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Governo com 45 milhões para investir na economia de Abrantes e do Médio Tejo (C/ ÁUDIO)

2021-11-13

O governo tem um pacote financeiro de 45 milhões de euros para Abrantes e para o Médio Tejo no âmbito do Fundo de Transição Justa no seguimento do encerramento dos grupos a carvão da Central do Pego.

A informação foi avançada aos jornalistas por Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, à margem de uma manifestação que teve como principal reivindicação a suspensão do encerramento da central a carvão que vai acontecer a 30 de novembro.

Manuel Jorge Valamatos disse que esteve ontem numa reunião, acompanhado pela presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Anabela Freitas, e que contou com a presença do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e da presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), Isabel Damasceno, em que foi abordado o futuro da região de Abrantes após o encerramento da Central do Pego.

E nesta reunião, de acordo com o autarca de Abrantes, saíram duas grandes medidas. Uma tem a ver com a formação dos quadros da Central do Pego. Haverá um conjunto de ações concertadas com o Instituto do Emprego e Formação Profissional para criar condições para que os trabalhadores que percam o emprego possam entrar em formação para reingresso no mercado de trabalho. A outra, indicada pelo ministro do Ambiente nesta mesma reunião, foi o da disponibilização de um pacote financeiro de 45 milhões de euros do Fundo de Transição Justa para aplicar exclusivamente na economia de Abrantes e do Médio Tejo. “Apresentou-nos um caderno de encargos com um conjunto de empresas que se pretende que se venham a instalar em Abrantes, na região, e eventualmente também a valorização de algumas empresas que estão aqui e que terão novos projetos”, disse Manuel Jorge Valamatos.

Por outro lado, o autarca destacou a necessidade de mitigar os impactos deste encerramento dos grupos a carvão e, acima de tudo, “tomar conta destas 150 pessoas e criar-lhe novas oportunidades de trabalho, ou nova formação profissional. Queremos tomar conta da economia local e a todo o tempo destas 150 pessoas”.

 

Manuel Jorge Valamatos

Questionado pela Antena Livre o presidente da Câmara de Abrantes disse que este pacote de medidas, que deverá ser anunciado oficialmente pelo governo em breve, nada tem a ver com o concurso público do Ponto de Injeção na Rede que o governo tem a decorrer. São medidas e projetos que o governo já tem em mãos e que estarão prontas para avançar a muito curto prazo. “Nada tem a ver com o grande projeto que está em concurso público [que encerra a 17 de janeiro de 2022] e que vai ser instalado no Pego”.

Manuel Jorge Valamatos disse ainda que tem estado com a CIM do Médio Tejo a trabalhar com o governo porque as decisões estão tomadas e o que interessa agora é “cuidar da nossa economia e das nossas pessoas. E é a olhar para o futuro que estamos centrados”.

Sobre o pacote que está a ser trabalhado pelo governo o autarca garantiu que não são apenas intenções e que já há, de acordo com as indicações que lhe foram prestadas pelos governantes, muito trabalho feito.
Manuel Jorge Valamatos revelou ainda estar já agendada nova reunião para esta terça-feira com os ministérios, do Ambiente e da Coesão Territorial, e com a CCDR Centro “para passarmos para a ação em concreto”.

Manuel Jorge Valamatos

Sobre os problemas que o concelho de Abrantes pode vir a ter com os cerca de 150 [83 diretos e outros tantos de empresas prestadoras de serviços] trabalhadores que podem perder o emprego por via do encerramento da Central, o presidente da Câmara diz que quer acompanhar de perto as situações. E nesse sentido indicou que está a preparar a criação de um gabinete específico para acompanhar todos os trabalhadores que venham a necessitar de apoio.
Manuel Jorge Valamatos esteve presente na manifestação dos trabalhadores da Central do Pego realizada na tarde deste sábado no largo da Câmara Municipal de Abrantes e teve oportunidade de falar com os dirigentes sindicais e com alguns trabalhadores.

Aos jornalistas disse estar, naturalmente muito preocupado com a situação, mas garantiu estar a trabalhar com a Comunidade Intermunicipal e com o governo no sentido de mitigar os impactos deste encerramento.

Recorde-se que a Central Termoelétrica do Pego tem em funcionamento dois grupos a gás e outros dois a carvão. E é a unidade de produção de eletricidade a carvão que vai encerrar a 30 de novembro. É certo que o encerramento deverá acontecer já esta semana quando forem queimadas as últimas toneladas de carvão que estão armazenadas na unidade industrial, sendo que há muitas semanas que já não há abastecimento deste combustível fóssil.

A descarbonização do país foi decidida pelo governo que já encerrou a Central de Sines e a refinaria de Matosinhos. Nesse sentido foi criado o Fundo de Transição Justa, da União Europeia, que tem como objetivo criar condições para ajudar as economias, empresas e pessoas das zonas afetadas pelo encerramento destas unidades de produção de energia.

Paralelamente o Ministério do Ambiente lançou um concurso público, que termina a 17 de janeiro de 2021, para o Ponto de Injeção na Rede no Pego. Ou seja, foi aberta uma porta para a entrada no mercado português de um novo projeto de produção de energia que o governo pretende que seja essencialmente verde.

A Tejo Energia (um consórcio composto pela Trust Energy (56%) e pela Endesa (44%) que detêm em partes iguais a unidade de gás) chegou a apresentar um projeto de reconversão da Central do Pego. E foi nesse patamar que as empresas do consórcio se desentenderam. A Tejo Energia, pela mão da Trust Energy, tinha o projeto baseado na queima de biomassa, numa fase de transição, até á implementação dos projetos solar, eólico e de hidrogénio verde. A Endesa apontava a um projeto idêntico, mas excluía a queima de biomassa.

O governo anunciou então que iria lançar um concurso para este ponto de injeção na rede.

De acordo com o Ministério do Ambiente, o desmantelamento da Central do Pego, a carvão, é da inteira responsabilidade da proprietária e o seu custo poderá ascender a 40 milhões de euros.

2021-11-13