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Ponte: Segurança é prioridade numa infraestrutura que viu tráfego mais do que duplicar

12/02/2026 às 16:47

Os autarcas de Constância e Vila Nova da Barquinha estão preocupados com a segurança da ponte que liga Praia do Ribatejo a Constância Sul e disso deram conta esta manhã, em conferência de imprensa.

Com o encerramento da ponte da Chamusca e com a interdição da EN118 entre Abrantes e Tramagal, o trânsito mais que duplicou na ponte. Para além disso, a ponte está interdita a pesados mas, com as restrições nas outras travessias, essa proibição está a ser constantemente transgredida.

Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância, denunciou “um volume enorme de trânsito ligeiro na nossa ponte, que é a única, entre Abrantes e Santarém, que permite a travessia do Tejo. E, para além disto, mesmo sabendo que a passagem de pesados é proibida, e está lá a sinalização, a consciência que temos, Constância e Barquinha, é de que o trânsito pesado continua a fazer-se pela ponte, com mais ou menos intensidade”. Devido a esse facto, “queremos alertar para a preocupação que temos com as questões de segurança da ponte”. O autarca de Constância lembrou que “a ponte foi reabilitada para permitir apenas a passagem de ligeiros, e aquilo que se passa são dois volumes de trânsito consideráveis. O aumento enorme daquilo que é o trânsito ligeiro, que não era habitual nesta ponte, e a passagem dos pesados, que é feita mesmo à revelia da sinalização e das regras de trânsito”. O presidente da Câmara de Constância quis assim “chamar a atenção para isto”, e pedir “efetivamente”, que haja “um reforço do patrulhamento da ponte para impedir que os pesados ali passem”.

Manuel Mourato falou na mesma voz. O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha também referiu que a ponte “é uma preocupação dos dois municípios”. Reforçou que “esta ponte é essencial na região” e é “nesta região do Médio Tejo, a única travessia que permite passar o Tejo de um lado para o outro”.

Quanto ao aumento do tráfego, o autarca reafirmou que “tem vindo a agravar-se. Não só a travessia por pesados, porque, obviamente, os pesados, sempre que não houver patrulhamento, vão tentar fazer a travessia. O que teria que ter quase, da parte das autoridades, um patrulhamento 24 sobre 24, na ponte, para que isto não aconteça. Não é, seguramente, a forma mais correta de termos uma ponte a funcionar. O que é certo é que há uma pressão muito grande sobre isto”.

Sérgio Oliveira disse também que “ainda antes desta situação que estamos a viver, quer eu, quer o meu colega da Barquinha, tínhamos pedido ao senhor ministro das Infraestruturas e da Habitação para vir fazer uma visita à ponte. Essa visita à ponte está marcada para o próximo mês de março. Portanto, está agendada. Agora, nós não podemos deixar de marcar a nossa posição mediante aquilo que nos últimos dias tem estado a acontecer na ponte sobre o Rio Tejo. A preocupação que nós, autarcas, temos com aquilo que se está ali a passar”. Mas há ainda uma “agravante”. É que, a ponte é nacional mas “o tabuleiro continua a ser mantido pelos dois municípios. E são dois municípios dos mais pequenos do país, com fracos recursos financeiros. E continuamos a ser nós a assegurar a manutenção desta travessia”.

Já Manuel Mourato complementou, afirmando que “nós não temos condições de assegurar esta travessia a não ser a ligeiros. Mesmo o fluxo de ligeiros, nomeadamente com o fecho da Ponta da Chamusca, revelou-se de um aumento exponencial. Estamos a ter uma travessia de ligeiros na ponte muito superior à que era normal. E, portanto, tudo isto são preocupações. Preocupação da segurança, necessidade de reforço de patrulhamento naquela região. Já o fizemos saber às autoridades, nomeadamente à GNR, que estamos preocupados com esta situação”.

Foi, entretanto, confirmado que a GNR está já a fazer o patrulhamento na ponte, para impedir a passagem de pesados.

 

A segurança

Questionados se têm alguma indicação de alguma instabilidade no tabuleiro da ponte, foi Manuel Mourato que respondeu e reafirmou que “nem o município da Barquinha, nem o município da Constância, têm condições técnicas para garantir que a ponte não tenha nenhuma situação que nos possa causar constrangimento. Tecnicamente, não estamos munidos dessa capacidade nem iremos consegui-lo, por isso é que a gestão da ponte deveria ser nacional e não dos municípios. Por outro lado, não temos nenhuma indicação do seu contrário, mas perante aquilo que estamos a verificar, nomeadamente o problema das cheias, todas estas tempestades, tudo aquilo que tem causado constrangimentos por todo o lado do nosso país e o fluxo de tráfego, mesmo sendo só para ligeiros, que mais do que duplicou... Portanto, temos ali condições para que as coisas não corram da melhor forma e estamos preocupados com isso. Não tenho condições técnicas nem tenho técnicos suficientes para avaliar se a ponte está em condições ou não. Seguramente estará, mas aguardaremos por quem de direito para que o possa dizer”.

A solução

Foi Manuel Mourato que primeiro o referiu. A situação, como está, “não é solução”. Portanto, para o autarca, “urge resolver uma situação que tem décadas. Há décadas que se fala numa nova travessia, que se fala numa solução para a travessia do Tejo. É obrigatório para o Estado Central, que o Governo, pense rapidamente nesta solução. Seja uma nova ponte, seja a requalificação da que temos, é necessário que haja uma travessia que garanta, em segurança, a travessia entre os dois lados do Tejo. Temos esta situação sinalizada ao senhor ministro das Infraestruturas”. E deixou ainda um pedido a Lisboa: “referir que o Governo fez um anúncio sobre vistorias às infraestruturas. Eu solicitava que se tenha em conta que esta ponte deverá ser uma das primeiras a ser vistoriada, porque, mais uma vez, aquilo que nos preocupa, é a segurança dos cidadãos que por ela passam todos os dias”.

