A recolha de monos e o abandono de resíduos volumosos no concelho de Abrantes estiveram em destaque na Assembleia Municipal de 25 de setembro.
Deputados de diferentes forças políticas questionaram a capacidade de resposta dos serviços e as medidas previstas para enfrentar um problema que tem levado à acumulação de resíduos junto a contentores e noutros espaços públicos.
Pedro Grave, eleito pela Alternativa.com, chamou a atenção para o aumento destes resíduos e questionou o executivo sobre o funcionamento do sistema e a possibilidade de reforçar os meios disponíveis.
A CDU também levou o assunto à Assembleia Municipal. Ana Paula Cruz apontou atrasos nas recolhas e levantou dúvidas sobre a organização do serviço e sobre os materiais que podem ou não ser recolhidos ao abrigo do regulamento municipal de 2012. A eleita quis ainda conhecer os custos suportados pelo município com a recolha de materiais que, segundo a CDU, poderão não estar previstos naquele regulamento.
Na resposta, o presidente da Câmara de Abrantes lembrou que nem todos os municípios disponibilizam um serviço de recolha de monos e salientou o investimento feito em Abrantes. Manuel Jorge Valamatos revelou que estão atualmente no terreno duas equipas e dois veículos específicos e que já foi necessário contratar serviços externos para responder ao volume de trabalho.
O autarca deixou também um apelo ao civismo. Manuel Jorge Valamatos considera que a existência de um serviço municipal de recolha não significa que os resíduos possam ser colocados na rua antes de existir indicação dos serviços para a sua retirada.
Também Margarida Togtema, eleita pelo PSD, reconheceu a falta de civismo associada ao abandono de resíduos, mas considerou que existiram igualmente falhas na resposta municipal. A deputada referiu casos em que os munícipes terão esperado um ou dois meses pela recolha e defendeu uma atuação conjunta da Câmara e das juntas de freguesia.
Manuel Jorge Valamatos respondeu que o problema dos monos não é exclusivo de Abrantes e classificou a gestão destes resíduos como uma matéria complexa. O presidente da Câmara admitiu a necessidade de melhorar o serviço e a informação à população e apontou para uma maior articulação com as juntas de freguesia.
Na réplica, Ana Paula Cruz esclareceu que a CDU não questiona o atendimento prestado pelos trabalhadores dos serviços, mas sim algumas situações relacionadas com a gestão dos pedidos e o cumprimento do regulamento. Markdown colado
O presidente da Câmara garantiu que, quando existe um pedido formal de um munícipe, os serviços apenas recolhem os materiais previstos no regulamento. O problema, explicou, está sobretudo nos resíduos abandonados ilegalmente nas ruas, junto aos contentores ou em zonas florestais, que acabam por ter de ser retirados pelo município.
Manuel Jorge Valamatos referiu ainda os resíduos de construção e demolição como exemplo de materiais que são muitas vezes colocados indevidamente nos contentores, obrigando o município a suportar posteriormente os custos do seu tratamento.
O presidente da Câmara defendeu, por isso, que a solução exige maior capacidade de resposta dos serviços, mas também informação, fiscalização e responsabilização dos cidadãos.