Sardoal comemora o Dia do Concelho a 22 de setembro mas as Festas começam no dia 18. Uma oportunidade para ouvirmos Pedro Rosa, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, a cumprir o seu primeiro mandato.
Por Patrícia Seixas
Festas do Concelho, também as primeiras, enquanto presidente. Mais nervoso?
É uma posição diferente. São as minhas primeiras Festas enquanto responsável por esta equipa, por este Executivo. Não são, obviamente, as primeiras, porque foram 12 anos de experiência. Apesar de ser uma experiência mais nos bastidores, neste momento, há mais borboletas na barriga… saber se tudo está a decorrer conforme nós idealizamos. Tenho que dar a cara e assumir a responsabilidade pelas opções que são feitas porque, nestas situações, as pessoas normalmente julgam-nos sempre pelo palco principal e não pelo conjunto. Acho que essa é uma forma um pouco depreciativa até de ver as Festas de Sardoal. As Festas são muito mais do que aquilo que vai acontecer no palco Gil Vicente, que é o nome que demos ao nosso palco principal este ano.
Mas ao olhar para o cartaz do palco Gil Vicente, já há quem diga que são as melhores dos últimos tempos. Isto significa que o cartaz foi pensado para deixar já uma marca?
Não é uma questão de deixar marca, porque acho que a marca que nós podemos deixar é aquela que pode perdurar no tempo e sobretudo na memória das pessoas. E não acredito que uma festa deixe marcas. Obviamente que este cartaz foi trabalhado com a nossa equipa da cultura, com a equipa da comunicação, com todos aqueles que estão envolvidos. Foi um cartaz que tentou ir à procura daquilo que tem sido alguma história das festas de Sardoal, no que diz respeito à opção dos tributos, mas também ao que são as opções das pessoas.
E do orçamento.
Sobretudo, do orçamento. As pessoas às vezes perguntam se o cartaz é meu. Não, porque se fosse o cartaz do presidente, se calhar não tinha estes temas. Mas como o cartaz não é feito para o presidente, é feito para a comunidade e para quem nos visita, tentámos ir à procura de um cartaz que abrangesse toda a gente e que juntasse aqui o maior número de pessoas.
Este ano também vai haver mudanças, principalmente no espaço das tasquinhas. Como vai ser?
No espaço das tasquinhas, sobretudo, é uma questão de ir, ao longo do tempo, ainda sendo certo que não são as melhores condições, mas de ir criando melhores condições para que as nossas associações possam trabalhar. Sobretudo, em termos de equipamentos. O que procurámos este ano foi uniformizar os equipamentos que cada associação tem. Todas vão estar num equipamento que vai ser cedido pelo município, portanto, vamos deixar de ver as barraquinhas das marcas cervejeiras, que fazem falta e fazem parte da festa, mas, por vezes, não eram muito apelativas e nem visualmente tinham o seu impacto, porque todas eram diferentes. Aquilo que procurámos, foi ir à procura de uma uniformidade neste espaço, também para lhe dar alguma identidade. E, portanto, aquilo que se pretende é que todas tenham uma barraquinha em que seja apenas necessário chegar à hora marcada, abrir a porta e começar a servir. Aquilo que se está a pedir também às associações neste momento é que tentem ir um pouco mais além, também para diferenciar. O Sardoal ao longo dos tempos, e isso tem a ver, creio, com a própria dinâmica das associações, tem vindo a perder alguns espaços de restauração. O que queremos é continuar a garantir que quem vem à nossa festa, à hora de jantar, tenha uma opção.
Há uns anos atrás, era tradição terem os pratos tradicionais…
Exatamente, há uns anos atrás. E aquilo que se está a pedir às associações é que possam ter qualquer coisa. Sendo que o Palco Jovem é uma zona onde não se espera que venha a acontecer serviço de refeição à mesa, mas, pelo menos, que possa haver um snack, um petisco, algo que as associações possam também dar.
Este ano, a fast food também vai marcar presença na festa.
Sim, surge na sequência desta realidade que temos vindo a observar. E entendemos que o sítio onde estamos a designar, e que vai ser presente em edital para concurso, não vai entrar muito em conflito com as associações. Acho que é isso que os preocupa muitas vezes. Mas é mais uma oferta. Quem come um hambúrguer ou quem come um cachorro, não é aquela pessoa que quer comer uma comida de prato. Falamos de públicos diferentes, mas ainda assim também não queremos criar muito esse conflito.
