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# Gestão eficiente de frotas: o desafio operacional das empresas portuguesas em 2026

28/05/2026 às 08:56

O tecido empresarial português é dominado por pequenas e médias empresas, e em qualquer negócio que dependa de deslocações transportadoras, distribuidoras, prestadores de assistência técnica, comerciais externos, a mobilidade deixou de ser apenas uma rubrica de despesa. Tornou-se uma das alavancas mais determinantes da rentabilidade. Saber onde estão os veículos, quem os conduz, como são utilizados e quanto custam por quilómetro é hoje informação tão estratégica quanto o pipeline comercial ou o cash flow.

Esta mudança de perspetiva não é cosmética. Reflete uma pressão real sobre os custos operacionais. Dados da Confederação Empresarial de Portugal mostram que mais de seis em cada dez empresas industriais e logísticas apontam o aumento dos custos de mobilidade como o principal fator de erosão das margens. Em 2026, a previsão do Banco de Portugal aponta para um agravamento adicional de 4% a 6% nos custos operacionais das PME do sector da logística, fruto sobretudo da carga fiscal sobre combustíveis e da inflação dos serviços associados.

O peso do combustível na conta de exploração

De todas as variáveis numa operação com frota, o combustível é a mais visível e, frequentemente, a menos controlada. Uma transportadora nacional típica com cem camiões viu o orçamento de abastecimento subir de cerca de 190.000 € para 220.000 € apenas no primeiro semestre deste ano ,quase 16% de acréscimo. Para uma empresa agrícola, o combustível pode representar entre 14% e 20% do custo total de produção. Em distribuição de última milha, é o item que decide se a margem por entrega existe ou não.

A resposta a este problema combina três frentes. Primeiro, a centralização das compras através de cartões de combustível, que eliminam adiantamentos em dinheiro aos condutores, geram faturação única para efeitos de IVA e produzem relatórios detalhados por veículo e por matrícula. Soluções como as oferecidas pela Radius permitem precisamente esse controlo em rede multimarca, agregando abastecimentos em postos diferentes numa única plataforma. Segundo, a formação dos condutores em condução defensiva e eficiente segundo o Automóvel Club de Portugal, uma condução adequada pode reduzir consumos em vários pontos percentuais. Terceiro, a integração dos dados de abastecimento com os dados de localização GPS, para identificar consumos anómalos, desvios de rota ou paragens prolongadas que escapam ao olho humano.

Telemática e decisão baseada em dados

A digitalização da frota é o passo que separa empresas que reagem aos custos das que os antecipam. Plataformas de telemática modernas permitem cruzar comportamento de condução, manutenção preventiva, planeamento de rotas e consumos energéticos num único painel. O retorno não está em qualquer indicador isolado, mas no efeito composto: menos quilómetros mortos, menos desgaste prematuro, menos sinistros, menor prémio de seguro.

A transição energética acrescenta uma camada adicional de complexidade e de oportunidade. Segundo a Associação do Comércio Automóvel de Portugal, em 2025 cerca de 23% dos veículos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal eram já elétricos, com o peso a ultrapassar 26% no último trimestre. Para frotas empresariais, um estudo da EY e da Eurelectric estima poupanças europeias entre 130 e 140 mil milhões de euros em combustível até 2030 com a eletrificação. A decisão, contudo, exige análise rigorosa do custo total de propriedade, da infraestrutura de carregamento disponível e dos perfis de utilização reais.

A conclusão é simples de enunciar e exigente de executar: gerir uma frota em 2026 é, antes de tudo, gerir informação. Quem tratar mobilidade como dado, e não como despesa, terá vantagem competitiva mensurável.

 

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