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Abrantes: Pedido de informação para construção de mais um Data Center foi aprovado

27/05/2026 às 11:52

É provável que mais um Centro de Dados (Data Center) possa estar a caminho do concelho de Abrantes. Desta vez, trata-se de um investimento da Hyperion II Renewables Services.

A Hyperion II Renewables Services viu ser dada pronúncia favorável sobre o pedido de informação prévia acerca da possibilidade de instalação de um conjunto de edifícios de serviço destinados, em concreto, a um Centro de Dados. A avançar, será instalado nos terrenos “junto à rotunda de Alvega”, numa área de 15 hectares.

Para já, trata-se apenas de um pedido de construção urbanístico e como explicou o presidente da Câmara de Abrantes, “o projeto não foi apresentado, esse não é o momento. Aquilo que trouxemos hoje à reunião de câmara trata-se de um PIP, que é um Pedido de Informação Prévia, que pretende, no fundo, auscultar o município e um conjunto de entidades diversas de gestão do território, sobre a possibilidade de se instalarem naquela zona”.

À margem da reunião do Executivo Municipal de dia 26 de maio, Manuel Jorge Valamatos acrescentou que haverá “intenção da construção de um grande edifício e de um grande investimento”. Reforçou que “não estamos aqui a aprovar esse investimento, estamos apenas a dizer que, do ponto de vista urbanístico, é possível aquele espaço servir para a sua implementação”. Trata-se de um terreno de 15 hectares e agora “vamos esperar que este projeto possa seguir o seu caminho e, em tempo oportuno, se vier a acontecer, será apresentado publicamente”.

A 24 de setembro de 2025, a Antena Livre tinha já a informação, enviada pela assessoria de imprensa do Gabinete do ministro Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, de que “foi submetida uma candidatura a reconhecimento de PIN para o projeto Data Centre Abrantes, que tem como promotor Hyperion II Renewables Services, tendo sido solicitados elementos instrutórios adicionais. Até ao momento, não foi rececionada resposta do promotor, pelo que não foi ainda atribuído o estatuo PIN ao projeto promovido pela Hyperion”.

Agora, o investimento já possui o estatuto PIN (Projeto de Interesse Nacional) e Manuel Jorge Valamatos revelou que “na emissão de parecer de interesse nacional, obviamente, o município foi auscultado, e fez parte dessa comissão de avaliação de interesse nacional. Era por isso que nós sabíamos, mas o projeto nunca nos foi apresentado de forma concreta”.

Na reunião de Câmara, o vereador João Gomes, adiantou mais informações acerca do projeto e lembrou que, para o PIP (Pedido de Informação Prévia), foram consultadas diversas entidades, “como é obrigatório”, e neste caso, tiveram pareceres da E-REDES, da ANACOM, da DGEG, da Infraestruturas de Portugal, da REN, da Agência Portuguesa do Ambiente, do ICNF, da União de Freguesias de Alvega e Concavada, dos Serviços Municipalizados - depois com a Abrantáqua como concessionária -, serviço de proteção civil e a CCDR, “a entidade coordenadora que dá a resposta final com todas as informações dos parceiros de todas as entidades”.

Para já, “foi um parecer favorável condicionado, porque, por exemplo, da Agência Portuguesa do Ambiente, está condicionado a que seja entregue no final, e se este processo for para licenciamento, que é o processo seguinte, ao estudo de impacte ambiental”.

Por outro lado, esclareceu João Gomes, “nós solicitámos novamente a CCDR, porque o nosso PDM atual, diz que nós podemos localizar este tipo de infraestruturas ou outras, que não se possam localizar dentro de zonas industriais pura e duras, devido à dimensão, e aqui é por causa da dimensão e da proximidade do posto de corte, (…) quisemos perguntar à CCDR e até ao departamento jurídico da CCDR, se o nosso entendimento da Câmara era devidamente justificável, e seguro. Mas foi mais uma questão de segurança, porque a própria CCDR, no projeto PIN, não deu parecer favorável, mas também não deu desfavorável e, normalmente, quando não há pronúncia desfavorável, é porque é favorável”.