Espaço Infantil, também vai haver?
Sim, o Espaço Infantil desde há alguns anos que tem sempre alguma animação. Este ano continuamos aqui em colaboração com a Associação de Pais. Aquilo que pretendemos é um espaço onde os pais possam deixar as suas crianças e possam usufruir. Vai ficar perto da Mostra de Saberes e Sabores, portanto, que possam usufruir da parte do artesanato e ter a garantia de que a criança está bem entregue. Vai haver sempre alguém a vigiar e a dinamizar um conjunto de atividades que possam animar as nossas crianças durante esse tempo.
Um dos pontos altos da Festa de Sardoal continua a ser o Festival Hípico. Vai continuar a ser uma aposta deste Executivo?
Sim, o Festival Hípico é um evento desportivo que já faz parte da marca Festas de Sardoal. Já vai este ano para a sua 21ª edição, e já há aqui uma marca vincada. Ainda que saibamos também dos constrangimentos, porque quem organiza é a Associação Recreativa da Presa e sabemos que a dinâmica das associações, dos particulares e das escolas que estão ligadas a esta atividade equestre, às vezes também não é fácil congregar vontades. Mas o certo é que a Associação Recreativa da Presa tem tido sucesso e todos os anos tenta dar uma nota de diferença ao seu festival, e é um espaço muito bom também para levar a família, sobretudo de manhã, porque existe a possibilidade de experimentar, dos mais novos poderem contactar com os cavalos e, do ponto de vista visual, é uma prática desportiva muito bonita. É de uma elegância extrema ver um cavalo a saltar, e a forma como o cavaleiro se une ao cavalo acho que é... Eu falo desta maneira porque durante muito tempo, e ainda hoje, sou apaixonado pela fotografia, e sempre que havia (quando podia, agora já não posso), mas quando podia, ia tirar fotografias ao festival, e é realmente um momento muito bom.
Já aqui o referimos, mas vamos falar de orçamento?
O orçamento é quase como o prognóstico, só no fim do jogo. Aquilo que estamos a pensar é não gastar menos do que gastámos o ano passado. Sabemos que a animação musical vai ter um peso muito significativo, será certamente metade daquilo que é o investimento que vamos fazer, a outra metade será para todas as questões logísticas, a montagem dos equipamentos da feira, as licenças - que são uma fatia também muito pesada -, a vigilância, a segurança... Esperamos que a festa fique mais ou menos nos mesmos valores do ano passado. Mais ou menos na ordem dos 120 mil euros.

Este foi um início de mandato bastante atribulado, com o mau tempo dos primeiros meses do ano. Do que a tempestade Kristin destruiu, o que é que falta repor?
Falta repor muita coisa ainda. As respostas da parte do Governo, e neste caso da CCDR, também têm sido um bocadinho a conta gotas... Temos agora a indicação que estão abertas as candidaturas ao Fundo de Emergência Municipal, ao qual nós estamos a trabalhar para nos candidatarmos.
Isso tem a ver com a antiga Nacional 2?
Também. A antiga Nacional 2, nos dois pontos em que ficou destruída, é a obra que nos oferece maior preocupação. Estamos a falar de uma via estruturante, sobretudo naquilo que é um dos maiores produtos turísticos nacionais neste momento. E afastar as pessoas que fazem a Nacional 2 da possibilidade de usufruir deste trajeto com a beleza que tem, é muito mau para nós, é mau para o Sardoal. Portanto, queremos ter este assunto resolvido rapidamente. Estamos neste momento na fase de adjudicação do projeto, essa parte já está feita, irá entrar em audiência de interessados, para algumas reclamações que possam existir, mas a minha expectativa é que este projeto esteja pronto nos próximos 90 dias. Até final do ano, espero eu, podemos lançar o concurso de empreitada para a reconstrução deste troço. É mais ou menos o timing que também temos para nos candidatarmos ao Fundo de Emergência Municipal e, portanto, espero que tudo esteja dentro dos prazos.
E a Barragem da Lapa?
Esse é, se calhar, o grande desafio deste mandato, como outros, eventualmente, também já o pensaram.
Sofreu danos com a passagem das tempestades?
