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Calor: ULS Médio Tejo eleva alerta para vermelho devido a temperaturas próximas dos 41 graus (c/áudio)

3/09/2026 às 11:05

A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo (ULS Médio Tejo) elevou de laranja para vermelho o alerta de saúde pública devido ao calor extremo, perante a subida acentuada das temperaturas prevista para esta sexta-feira e para sábado.

Paulo Luís, médico de Saúde Pública do Médio Tejo, explica que a decisão resulta do modelo de previsão desenvolvido pela Unidade de Saúde Pública, que conjuga temperaturas máximas e mínimas com outros fatores que permitem antecipar o impacto do calor na saúde.

Segundo o médico, em apenas 48 horas a média das temperaturas máximas nos municípios mais quentes da região passou de cerca de 29 graus para 40,88 graus, estando previstos valores superiores a 41 graus em alguns concelhos.

“Temos uma subida muito grande da temperatura máxima em 48 horas. Estávamos com um valor de 29 graus de média e estamos agora, nos oito municípios mais quentes do Médio Tejo, com uma média que deverá ser de 40,88, ou seja, perto de 41 graus.”

A situação é agravada pela previsão para sábado e pela subida das temperaturas mínimas. Paulo Luís antecipa “noites tropicais”, com mínimas superiores a 20 graus, fatores que, conjugados, justificam a passagem ao nível vermelho.

“Tudo conjugado configura uma situação de alerta vermelho para a saúde pública, porque haverá, se não forem tomadas medidas preventivas, impacto na saúde da população.”

Embora o alerta se destine a toda a população, a preocupação é maior com idosos, crianças, doentes crónicos e pessoas obrigadas a permanecer ou trabalhar no exterior. São também estes alguns dos grupos considerados mais vulneráveis nas recomendações da Unidade de Saúde Pública.

Paulo Luís chama especialmente a atenção para os idosos, uma vez que a sensação de sede diminui com a idade.

“A pessoa pode estar a desidratar, mas não tem sede. Depois podem aparecer sintomas como confusão e desorientação.”

Nos doentes crónicos, acrescenta, a desidratação pode contribuir para a descompensação das patologias. Por isso, é essencial garantir uma hidratação regular. E não tem necessariamente de ser feita apenas através de água.

“Há outros meios de hidratar. Há sopas frias, há melancia, há outros frutos muito ricos em água que devem ser utilizados como meios de hidratação.”

As recomendações de saúde aconselham igualmente a beber mesmo sem sede, evitar bebidas açucaradas e alcoólicas, fazer refeições leves, procurar locais frescos e evitar deslocações durante as horas de maior calor.

Paulo Luís, Médio de Saúde Pública da ULS Médio Tejo

Com temperaturas extremamente elevadas previstas para sábado, Paulo Luís aconselha quem procurar praias ou outras zonas de água a escolher zonas balneares vigiadas por nadadores-salvadores, evitando locais desconhecidos e comportamentos de risco, como mergulhos onde não seja possível observar o fundo.

O médico reforça também a necessidade de utilizar protetor solar adequado e considera que episódios de calor extremo fora dos períodos tradicionalmente mais quentes poderão tornar-se mais frequentes.

“As alterações climáticas implicam isso mesmo: passamos a ter situações que não eram normais e com as quais vamos passar a viver.”

Paulo Luís recorda que já no final de maio foram registadas temperaturas próximas dos 38 ou 39 graus e admite que possam ocorrer novos picos de calor ainda durante setembro ou mesmo em outubro.

Perante o alerta vermelho, a mensagem da Saúde Pública é, por isso, de prevenção: “Pedimos à população que se proteja a si e proteja especialmente os mais vulneráveis.”

Em caso de tonturas, boca seca, fraqueza ou outros sintomas associados ao calor, a recomendação é contactar o SNS24, através do 808 24 24 24, ou o 112 em situação de emergência.

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