Já Sérgio Oliveira voltou a alertar para a questão da segurança na ponte, “porque tínhamos um determinado número de tráfego e hoje temos um completamente diferente. Essa é uma questão que queremos vincar bem. Porque todos nós, muitas vezes, usamos o politicamente correto. E está na altura de deixarmos o politicamente correto de lado. Porque todos nós, quer eu, quer o meu colega da Barquinha, temos consciência que se nós não estivéssemos aqui a fazer esta alerta, e daqui a amanhã, esperemos que não, se acontecesse ali algum acidente, viriam logo dizer que a responsabilidade era do município de Constância e da Barquinha, porque a questão do tabuleiro da ponte era dos dois municípios. E nós, como qualquer comum dos mortais, percebe que nós não temos, nenhum dos dois municípios tem, capacidade para fazer uma avaliação a esse nível. Aliás, indo ao limite, o tabuleiro da ponte já nem devia ser gerido há muitos anos, nem por Constância nem pela Barquinha. Deve ser uma gestão das Infraestruturas de Portugal e não dos dois municípios”.

Mas há uma outra questão que “nos deixa profundamente irritados”. Lembrou Sérgio Oliveira que “andamos há 40 anos, há 40 anos, para resolver um problema de uma travessia sobre o Tejo. E o problema continua. Não há, efetivamente, alguém que chegue e que consiga decidir alguma coisa. E é isso que nós também pedimos: que haja decisões para o território. Eu não quero estar a ser pessimista nem nada que se pareça mas imagine-se que nós tínhamos ali um problema qualquer à entrada da ponte e que esta ponte tinha que ser encerrada também. As nossas populações tinham que se deslocar ou fazer uma travessia por barco se houvesse condições para o fazer ou teriam que ir a Santarém atravessar o rio”.

Para os dois presidentes de Câmara, as declarações de hoje não são “para criticar ninguém. não é para apontar o dedo a ninguém. É chamar a atenção para um problema que se arrasta há décadas e é preciso que lembremos todos que a ponte que ali está foi adaptada na década de 80 à rodovia. Portanto, a verdade é que a solução definitiva nunca foi implementada até hoje”.

E Manuel Mourato ainda recordou que “no século XIX fizeram-se três pontes. Estamos no século XXI...”

 

A questão económica e militar

Sérgio Oliveira referiu que “mais uma vez, ficou demonstrado que a nossa velha ponte do século XIX, adaptada à rodovia na década de 80 do século XX, continua a ser fundamental e essencial para toda a região, numa situação como aquela que estamos agora a viver. E é necessário e é preciso que a Administração Central olhe para esta questão da ponte e que se estude, e que se veja uma solução que permita a passagem de pesados e a passagem de viaturas sem o controle dos semáforos. É preciso, de uma vez por todas, que se olhe para este problema e que o mesmo seja resolvido. É uma infraestrutura que serve a região e não apenas o concelho de Constância e o concelho de Vila Nova da Barquinha”.

O presidente da Câmara de Constância manifestou ainda a “preocupação com aquilo que vai ser o reforço das capacidades de treino e de recursos humanos que as unidades militares da região, nomeadamente a de Santa Margarida e as unidades que estão no concelho de Vila Nova da Barquinha, vão sofrer nos próximos anos, com uma infraestrutura que não dá resposta a essas necessidades. É preciso que todos tenhamos consciência desta questão”.

E Manuel Mourato anuiu e acrescentou que, do outro lado do rio, “temos a Caima, temos a RSTJ, temos uma série de valências e de empresas aqui que estão melindradas com esta situação. Para não referir a questão dos militares. Nós temos dois polos militares na região, um em Constância e outro na Barquinha, que são, seguramente, dos mais notáveis, daqueles que têm maior impacto no nosso país. Estamos a falar de todo o polígono de Tancos e estamos a falar do Campo Militar de Santa Margarida. São dois polígonos militares muito importantes para o nosso país e que, no atual contexto que se vem falando ao longo dos últimos meses, com o contexto mundial que nós temos, revela que estão em condições de crescer. Temos aqui mais um constrangimento. Os senhores comandantes das unidades militares certamente vão-nos questionar sobre a possibilidade de travessia da ponte”.

Com os condicionamentos atuais ao tráfego, a Caima já tinha questionado acerca da possibilidade dos camiões poderem fazer a travessia pela ponte de Praia do Ribatejo - Constância Sul mas a resposta da IP foi a mesma: “a ponte tem proibição de passagem a veículos pesados”.

Ficou o alerta dos dois autarcas. A pressão sobre o tabuleiro, responsabilidade dos dois municípios, é uma preocupação, bem como o impacto que esta situação tem para as empresas da margem sul do Tejo e das capacidades militares instaladas.

A GNR está já a fazer o patrulhamento na ponte, para impedir a passagem de pesados. Mais uma vez, a solução para a travessia do Tejo volta a estar na ordem do dia, agora com uma outra urgência, devido à falta de soluções, com a interdição da ponte da Chamusca e com estradas cortadas depois da ponte de Abrantes.

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