Duas novas exposições de arte contemporânea inauguraram no dia 16 de maio, nas salas da Coleção Figueiredo Ribeiro, no Museu Ibérico de Arqueologia de Arte (MIAA), ambas com curadoria de Natxo Checa.
Na inauguração das exposições, Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro da Cultura do Município de Abrantes, começou por frisar que “o que aqui temos é exatamente o reflexo de um longo caminho, de um longo percurso.”
Depois destacou o papel dos curadores nas exposições, ao explicar que “o MIAA e a rede de Museus Abrantes têm crescido muito em torno também daquilo que é o vosso talento e a forma como vocês, tal como um Maestro, vão conseguir fazer aqui a soma das harmonias no que há escolha e a este longo e complexo processo de seleção das obras de arte pelos nossos artistas.”
Luís Filipe Dias, vereador CM Abrantes
Fernando Figueiredo Ribeiro destacou nesta abertura das exposições o “grande gosto e satisfação pessoal, porque a coleção e eu podemos contribuir para a divulgação da arte. Os artistas quando fazem aqui exposições individuais são artistas que estão na coleção, as peças nem sempre têm que ser da coleção, como é o caso, há peças da coleção e há peças que não são da coleção, nas exposições individuais, mas o critério é que o artista veja na coleção.”
E acrescentou ficar “muito contente por poder contribuir com uma pequena cota-parte para a divulgação dos artistas.”
Deixou um primeiro agradecimento aos artistas, “porque são eles que fazem, eles não fazem, são eles que permitem que se façam exposições” e depois ao curador, “também com o seu trabalho autoral, faz a exposição, a disposição da exposição, escreve os textos e tem, de facto, uma cota-parte importante, a quem também agradeço muito.”
Deixou ainda o agradecimento à Câmara de Abrantes por “fazer estas exposições, por ter a visão de as fazer.”
Fernando Figueiredo Ribeiro, proprietário da coleção

“Armistício de verão” apresenta escultura e desenho de Marco Franco

De acordo com o curador, “Se a maior parte dos e das artistas têm uma consciência da historicidade do seu trabalho, a obra de Marco Franco ignora qualquer tradição. Parece moderna e abstrata, mas é pura manifestação de vontade, materialização rítmica, prova de vida. As centenas de ferros calandrados não são pensados como esculturas, mas antes iterações de gestos, força, procedimentos. De modo idêntico, os desenhos de Marco Franco não são abstrações onde reconhecemos ascendências na arte ocidental.”
O curador, Natxo Checa, começou por dizer que conhece Marco há 30 anos, quando era músico. O Marco é uma pessoa excecional na sua maneira como aborda a criação. “Quando eu o conheci, ele era baterista. Primeiro começou numa banda rock, depois passou para a música improvisada e os músicos do jazz peleavam-se para poder trabalhar com ele. Depois, fartou-se carregar a bateria, passou para o saxofone, ficou um grande músico e fartou-se carregar o saxofone, passou para o piano e agora fartou-se do piano e passou para a artista visual. E um artista visual excelente, porque tem a mesma atitude, sempre teve a mesma atitude, que é ir a fundo na sua atividade, numa perspetiva pessoal. Hoje em dia, estas coisas, e sobretudo nos últimos anos, que é a profissionalização das artes, fez uma espécie de resposta do jovem artista perante aquilo que as audiências querem.”
Natxo Checa afirmou ainda que as peças do marco correspondem a um trabalho muito pessoal, muito intuitivo (...) e a especialização do homem-máquina é que nos consegue proporcionar este tipo de trabalho que não tem referências. Se lerem o texto, ele está bastante claro.”
“Tangled Becomings: Ecos de Biomas Mutantes”, mostra obras de Jéssica Pereira Gaspar

“A prática artística de Jéssica Pereira Gaspar procura a partir das artes visuais a intersecção com a biologia. Os dispositivos que propõe colocam em tensão mundos radicalmente diferentes de perceção, vitalidade e estímulo: o fúngico, o mexilhão, a cera, o digital, o ópio e o público” referiu o curador Natxo Checa.
Na sessão de inauguração referiu que “temos uma exposição da Jéssica, que através das artes visuais interseciona com a biologia e que ela, no fundo, põe ali elementos como o vídeo, o digital, o molusco (...) a trabalhar em sintonia. Há uma instalação que eu posso de alguma maneira introduzir, que é uma série de pratos, que a Jéssica fez uma série de frequências e esses pratos que agora estarão no ponto zero, ao longo destes meses, vão ter diferentes respostas.”
E acrescentou ainda que a “Jéssica está a condicionar uma série de cogumelos e isso é uma coisa que nos faz pensar entre a relação da vida nua do cogumelo, em que ela não tem uma vida social, não pode falar de política, não pode expressar-se por atitudes comuns e o condicionamento também é humano com isso.”
Natxo Checa, curador

As exposições estão patentes ao público até 25 de outubro.
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