A Escola Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, vai assumir a coordenação da PLUS Band Médio Tejo, um novo projeto de formação e produção musical que envolve também os concelhos de Mação e Sardoal.
A iniciativa, apresentada no Dia Mundial da Música, tem financiamento assegurado para três anos e pretende acompanhar crianças e jovens desde o pré-escolar ao ensino secundário, utilizando a música como instrumento de aprendizagem, integração e ligação à comunidade.
O projeto foi apresentado no Agrupamento de Escolas n.º 1 de Abrantes, numa sessão que contou com a atuação da PLUS Band de Idanha-a-Nova, que realizou em Abrantes a sua primeira apresentação fora do concelho de origem.
A diretora do Agrupamento, Ana Maria Rico, explicou que a ideia começou a ser trabalhada há cerca de dois anos. Inicialmente pensada apenas para a escola, acabou por ganhar uma dimensão territorial, envolvendo Abrantes, Mação e Sardoal.
“Não queremos apenas ensinar música, queremos produzir cultura”, afirmou Ana Maria Rico, explicando que o projeto pretende proporcionar uma aprendizagem coletiva através de oficinas de sopros de madeira, metais e percussão.
A Escola Dr. Solano de Abreu será a escola de referência e o polo central da PLUS Band no Médio Tejo, assumindo a coordenação territorial e a articulação entre estabelecimentos de ensino, parceiros e comunidade. Entre as entidades envolvidas encontram-se também a Banda Filarmónica de Mouriscas e a Junta de Freguesia de Carvalhal.

José Miguel Rodrigues, professor responsável pelo projeto, e Ana Maria Rico diretora Agrupamento N.º 1 de Abrantes
Em entrevista à Antena Livre, Ana Maria Rico explicou que a intenção é criar uma banda seguindo uma metodologia semelhante à que já funciona em Idanha-a-Nova, baseada em oficinas artísticas e instrumentais.
O projeto permitirá adquirir instrumentos e assegurar professores e técnicos especializados. A diretora revelou que o financiamento está garantido durante três anos, embora já esteja a ser equacionada uma segunda candidatura que permita prolongar a iniciativa.
“Três anos é muito pouco”, reconheceu, defendendo a necessidade de garantir continuidade ao trabalho entretanto desenvolvido.
O investimento não será suportado diretamente por financiamento público. Segundo a apresentação realizada em Abrantes, o projeto é financiado através do mecanismo de autorização de residência por investimento, com contributos de investidores estrangeiros destinados à cultura nacional.
A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo terá um papel na operacionalização do projeto, depois de a iniciativa ter evoluído de uma proposta do Agrupamento de Escolas para uma ação envolvendo três municípios.
Ana Maria Rico destacou ainda o papel do maestro João Abrantes, ligado à experiência desenvolvida em Idanha-a-Nova, cujo modelo ajudou a estruturar a iniciativa do Médio Tejo.
O vereador da Câmara de Abrantes Luís Filipe Dias destacou, por seu lado, a importância da ligação entre escola, cultura e comunidade, salientando igualmente o papel das bandas filarmónicas do território.
Ana Maria Rico, diretora Agrupamento Escolas N.º1 de Abrantes

A PLUS Band pretende ir além da aprendizagem de um instrumento. Um dos objetivos é chegar a alunos que apresentam uma menor ligação à escola e procurar, através da música, reforçar o interesse pelo percurso educativo.
As oficinas poderão envolver não apenas professores e técnicos de música, mas também profissionais de outras áreas, incluindo a intervenção social.
Ana Maria Rico explicou à Antena Livre que a intenção é trabalhar dimensões cognitivas, emocionais e psicológicas e utilizar a música para ajudar os jovens a encontrarem novas formas de ligação à escola.
A seleção dos participantes deverá combinar inscrições voluntárias com a identificação, pelas próprias escolas, de alunos que possam beneficiar particularmente da iniciativa.
O objetivo final é que o projeto saia das escolas e chegue à comunidade, com apresentações em espaços públicos e uma relação próxima com as bandas filarmónicas, contribuindo também para a renovação destas coletividades.
“Queremos levar a música para os espaços públicos, criar novas oportunidades e contribuir para que as bandas filarmónicas se renovem, se fortaleçam e continuem a ser lugares vivos de encontro entre gerações”, resumiu Ana Maria Rico.
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