A associação ambientalista Zero considerou hoje que Portugal só vencerá a desertificação protegendo as pastagens e instou o Governo a fazer do combate à desertificação uma prioridade nacional.
“O combate à desertificação precisa de ser prioridade em Portugal, indissociável da política climática nacional”, disse a associação num comunicado a propósito do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, que se assinala na quarta-feira.
A efeméride, celebrada a 17 de junho desde 1995, quando foi proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU), destina-se a sensibilizar a população sobre a importância da cooperação internacional no combate à desertificação e efeitos da seca, que são essencialmente causa da ação humana.
Este ano sob o tema “Pastagens: Reconhecer. Respeita. Restaurar”, o dia procura valorizar o papel central das pastagens na resiliência climática, segurança alimentar e hídrica e conservação da biodiversidade e identidade das comunidades, quando metade das pastagens do mundo já está degradada.
O centro das ações para quarta-feira está de acordo com o tema proposto para 2026 pela ONU, Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores.
A ONU insta os países e comunidades a reconhecer e valorizar as pastagens e reconhecer os múltiplos benefícios que proporcionam, a respeitar os guardiões tradicionais das pastagens, pastores e povos indígenas e comunidades locais, e a restaurar as paisagens degradadas investindo na gestão sustentável da terra e da água.
No comunicado a Zero recordou que metade da superfície terrestre do Mundo e quase um quinto da área de Portugal Continental é ocupada por pastagens e destas áreas dependem economias locais e habitats de alto valor.
A associação alertou que o combate à desertificação depende do bom estado desses ecossistemas, ainda que as políticas que podiam contribuir para mitigar este fenómeno continuam secundarizadas e desarticuladas, “pondo em causa o futuro de grande parte dos territórios nacionais”.
Por isso, acrescentou a Zero, o atual processo de revisão do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) é “uma oportunidade ímpar de colocar a proteção dos solos e da biodiversidade no centro das políticas setoriais e de ordenamento territorial”.
Em Portugal as pastagens representam mais de metade da superfície agrícola utilizada, pelo que quaisquer esforços para travar a degradação dos solos terão de passar pelo cuidado com as pastagens e apoio a quem as gere. Como o combate à desertificação é indissociável da preservação e restauro das pastagens.
A associação nota que as alterações climáticas favorecem a degradação das terras (secas, chuvas de forte intensidade, ondas de calor), que por sua vez alimenta a mudança climática (solos e ecossistemas pobres, sequestram menos carbono e armazenam menos água), mas ainda assim “os instrumentos de política climática em Portugal estão amplamente omissos quanto ao combate à desertificação”.
Além de pedir que o Governo faça do combate à desertificação uma prioridade nacional a Zero pede que a revisão do PNCD resulte em instrumentos de política relevantes e que seja dotado de recursos adequados.
O Quénia acolhe a celebração global do Dia Mundial. A ONU salienta que as pastagens, ainda que cobrindo mais de metade da superfície terrestre do planeta, são um dos ecossistemas mais subvalorizados.
Enfrentam, disse, pressões crescentes decorrentes das alterações climáticas, da degradação dos solos e da competição por outros usos da terra.
Até metade de todas as pastagens já estão degradadas ou em risco, comprometendo a segurança alimentar e hídrica, a resiliência climática e os meios de subsistência rurais.