O programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”, que visa garantir maior proteção às populações em caso de incêndio, abrange atualmente 2.410 localidades em todo o país, disse hoje o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
José Manuel Moura falava aos jornalistas, em Vila Real, à margem do Fénix 2026, um exercício nacional que envolveu 300 operacionais e teve como objetivo testar a resposta a incêndios rurais.
A iniciativa da Proteção Civil incluiu um exercício em Sequeiros, a primeira aldeia do concelho de Vila Real a integrar o programa nacional “Aldeia Segura, Pessoas Seguras” que abrange, em todo o país, 2.410 localidades.
O responsável adiantou ainda que, no âmbito deste programa, há 2.034 oficiais de ligação, 1.966 refúgios e foram realizados 704 exercícios de evacuação 1.059 ações de sensibilização.
Em Sequeiros, onde residem 11 pessoas, simulou-se esta manhã uma situação de incêndio, em que os habitantes da aldeia se reuniram no largo da aldeia, por iniciativa do oficial de segurança que, através de um megafone, fez soar a sirene.
Dali, os residentes foram retirados em viaturas da junta de freguesia para um local seguro, neste caso, o santuário da Senhora da Pena.
José Manuel Moura disse que nem sempre a evacuação é o melhor caminho e que há situações em que o confinamento “pode concorrer para uma segurança mais capaz”.
Pelo que realçou que cabe ao comandante das operações no local determinar qual a melhor solução, em cada caso concreto.
“É uma situação que carece de uma avaliação ao momento e não é uma coisa que fique escrita numa matriz e que tem que se evacuar toda a gente”, referiu.
O presidente da ANEPC realçou a importância deste programa para ajudar a garantir maior proteção à população em caso de incêndio e disse que é do interesse da Proteção Civil incentivar, mas que a iniciativa parte das câmaras e juntas.
José Manuel Moura - Presidente ANEPC
O exercício Fénix inclui ainda uma demonstração das capacidades no âmbito do ataque inicial e ampliado aos incêndios, quis testar as equipas de posto de comando e está enquadrado na apresentação do dispositivo operacional nacional para 2026.
“Na diretiva operacional nacional há um reforço de meios objetivamente. Temos mais equipas, mais meios, mais viaturas, mais meios aéreos”, referiu José Manuel Moura, que advertiu que, em caso de incêndios, há outras variáveis a ter em conta, como a meteorologia.
O Fénix é um exercício anual da ANEPC que este ano decorreu em Vila Real também por causa do grande incêndio que teve início em Sirarelhos que, no verão de 2025, atingiu este concelho.
Questionado sobre se o país está preparado para um verão que se perspetiva difícil, José Manuel Moura respondeu: “Tudo fizemos para que a preparação seja o melhor possível. Este exercício é a prova disso”.
Acrescentou que se está sempre à procura de “encontrar as melhores soluções para que a estrutura operacional, a cada momento, esteja com os instrumentos necessários para fazer face a um ano que tem variáveis que podem ser difíceis”.
O presidente da ANEPC disse ainda que há, este ano, uma particular atenção com a zona centro, abalroada pela tempestade Kristin, mas realçou que não se pode “perder de vista o resto do país”.
“Temos de estar preparados para qualquer situação, em qualquer lado do nosso território”, salientou.
Os números e a região do Médio Tejo

2410 - Aglomerados Envolvidos
2255 - Aglomerados com Oficial de Segurança Local
1040 - Planos de Evacuação
704 - Simulacros
1556 -Locais de Abrigo
1552 - Locais de Refúgio
O Médio Tejo tem, no total de nove dos seus 11 municípios 196 projetos Aldeia Segura: Abrantes tem 22; Alcanena 25, Constância 8, Ferreira do Zêzere 13, Ourém 50, Sardoal 40, Tomar 25 e Torres Novas 8. Apenas Entroncamento e Vila Nova da Barquinha não têm projetos. No entanto em Vila Nova da Barquinha estão a ser estudados alguns aglomerados para implementar o projeto Aldeia Segura Pessoas Seguras.
Abrantes tem projetos em Água das Casas, Alagoa, Arneirinho, Bioucas, Carregal, Carril, Casal do Rei, Conheira, Entre Serras, Giesteira, Lercas, Matagosa, Matagosinha, Maxial, Maxial do Além, Maxieira, Medroa, Perofarinha, Ribeira da Brunheta, Sentieiras, Sobral de Basto e Vale de Açor.
Sardoal apresenta projetos implementados nas quatro freguesias nas localidades de Andreus, Brescovo, Cabeça das Mós, Casal dos Pombos, Casal Pedro da Maia, Casal Velho, Casos Novos, Chã Grande, Cimo dos Ribeiros, Codes, Entrevinhas, Fontelas, Lameiras (Alcaravela), Lameiras (Santiago Montalegre), Lobata, Lomba, Mivaqueiro, Mogão Cimeiro, Mogão Fundeiro, Montalegre, Monte Cimeiro, Palhota, Panascos, Pisão, Portela da Selada, presa, Salgueira, Santa Clara, São Domingos, S. Simão, Saramaga, Serro, Tojalinho, Tojeira, Vale das Onegas, Vale Formoso, Valhascos, Venda e Venda Nova.
Em Constância são oito: Constância, Constância Sul, Malpique, Montalvo, Pereira, Portela, Santa Margarida, Coutada e Vale de Mestre.
Em Mação existem sete: de Eiras, Casalinho, Casas da Ribeira, Castelo, Chão de Lopes, Pereiro e Serra.
Vila de Rei, que pertence à Beira Baixa, tanto no que diz respeito à Comunidade Intermunicipal como ao comando subregional da Proteção Civil, aponta seis projetos em Aivado, Borda da Ribeira, Brejo Fundeiro, Estevais, São João do Peso e Vilar do Ruivo.