A parte a jusante, a área de lazer da Lapa, teve que ser intervencionada para poder ser disponibilizada às pessoas. A barragem em si não sofreu impactos nenhuns, aliás, mesmo das últimas visitas que temos tido, a barragem tem-se portado bem e aquilo que se espera é que consigamos chegar a um entendimento com as águas de Lisboa e Vale do Tejo no sentido de, de uma vez por todas, decidirmos quem é que vai fazer a intervenção que ainda falta na barragem. Houve aqui, ao longo dos tempos, várias posições, até mesmo da Águas de Lisboa e Vale do Tejo sobre esta questão. Houve muitas alterações na tomada de posição relativamente àquela barragem e à posse daquela barragem e que, neste momento, nós precisamos é de uma solução à vista e de uma decisão, seja ela qual for, porque uma má decisão é sempre melhor que uma não decisão.
Mas a barragem ainda é da Águas de Lisboa e Vale do Tejo?
A barragem está na listagem dos equipamentos que foram cedidos à Águas de Lisboa e Vale do Tejo. A determinada altura, a Águas de Lisboa e Vale do Tejo demonstraram que não tinham a intenção de continuar, o município de Sardoal alvitrou uma possibilidade, que podia passar por uma reserva estratégica para aquilo que é a sua concessão, que tem neste momento, mas na Águas de Lisboa e Vale do Tejo não se mostraram muito disponíveis na altura. Aquilo que espero, brevemente, é conseguir juntar aqui três entidades, o município de Sardoal, eventualmente a nossa concessão com a Tejo Ambiente e a Águas de Lisboa e Vale do Tejo, para encontrarmos aqui uma resolução para isto. E claro, a APA no meio disto tudo.
É verdade que os proprietários da Capela de Nossa Senhora da Lapa querem intervir na capela, mas estão com dificuldades em obter licença?
A capela não passou para a posse do município. Manteve-se naquela família. A determinada altura, a família pediu-nos apoio técnico para poderem fazer uma intervenção na capela. E, em reunião de câmara, essa intervenção foi autorizada. Portanto, o nosso técnico de conservação e restauro estava à disponibilidade da família para acompanhar o processo de reconstrução. Aquilo que também foi o entendimento do município, ou neste caso do técnico, é que não bastava uma substituição do telhado. Era importante trabalhar noutras patologias que estavam a acontecer, estruturais, e fruto do abandono, que estavam a colocar a capela muito mais em perigo do que o próprio telhado. É claro que esta intervenção é muito onerosa e aquilo que era a intenção da família naquele momento, pura e simplesmente, penso que se desvaneceu e acabou por não acontecer. Agora, se a família quiser voltar a reatar esse acordo que foi firmado em Câmara Municipal, nós continuamos disponíveis para ajudar. Até porque aquele património é dos poucos patrimónios classificados que o Sardoal tem, a par da Casa Grande e da Igreja Matriz. E, portanto, é de todo o interesse. Aquela igreja é emblemática para aquele espaço. Muitas são as pessoas que nos têm abordado para reatar novamente aquela peregrinação que acontecia à Senhora da Lapa. (...) Da parte do município, não há qualquer entrave àquela recuperação. Eu até alvitraria que o município estará disponível se a família entender optar por outra solução.
O Município pode assumir também a posse da capela?
Quem sabe. Quem sabe se pudesse ser essa uma das soluções, ou um contrato de comodato, ou algo do género que juridicamente pudéssemos abraçar. Porque o município, se calhar, terá que tomar uma posição sobre aquele edifício que, daqui a dias, está mesmo a perigar contra a segurança das pessoas.
Referiu a Casa Grande e a Igreja Matriz. Se um dos processos já está a entrar na reta final, como é que está o outro?
A Igreja Matriz está na reta final, esperemos nós. Com os atrasos normais daquilo que são as dinâmicas da construção no país e de uma obra com aquela minúcia. No que diz respeito à Casa Grande, temos feito algumas diligências. Isto tudo começou com a minha ida a Cannes, à MIPIM (principal mercado internacional do setor imobiliário), no sentido de encontrar investidores, sendo que aquela feira era uma feira mais dedicada a investimentos de grande dimensão. E tive três reuniões. Só que quando falamos da capacidade, a dimensão faz toda a diferença. Fizemos alguns contactos e algumas reuniões com investidores na área. E até grupos a nível nacional. É claro que estes grupos também têm o seu calendário, têm os seus projetos. Até este momento ainda não foi possível encontrar uma solução que passe pela construção do hotel de charme, como sempre foi apelidado. Eu tenho para mim que um dia destes, se calhar, em breve, nós vamos ter que tomar uma decisão sobre a casa e sobre qual é o fim que lhe queremos dar. Neste momento, o Sardoal tem camas para oferecer a quem nos visita, porque o alojamento local está a crescer. Sobretudo aqui na zona histórica e até mesmo nas aldeias. Mas um alojamento diferenciador e no segmento médio-alto, o Sardoal não tem. E penso que o próprio território também iria ganhar com isso. O encerramento recente da Residencial Gil Vicente também veio impactar um bocadinho esta questão. Portanto, nós, município, vamos ter que decidir sobre isto. E eu espero que essas oportunidades também existam. Tudo está em aberto neste momento, sendo que a nossa opção, para já, é dar uma resposta em termos de alojamento.
