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Abrantes: ESG Agrifood apresentado para capacitar PME da fileira agroalimentar

13/03/2026 às 12:36

O Projeto ESG Agrifood foi oficialmente apresentado no dia 5 de março, numa sessão de lançamento que teve lugar no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes.

A iniciativa tem como objetivo promover a integração dos princípios ESG (Environmental, Social and Governance) no setor agrícola e agroalimentar, incentivando práticas mais sustentáveis, responsáveis e colaborativas ao longo de toda a cadeia de valor.

A sessão teve início com uma intervenção do presidente do Tagusvalley, Manuel Jorge Valamatos, que disse que o momento é “importante, não apenas para as entidades promotoras, mas para toda a fileira agroalimentar da nossa região e do país”. O também presidente da Câmara de Abrantes afirmou que “hoje não lançamos apenas um projeto, lançamos o que pode ser uma agenda de transformação”.

“Apesar de toda a inconstância mundial atual, o contexto é claro para todos nós: o ESG deixou de ser uma tendência. É uma condição de acesso ao mercado, ao financiamento e à competitividade. As empresas que não integrarem práticas ambientais, sociais e de boa governança arriscam perder oportunidades, clientes e relevância”, disse.

Por outro lado, acrescentou Manuel Jorge Valamatos, “nós preferimos olhar para o ESG não como uma obrigação, mas como uma oportunidade. Oportunidade para modernizar processos. Oportunidade para reduzir riscos e custos de conformidade. Oportunidade para aceder a financiamento verde. E, sobretudo, oportunidade para diferenciar a produção agroalimentar portuguesa pela qualidade, responsabilidade e valor acrescentado. É precisamente isso que este projeto pretende fazer”.

Para que isso aconteça, “ao longo dos próximos dois anos, vamos sensibilizar, diagnosticar, capacitar e apoiar as PME da fileira com instrumentos muito concretos: guias regulatórios, mapeamento de riscos ESG por território e fileira, uma plataforma digital de autodiagnóstico, ferramentas de reporte, formação online, workshops e guias de boas práticas. Ferramentas simples, práticas e aplicáveis no dia a dia das empresas”. O objetivo é claro, afirmou o presidente do Tagusvalley: “aumentar a maturidade ESG do setor, reforçar a sua competitividade e preparar as nossas empresas para integrarem cadeias de valor, nacionais e internacionais, cada vez mais exigentes”.

Manuel Jorge Valamatos assegurou que “este compromisso está totalmente alinhado com a missão da Tagusvalley enquanto estrutura de interface entre conhecimento, tecnologia e empresas. Trabalhamos diariamente para apoiar a transição verde e digital das PME, promover inovação, qualificação e criar condições para que o território seja mais resiliente e mais competitivo”. E disse que a equipa acredita “que a sustentabilidade não é um custo adicional. É um fator estratégico de crescimento económico. E acreditamos também que esta transformação só se faz em rede e cooperação. Com os agricultores, com as empresas, com as associações, com a academia, com os grandes grupos da distribuição, com as entidades públicas. Só assim conseguimos passar da intenção à prática”.

Por isso, este projeto é, acima de tudo, um convite. “Um convite às empresas para participarem ativamente, testarem as ferramentas, capacitarem as suas equipas e assumirem uma posição proativa. Um convite aos parceiros para continuarem a colaborar connosco. E um convite ao setor para encarar o ESG não como imposição externa, mas como um caminho de valorização coletiva”.

O presidente da Direção do Tagusvalley concluiu a dizer que “se conseguirmos que as nossas PME estejam mais preparadas, mais eficientes e mais sustentáveis, estaremos a fortalecer toda a fileira agroalimentar e, com ela, o desenvolvimento económico e social do nosso território. Queremos, juntos, contribuir para a construção de um setor agroalimentar mais sustentável, mais competitivo e mais preparado para o futuro”.

 

O Projeto ESG Agrifood

O ESG Agrifood tem como principal objetivo reforçar a competitividade, resiliência e sustentabilidade das PME agroalimentares, capacitando-as para responder às exigências crescentes dos mercados, da regulação e do acesso a financiamento. São objetivos específicos do projeto “sensibilizar a fileira agroalimentar para a importância estratégica da sustentabilidade e da promoção dos pilares ESG; aumentar a literacia empresarial em sustentabilidade; disponibilizar ferramentas práticas e digitais adaptadas às PME; apoiar a preparação para requisitos regulatórios e de reporte; facilitar o acesso a financiamento verde e sustentável; promover e comunicar boas práticas e efeito demonstrador no setor”.

Este projeto surge porque a fileira agroalimentar “enfrenta hoje desafios estruturais inevitáveis”, como a pressão crescente da regulação e dos mercados, as exigências ESG impostas ao longo das cadeias de valor, os critérios de sustentabilidade no acesso a financiamento e seguros, a vulnerabilidade das PME à escassez de recursos, alterações climáticas e riscos sociais e ainda a falta de ferramentas simples, setoriais e acessíveis. O Projeto ESG Agrifood “nasce para traduzir estes desafios em questões práticas, acessíveis e adaptadas à realidade das PME do setor agroalimentar”.

Quanto às atividades a realizar, passam pelo conhecimento e diagnóstico, pela capacitação, financiamento sustentável e disseminação e promoção.

Destina-se a PME agrícolas e agroindustriais, cooperativas e organizações da fileira, técnicos, gestores e decisores do setor agroalimentar e entidades públicas e stakeholders da cadeia de valor.

O projeto teve início a 1 de janeiro de 2026 e tem como período de implementação o 31 de dezembro de 2027.

No final, espera-se ter “PME’s mais preparadas para exigências EG e regulatórias, aumento da competitividade e acesso a mercados, melhor posicionamento no acesso a financiamento, redução de riscos ambientais, sociais e de governança, disseminação de boas práticas e efeito multiplicador e valorização da fileira agroalimentar e do território”.

A sessão de apresentação incluiu ainda uma intervenção dedicada ao tema “ESG: desafios, oportunidades e o valor da colaboração em toda a cadeia”, a cargo de Ana Rovisco, diretora de Sustentabilidade e Reporting, e Fernando Ventura, diretor corporativo de Ambiente do Grupo Jerónimo Martins, que partilharam a visão e a experiência de um dos maiores grupos nacionais, com enorme experiência nas áreas da sustentabilidade e responsabilidade corporativa e grande conhecimento das pressões regulatórias e de mercado.

Encerrou a sessão o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra.

O Projeto ESG Agrifood é cofinanciado pelo Compete 2030 no âmbito do Portugal 2030 e pretende sensibilizar e capacitar agricultores e empresas do setor agroalimentar na adoção de boas práticas ESG, reforçando a competitividade e a criação de valor sustentável. Tem como entidades promotoras, e parceiras nesta iniciativa, o Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia e a Associação de Agricultores do Ribatejo.

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