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Abrantes: Passagem do IPT a Universidade Politécnica levanta dúvidas da oposição sobre atratividade da ESTA

10/08/2026 às 12:17

Na reunião de Câmara de Abrantes, realizada no dia 4 de agosto, o presidente Manuel Jorge Valamatos congratulou-se com o facto do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) ter passado a designar-se Universidade Politécnica de Tomar desde o dia 1 de agosto, depois de ter obtido a acreditação institucional máxima da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), um reconhecimento que abre um novo capítulo na história da instituição.

“É uma excelente notícia para Abrantes e para o Médio Tejo”, disse o presidente, realçando que se trata de uma “nova etapa que reforça o papel do ensino superior no desenvolvimento da nossa região e confirma a importância de continuarmos a investir na qualificação, no conhecimento, na inovação e na criação de novas oportunidades”.

Manuel Jorge Valamatos sublinhou que “em Abrantes, a construção da nova Escola Superior de Tecnologia, no Parque de Ciência e Tecnologia, é uma peça fundamental desta visão” e lembrou que “estamos a falar de um investimento de mais de oito milhões de euros, que permitirá criar um novo campus com capacidade para cerca de mil estudantes, reunindo as melhores condições de ensino, estudo, investigação, convívio e apoio académico”.

Por outro lado, realçou o autarca, “a este investimento junta-se também a nova residência de estudantes, com mais 55 camas para além das que já temos, que está atualmente em fase de conclusão e que será muito importante para reforçar a capacidade de atração de estudantes nacionais e internacionais”.

O presidente da Câmara de Abrantes concluiu a afirmar que “para Abrantes, este projeto representa mais jovens no nosso território, maior ligação às empresas, mais qualificação, mais inovação e melhores condições para fixar talentos. Queremos, de alguma forma, reforçar esta nossa proximidade e esta nossa ligação com o ensino superior e ver agora, desde o dia 1 de agosto, a nossa Escola Superior de Tecnologia integrar o ensino universitário politécnico é, para nós, um motivo de grande esperança e, simultaneamente, de grande orgulho, sobretudo pela estratégia que lançámos ao longo dos últimos anos”.

Na sua intervenção, o vereador João Morgado, começou por saudar a nova denominação de Universidade Politécnica e as mudanças que isso traz e lembrou que “os investimentos que estão a ser feitos pelo município, através de financiamento europeu, são significativos, mas que os números de investimentos, depois, não coincidem bem com aquilo que nós pretendemos”. O social-democrata referia-se à situação da redução de vagas na ESTA e recordou que “já em 2024, tinha 133 vagas nos vários cursos disponíveis, este ano já só tem 110, portanto, há aqui uma redução em dois anos, de 17% das vagas”.

O vereador questionou o presidente sobre como pensam inverter esta situação, “se é só pela fé de construir um novo campus, de construir uma residência e esperar que os alunos apareçam. Como a senhora vereadora [Raquel Olhicas] falou, e bem, que houve jovens que visitaram e querem vir para cá, mas depois é preciso perceber realmente se eles vieram, se isso se materializa e se a Câmara vai acompanhar essa vinda de alunos para cá, porque, de facto, fazer o investimento só por si não é sinónimo de conseguirmos que a escola tenha sucesso e o sucesso que todos nós pretendemos”.

João Morgado também insistiu nas “inúmeras vezes” que a vereadora Ana Oliveira (PSD) tem falado sobre este assunto, “e as respostas não têm sido bem aquelas que nós achávamos que eram importantes ser dadas. Já começamos a ficar com algum receio de que o senhor presidente fez o investimento, ou tratou, arranjou a forma de se fazer o investimento, mas não tem qualquer tipo de garantia que o investimento vai ser rentabilizado, que duplicamos as vagas e que vamos conseguir de facto ocupar as vagas que vamos ali criar”.

Para o vereador da oposição, “estamos a falar de dinheiro dos europeus, que merece o mesmo respeito que o dinheiro dos contribuintes abrantinos, porque todos nós pagamos impostos e o Estado utiliza os nossos impostos, esperamos nós, da melhor maneira. Portanto, é preciso que esse dinheiro seja escrutinado e que seja dito claramente que o investimento vai ser rentabilizado”.

A questão do vereador já não chegou a ter resposta por parte do presidente da Câmara de Abrantes. Certo é que o Politécnico de Tomar passou a Universidade Politécnica e há investimentos a ser feitos no concelho para melhorar significativamente as condições da Escola Superior de Tecnologia.

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