Em março falámos do projeto que havia para a Rosamana. Passado que está mais um verão...
A Rosamana foi mais um daqueles locais que foi gravemente afetado pela Kristin. Fizemos as obras que tínhamos que fazer para que as pessoas pudessem voltar a utilizar o espaço. É óbvio que nós queremos para aquele espaço uma solução muito mais integrada e que passe pela requalificação daquele espelho de água e a sua conversão numa futura praia fluvial. Se não for praia fluvial, que continue a ser uma zona de lazer com direito a banhos em condições. Vamos reunir com a APA no sentido de perceber quais são as limitações da APA em termos daquilo que é o ordenamento do território e as condicionantes que afetam aquele espaço e que estão no nosso PDM. Se houver luz verde do lado de lá, estamos prontos para avançar com o projeto. Já fizemos alguns contactos informais com algumas das famílias que são proprietárias dos terrenos em redor. Pretendemos falar com as pessoas e mostrar-lhes que o projeto é válido para a terra, para o concelho, para o território. Estamos à procura de encontrar uma solução e uma solução que seja partilhada com eles e que seja com o consentimento deles. O município tem de ser um parceiro não pode ser um adversário.
O assunto do momento é mesmo a habitação. Sardoal tem contratualizado com o IHRU, com fundos do PRR, a Urbanização da Fonte da Estrada. Quantos fogos é que esta urbanização vai disponibilizar?
Serão 16 fogos de tipologia T2 e T3.
Mas o projeto inicial foi alterado.
O projeto, em termos de alteração, não sofreu alterações significativas. As alterações que teve, primeiro, foi também para que os preços ficassem um pouco mais equilibrados. Aquilo que vimos nos primeiros projetos PRR, e outros municípios queixam-se do mesmo, é que nós temos projetos que parecem quase casas de luxo. E isso inflacionou demasiado aquilo que eram os preços destas construções. É claro que o facto desta construção não estar já no terreno e ter tido um concurso vazio, não é por inoperância do município ou por problemas técnicos dentro do município. É porque as próprias circunstâncias do mercado assim o levaram. As alterações que foram feitas foram, sobretudo, no exterior, e com alguns acertos e alguns esclarecimentos que o IHRU foi passando ao longo do tempo. Havia garagens que se retiraram e passou apenas a lugares de estacionamento. Portanto, essas alterações é que provocaram também este atraso. É um atraso que não é só nosso, porque este contrato programa foi também revisto em outros municípios.
Passado o prazo do PRR, há financiamento para esta obra?
A garantia que nos deram é que sim, que nada se altera. Pode depois, em termos de instrumento, alterar para outro quadro comunitário, mas que tudo se mantém. Nós temos sido, e eu já o disse na reunião de Câmara, nós somos um executivo novo, mas ainda assim sou solidário, porque também fiz parte, sou solidário com as decisões que foram tomadas no passado.
Isto tem a ver com a localização?
Tem a ver com a localização.
Olhando hoje para o que foi feito, teria optado por outro local...
