300 mil euros numa viatura, e que começou por ser implementado nas freguesias de Abrantes e Alferrarede, Tramagal e Pego, com o objetivo de posteriormente ser alargado a todo o concelho.

João Morgado quis saber qual é o balanço feito ao fim de cerca de três anos, se o sistema atingiu os resultados esperados, que melhorias serão necessárias e em que ponto está previsto o alargamento da recolha de biorresíduos às restantes freguesias.

 

Na resposta, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, reconheceu que a recolha de biorresíduos ainda enfrenta dificuldades e que os resultados não são tão eficazes quanto o desejado.

O autarca explicou que o município está atualmente a analisar comportamentos, atitudes e formas de utilização do sistema, tendo em vista perceber como melhorar a recolha e a separação dos resíduos.

“Infelizmente, não é tão eficaz como todos nós desejávamos”, afirmou.

Manuel Jorge Valamatos destacou a dificuldade provocada pela contaminação dos contentores. Segundo explicou, basta que um utilizador deposite um resíduo que não corresponde aos biorresíduos para comprometer o conteúdo do contentor e impedir o seu aproveitamento.

O presidente da Câmara sublinhou ainda que existem diferenças significativas entre os comportamentos das populações das zonas mais urbanas e das zonas rurais, considerando que fatores culturais e sociais influenciam a forma como os biorresíduos são separados.

Apesar das dificuldades, Manuel Jorge Valamatos considera que a recolha seletiva de biorresíduos será inevitável e terá de assumir um peso cada vez maior na gestão dos resíduos.

O autarca adiantou que o município irá apresentar em breve os resultados do trabalho de análise que está a ser desenvolvido.

Recolha de monos está a ter “resposta menos eficaz”

A recolha de monos e resíduos volumosos foi outro dos temas levantados pelos vereadores.

A vereadora do PSD Ana Oliveira questionou o presidente da Câmara sobre uma publicação feita pelo próprio autarca relativamente à deposição ilegal de monos na via pública.

Ana Oliveira considerou que é necessário responsabilizar quem deposita resíduos ilegalmente, mas defendeu também a necessidade de esclarecer a população sobre as regras do serviço de recolha e sobre eventuais dificuldades que estejam a verificar-se na resposta aos pedidos.

A vereadora referiu ter recebido relatos de munícipes que dizem ter solicitado a recolha, mas que aguardaram pela sua realização, questionando o que pode ser feito para melhorar o serviço.

 

Também o vereador do Chega, Nuno Serras, abordou a questão, perguntando se o município tem conhecimento de pedidos que aguardam várias semanas e qual é atualmente o tempo médio entre o pedido e a recolha efetiva.

O vereador questionou ainda quantos pedidos estão pendentes, se existe um plano para reforçar o serviço e que soluções existem para situações urgentes em que os munícipes não podem esperar várias semanas.

Município está a contratar serviços externos

 

Manuel Jorge Valamatos reconheceu que, neste momento, a resposta à recolha de monos “não está a ser tão eficaz como nós desejávamos”.

O presidente revelou que o município está a contratar serviços externos para reforçar a capacidade existente.

Atualmente, segundo o autarca, existem duas equipas municipais, com dois camiões — um de maior dimensão e outro mais pequeno — dedicadas diariamente à recolha de monos.

O problema, explicou, resulta sobretudo do elevado número de pedidos e da dimensão de algumas recolhas.

Manuel Jorge Valamatos deu como exemplo situações em que os serviços municipais são chamados para retirar grandes quantidades de objetos acumulados durante anos em armazéns ou habitações.

O presidente afirmou que o município poderia ter optado por limitar o serviço, como acontece noutros municípios, por exemplo, à recolha de um colchão, um sofá ou um número reduzido de objetos. No entanto, Abrantes tem mantido uma política de recolha mais abrangente.

“Nós não restringimos, nós estamos a ir buscar tudo”, afirmou.

O autarca revelou que os serviços podem receber cerca de 30 pedidos de recolha num único dia, provenientes de diferentes pontos do concelho.

Manuel Jorge Valamatos sublinhou que a elevada procura demonstra que os munícipes estão a utilizar o serviço e, dessa forma, evitam em muitos casos a deposição ilegal de resíduos junto aos contentores ou em espaços florestais.

Contudo, reconheceu que a capacidade de resposta não permite satisfazer todos os pedidos de imediato.

O presidente apelou, por isso, à compreensão dos munícipes e a uma utilização responsável do serviço, defendendo que também deve existir “parcimónia” e sentido de cidadania.

Nas situações em que existe uma necessidade mais urgente, Manuel Jorge Valamatos lembrou que os resíduos podem ser entregues no Ecoponto/Ecocentro, que se encontra disponível para esse efeito.

O autarca admitiu ainda que o município está a estudar soluções para melhorar a resposta fora dos atuais circuitos, incluindo a possibilidade de criar zonas de transferência de resíduos, embora reconheça que a criação de ecocentros em cada freguesia envolve exigências legais e técnicas significativas.

“Nós estamos a trabalhar nisso”, garantiu.

O município pretende, assim, reforçar a capacidade de recolha de monos através da contratação de serviços externos e, paralelamente, estudar novas soluções que permitam responder ao aumento da procura e reduzir os tempos de espera.

 

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