A humanidade gera anualmente entre 2,1 e 2,3 mil milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos mas sem ações urgentes pode chegar a 3,8 mil milhões em 2050, alerta a ONU a propósito do Dia Internacional do Lixo Zero.
O Dia Internacional do Lixo Zero assinala-se anualmente a 30 de março e foi instituído pela ONU para sensibilizar para a necessidade de as pessoas adotarem padrões de consumo sustentáveis, promovendo a reciclagem e a economia circular e reduzindo a produção de resíduos.
Foi proclamado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2022 e começou a ser celebrado em 2023, tendo este ano como tema o desperdício alimentar.
As Nações Unidas alertam que a poluição por resíduos é uma ameaça à saúde humana e que custa à economia global centenas de milhares de milhões de dólares todos os anos.
E ainda agrava a tripla crise planetária, das alterações climáticas, da natureza, perda de terras e biodiversidade, e a crise da poluição e dos resíduos.
A ONU considera o desperdício alimentar “um fator crítico, mas evitável, de danos ambientais”, e salienta que "o mundo está a desperdiçar alimentos a uma escala alarmante, comprometendo a segurança alimentar e atrasando o progresso para um futuro circular e com zero desperdício”.
Só em 2022, exemplifica, foram desperdiçados aproximadamente mil milhões de toneladas de alimentos, quase um quinto de todos os alimentos disponíveis para os consumidores.
A perda e o desperdício alimentar representam uma grande ameaça climática e ambiental, sendo responsáveis por até 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE), quase cinco vezes as emissões do setor da aviação e até 14% das emissões globais de metano.
Os quase 19% de todos os alimentos disponíveis para os consumidores e desperdiçados anualmente aceleram as emissões que contribuem para o aquecimento global e esgotam recursos valiosos como a terra, a água e a energia.
Em Portugal, dados oficiais indicam que os portugueses produzem 42 quilos de resíduos por mês, cerca de 500 quilos por ano.
Os últimos números divulgados pelo INE apontam que cada português desperdiça por ano 182,7 quilos de alimentos.
Em 2023 desperdiçaram-se em Portugal 1,9 milhões de toneladas de alimentos e os principais “culpados” foram as famílias, com 66,8% desse desperdício atribuído a elas.
O setor do comércio e distribuição foi responsável pelo desperdício de 12% do total, a restauração, hotelaria e similares por 11,5%, a produção primária por 6,8% e a indústria por 2,9%.
O Governo preparou uma Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (ENCDA 2025+), para reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030.
“Combater o desperdício alimentar está entre as soluções climáticas mais eficazes em termos de custos e facilmente implementáveis, alinhadas com abordagens de zero desperdício que priorizam a prevenção, a eficiência na utilização dos recursos e a mudança sistémica”, diz a ONU a propósito do dia internacional que se assinala na segunda-feira.
Lusa