A ação política, muitas vezes, é condicionada pelo timing e pela oportunidade. E, naquele momento, foi ditado ao Sardoal e aos restantes municípios que tinha que ser encontrada uma solução no prazo de um mês. Num mês, tinha que haver respostas para poder fazer esta candidatura. Outros municípios fizeram outras opções e a coisa não correu bem. Portanto, o município tinha aquele lugar disponível naquela altura. E teve que se tomar uma decisão. O interesse maior que imperava naquele momento, e que impera neste momento, é construir habitação. É termos habitação para os sardoalenses e para quem se queira aqui fixar. Eu percebo que aquela ligação entre o complexo desportivo e a piscina coberta - e nós tivemos e temos um projeto de requalificação daquele espaço, ou um anteprojeto, ou uma visão, se quisermos chamar, para aquele espaço - mas eu acho que tudo pode conjugar-se. Não estamos a falar de construção em altura, estamos a falar de construção em banda, são vivendas. Portanto, não acredito que em termos de impacto no espaço, que vá ser tão significativo que tivéssemos que abandonar este projeto e deitar cerca de 3,2 milhões de euros ao lixo, não executar e ficar sem as casas. O município já executou aquilo que se tinha comprometido inicialmente ao nível do 1.º Direito. Fizemos a requalificação dos nossos fogos da Tapada da Torre, o projeto está concluído e as pessoas têm hoje melhores condições do que aquelas que tinham há uns anos atrás. E sabemos muito bem aquilo que foi feito também pelo último executivo, na tentativa de requalificar aquele espaço. Portanto, não nos podem, nem a nós, nem a quem esteve antes, culpar por não tentar fazer acontecer. Agora, a Fonte da Estrada... se me perguntar ao dia de hoje, se eu tenho mais alguma solução, tenho. E estamos neste momento a trabalhar para disponibilizar outros espaços que o município já tinha, mas que na altura tinham projetos já em estado avançado, e à realidade de hoje, permitem-me fazer uma opção. Aquele terreno na zona de Andreus, junto à Zona Industrial, para o qual fizemos um projeto de criação de um novo parque empresarial, que era um parque empresarial diferente, mais de baixo impacto ambiental, com a ampliação da nova Zona Industrial, deixa de fazer sentido. E então, se calhar, eu neste momento estou na posição de dizer que, se conseguirmos uma oportunidade de financiamento, porque o município não consegue fazer isto per si, se tivermos essa oportunidade de financiamento, que eu acredito e estou convicto que vai abrir, aquele espaço será para instalar habitação. Não tenho dúvidas. Agora é como digo, esta questão da gestão autárquica, é muitas vezes balizada pelas decisões no momento. (...) Portanto, a decisão, na altura, foi essa. Agora, neste momento, não quero e não tenho moral para deitar 3 milhões e 200 mil euros ao lixo, ainda que tenha do outro lado os vereadores a dizerem-me que outros municípios conseguiram desta e daquela maneira, mas depois falam-me de municípios que estão em comunidades intermunicipais diferentes e que tiveram ritmos com o IHRU diferentes. No nosso momento, esta foi a nossa realidade e, portanto, é aquilo que eu espero conseguir realizar.
Falta falarmos da ampliação da Zona Industrial...
Havia uma proposta, que era expandir para o lado de Valhascos, para um terreno que já era do município, já tinha sido adquirido. Mas é um terreno que tem características orográficas muito complicadas, implicava muita movimentação de terras, muito sobreiro abatido. É uma tarefa que hoje não é impossível, porque há regras para o fazer, mas também não nos agradava muito acabar com aquele ativo ambiental que ali temos. Neste momento, aquilo que temos espelhado na nossa proposta de alteração do PDM, que esperamos que também esteja pronto brevemente, é expandir para sul, até ao limite com o concelho de Abrantes. Estamos a trabalhar numa alteração, a que a CCDR chama de normas provisórias, para que possamos avançar com este projeto, fazendo uma alteração pontual ao PDM atual . Esses terrenos ainda não são do município, tem que se iniciar essa negociação com os proprietários, mas acho que também eles vão perceber a importância que é para o concelho alargar a zona industrial. Portanto, a nossa intenção é alargar para a zona do Marco e para a zona da Nacional 2, para não perdermos esta ligação visual da Nacional 2 para a zona industrial. É claro que é uma obra que vai ter algum investimento também da nossa parte. Nós temos 2 milhões e 300 mil guardados na ITI (Investimento Territorial Integrado) para o projeto e para as infraestruturas. Temo que possa não ser suficiente, mas o tempo o dirá e o projeto depois o dirá. As reuniões que temos tido com as entidades que têm poder nesta matéria, porque estamos estas normas provisórias consubstanciam-se essencialmente de uma alteração ao PDM, porque temos zonas de RAN que temos que excluir, e essas reuniões que tivemos foram positivas. Portanto, mesmo da parte das entidades, há recetividade para fazer aqui esta alteração.