O vereador informou depois que “estamos a falar de uma área total da parcela que tem mais de um milhão de metros quadrados, temos aqui a falar de 151 mil metros quadrados de área de implantação, e de área de construção estamos a falar à volta de 287 mil metros quadrados”. Contudo, também João Gomes relembrou que “neste momento, não é um projeto com arquitetura e especialidades, é só um pedido de informação prévia e tem as volumetrias”.

Data Center da EDC Port 1 também é PIN

Já no que diz respeito ao projeto da EDC One, empresa promotora do primeiro datacenter anunciado para instalar em Abrantes, nos terrenos onde começou a ser construída a RPP Solar, Manuel Jorge Valamatos informou que “o processo está a andar e a desenvolver. Aliás, já é hoje um Projeto de Interesse Nacional, sabemos que os promotores estão muito empenhados em desenvolver, e, no fundo, a desencadear contactos e relações aos mais diferentes níveis para a sua implementação. Sabemos também que, de acordo com os promotores, que há uma intenção da sua efetivação ser o mais rápido possível, e estamos a acompanhar o processo. Temos confiança que é um projeto de grande impacto económico para o nosso conselho e para toda a região, e esperamos que ele se desenvolva de forma rápida”.

A pedra de toque para que surjam estes investimentos, prende-se com o ponto de injeção na rede, na Central do Pego. É este facto que “que promove e incentiva todos estes investimentos. O ponto de injeção é estratégico, e é absolutamente relevante no contexto da implementação de projetos, quer para quem consome energia, quer para quem produz energia, e é por isso que o nosso território é seguramente um território de futuro, desse ponto de vista, e queremos acreditar que são vários os investimentos apetecíveis para o nosso concelho e para a nossa região”, assegurou o presidente da Câmara. Quanto a mais-valias para o concelho, o autarca falou na “criação de muitas centenas de postos de trabalho, como é evidente, e obviamente a riqueza que estas empresas constituem para o território com os benefícios fiscais, naturalmente, e as contribuições que deixam em todo o nosso concelho e na nossa região”.

 

A Gigafábrica e a redundância no Pego

Relativamente à notícia da passada semana na imprensa económica especializada, sobre o facto da Gigafábrica de Sines não ir ter redundância no Pego, Manuel Jorge Valamatos explicou que são processos diferentes e que nada tem a ver com os centros de dados previstos. “Eu julgo que houve aí alguma confusão de sobreposição de projetos”, disse. Garantiu que “não estamos nos bastidores dos seus promotores, não conhecemos todos os níveis de relacionamento, mas entendemos que, porventura, estivemos a falar de projetos diferentes e de intenções diferentes. Nós também fomos apanhados pela comunicação social relativamente a essas informações, mas nós nunca estabelecemos nenhuma ligação direta entre essa estrutura de redundância de Sines com o projeto da EDC One, não havia ligação direta, mas, como digo, compete aos promotores responderem melhor sobre essas matérias”.

 

Novo leilão

Depois de mais um adiamento para o concurso do remanescente do ponto de injeção da central do Pego, o presidente da Câmara de Abrantes disse que irá em breve reunir com a ministra da Energia e esse será um dos temas a abordar. “Temos agendada uma reunião com a senhora ministra e com a secretaria de Estado da Energia, para os próximos dias, tendo em vista, precisamente, consolidar e definir um conjunto de estratégias e de soluções. E um dos assuntos que está, seguramente, nessa agenda de trabalho tem a ver, de facto, com o concurso para o remanescente do ponto de injeção para quem produz energia”.

Para além do projeto da Endesa, “de 700 milhões de euros que está a ser investido já e continuará a ser investido no território, queremos crer que o remanescente da capacidade do ponto de injeção vai permitir outros investimentos com estas dimensões financeiras que são importantes para o território”.

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