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CRÓNICA: «Arquimedes e o seu “Eureka"» por Luís Barbosa

2020-08-17
Luis Barbosa
Luis Barbosa

SALPICOS DE CULTURA....

 

Arquimedes e o seu “Eureka”

 


Fiel à linha editorial, procuro sempre que o que seja dito e escrito, ajude a que o tempo das nossas vidas decorra de forma por ventura menos tensa. Sei que o momento é ingrato para que se possa cumprir com este propósito. Porém, penso que vale a pena tenar.

Hoje lembrei-me de trazer à nossa conversa algumas particularidades que se contam sobre um homem cujo nome, sendo bem conhecido de muitos é, talvez, apenas lembrado por dele se ter aprendido na escola um princípio que, depois de sabido, se repete ao longo da vida muitas vezes, mas não raro apenas para amenizar conversas de amigos. Estou a falar de Arquimedes e do que nas aulas de física se trauteia dizendo que “todo o corpo mergulhado num fluido sofre, da parte deste, uma impulsão vertical, de baixo para cima, igual ao volume do fluido deslocado”.

Pois bem, foi por volta dos meus catorze anos que aprendi este princípio. Acontece que, ao longo da minha vida académica e profissional, de Arquimedes, pouco mais vim a saber, embora tenha tido conhecimento que entre outras coisas, era a ele que se atribuía a expressão “Eureka!” (achei), dita quando, um dia, ao saltar do banho, chegara à conclusão que certos ourives tinham enganado o seu parente rei Gelão de Siracusa, já que na coroa real tinham colocado prata e não ouro.


Foi um pouco mais tarde que vim a perceber a relação estreita entre o princípio anterior e esta última descoberta. É que tendo Arquimedes descoberto as leis da flutuação dos corpos e do deslocamento dos líquidos, estava em condições de poder comprovar a falcatrua dos ourives.


Porém, a vida é mesmo um andar desfazendo um novelo que pouco a pouco nos permite entrar em contacto com particularidades que, não raro, nos deixam surpreendidos. Foi o que aconteceu quando, numa das muitas visitas que faço a livrarias, entrei numa, num dia diga-se em que a intenção não era a de gastar dinheiro comprando livros, e ao olhar para um escaparate, verifiquei que o vendedor tinha colocado, em posição de destaque, uma obra que falava de Arquimedes.

Peguei nela com a intenção de lhe dar uma rápida vista de olhos. Contudo, o meu olhar sobre o livro transformou-se num ler mais intencional. É que, logo nas primeiras folhas o autor, trazendo à superfície uma pequena biografia do físico, deixava expresso um conjunto de informações sobre o envolvimento de Arquimedes nas coisas da sua sociedade. Retive as informações com cuidado.

O ganho foi significativo. Se não, vejamos. Fiquei a saber que o físico tinha inventado espelhos chamados “combustórios” que serviram para incendiar as naves que transportavam os romanos aquando do assalto a Siracusa, que foi de sua autoria a invenção das chamadas catapultas de curto e longo alcance que sobre as referidas naves lançavam pedras e que ainda saiu da sua mente a construção de gruas que, munidas de ganchos de ferro, não só viravam as naves mas também as rebocavam para terra.

Mas, atenção, porque de Arquimedes não temos só estas invenções mais ligadas às coisas da guerra. A invenção de torniquetes hidráulicos para regar e extrair água das minas é-lhe também atribuída.


Despeço-me com amizade,


Luís Barbosa*


*Investigador em psicologia e ciências da educação
SALPICOS DE CULTURA, uma parceria com a Associação Internacional de Estudos Sobre a Mente e o Pensamento (AIEMP)

2020-08-17