A GNR registou 797 ocorrências associadas à criminalidade juvenil no primeiro semestre deste ano, mais 11,6% do que no mesmo período de 2025. Apesar do aumento global, a criminalidade violenta e grave praticada por jovens caiu 44%.
Os dados da Guarda, relativos a condutas associadas a jovens até aos 16 anos, mostram uma alteração no tipo de criminalidade, com alguns dos conflitos a transferirem-se para o espaço digital.
O maior crescimento foi registado nos casos de devassa através da Internet, redes sociais e outros meios de difusão, que passaram de cinco para 13 ocorrências. Um aumento de 160% que, segundo a GNR, evidencia a crescente projeção do ciberbullying.
Apesar desta evolução, os crimes mais frequentes continuam a ser as ofensas à integridade física simples, com 212 participações, menos 19,7% do que no primeiro semestre do ano passado. Seguem-se as ameaças e coação, com 76 casos, também em queda, neste caso de 8,4%.
Em sentido contrário, aumentaram outros tipos de criminalidade. A GNR contabilizou 29 furtos em estabelecimentos comerciais, mais 26,1%, e 27 casos de condução sem habilitação legal, um crescimento de 50%.
O tráfico de estupefacientes entre jovens até aos 16 anos registou igualmente uma subida: passou de sete para dez ocorrências, o equivalente a um aumento de 42,9%.
Apesar de a criminalidade juvenil global ter passado de 714 para 797 participações, os casos considerados violentos e graves seguiram a tendência contrária. Desceram de 25 para 14, menos 44%.
Para esta redução contribuiu a diminuição para metade dos roubos na via pública, de dez para cinco, e a queda das ofensas graves à integridade física, que passaram de quatro casos para apenas um.
No conjunto do primeiro semestre foram identificados pela GNR 1.398 suspeitos.
Os dados permitem também perceber quando ocorre grande parte destes episódios. A criminalidade juvenil concentra-se sobretudo nos dias úteis e durante a tarde, entre as 13 e as 18 horas, período que representa quase metade das ocorrências.
A Guarda relaciona esta concentração horária com as saídas das aulas, as deslocações de regresso a casa e os períodos de convívio nas imediações das escolas.
Setúbal foi o distrito com mais ocorrências, 142, seguindo-se Faro, com 98, Lisboa, com 96, e Porto, com 79.
Perante o aumento global da criminalidade juvenil e, em particular, dos comportamentos no espaço digital, a GNR diz estar a reforçar a prevenção através do Programa Escola Segura, com maior presença junto dos estabelecimentos de ensino, percursos pedonais e interfaces de transportes.
Estão igualmente previstas ações de sensibilização sobre segurança digital e combate ao ciberbullying, prevenção de comportamentos aditivos e responsabilização cívica e legal.
A atuação é desenvolvida em articulação com escolas, famílias e Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, procurando identificar e encaminhar precocemente situações de maior vulnerabilidade.