O Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) defendeu hoje uma resposta transversal que integre as políticas sanitárias e ambientais, sublinhando que as duas áreas ignoram-se mutuamente há “demasiado tempo”.
Na data em que se assinala o Dia Mundial do Ambiente, o CPSA voltou a alertar para o impacto na saúde do aumento das temperaturas, das ondas de calor, dos incêndios, da subida do nível do mar, da poluição atmosférica e maior frequência de fenómenos climáticos extremos.
Sublinhando a estreita relação entre saúde e ambiente, o conselho defendeu a necessidade de uma resposta integrada capaz de aproximar as duas áreas no âmbito das políticas públicas.
“Durante demasiado tempo, as políticas ambientais ignoraram a saúde e as políticas de saúde ignoraram o ambiente”, lamenta o presidente do CPSA, citado em comunicado, sublinhando que a emergência climática é também uma emergência de saúde pública.
Além do impacto de fatores ambientais em doenças cardiovasculares, e cerebrovasculares, doenças respiratórias crónicas, alergias e o cancro, o CPSA alerta também para o aumento de doenças transmitidas por vetores, a degradação da qualidade da água e dos alimentos e os efeitos diretores das catástrofes, consequências de que Portugal não está protegido.
“Segundo estimativas do Instituto Nacional de Saúde, as ondas de calor estiveram associadas a um excesso de 2.300 mortes em 2025”, refere, a título de exemplo.
Por outro lado, apontam também o papel do setor da saúde nas alterações climáticas, responsável por cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa e fonte de produção de resíduos.
O conselho defende, por isso, medidas que permitam reduzir a pegada ambiental do setor, preparar os serviços de saúde para eventos extremos e promover práticas mais sustentáveis.
Quanto à resposta às duas emergências referidas pelo CPSA – climática e de saúde pública – propõem a criação de uma estrutura de governação transversal, capaz de integrar saúde e ambiente nas diferentes áreas de decisão política.
“Este é um desafio que ultrapassa ministérios, setores e ciclos políticos, exigindo respostas coordenadas, multissetoriais e sustentadas”, refere o comunicado.
No Dia Mundial do Ambiente, o CPSA apela também à rápida implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas, proposto pelo Brasil na conferência das Nações Unidas para o clima (COP30) e já assinado por mais de 60 países, incluindo Portugal.
Lusa