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Abrantes: Seis meses depois das cheias, Sasha River e Estação de Canoagem de Alvega reabrem ao público (c/áudio e fotos)

6/08/2026 às 15:58

Seis meses depois das cheias do rio Tejo, provocadas na sequência das tempestades de fevereiro, dois dos equipamentos municipais mais afetados voltaram a abrir portas esta quarta-feira, 5 de agosto. O quiosque Sasha, no Aquapolis Sul, em Rossio ao Sul do Tejo, foi totalmente reconstruído, enquanto a Estação de Canoagem de Alvega reabriu após obras de reparação dos estragos provocados pela força das águas.

Sendo ambos equipamentos municipais concessionados, foi a Câmara de Abrantes que suportou os custos das intervenções, permitindo que os concessionários retomassem a atividade ainda durante a época de verão.

À margem da reabertura do Sasha, em Rossio ao Sul do Tejo, o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, recordou a dimensão dos prejuízos causados pelas cheias, que ascendem a mais de 16 milhões de euros em todo o concelho.

"Ficámos com esta cafetaria completamente destruída, o parque infantil destruído, os passadiços da Fonte dos Touros destruídos e toda a iluminação pública destruída", afirmou o autarca, sublinhando que toda a envolvente do Aquapolis Sul sofreu danos significativos.

Além da reconstrução do quiosque, continua prevista a recuperação do parque infantil e de outras infraestruturas afetadas, bem como de diversas linhas de água. Segundo Manuel Jorge Valamatos, o município está a trabalhar em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e com o Ministério do Ambiente para concretizar essas intervenções.

O autarca lembrou que o Sasha é um edifício municipal concessionado a uma família que ali desenvolve a sua atividade económica, considerando prioritária a recuperação deste espaço. "Voltou hoje à normalidade, seis meses depois. Parece muito tempo, mas tivemos mais de 16 milhões de euros de prejuízos em todo o concelho e muitas intervenções para realizar em estradas, linhas de água e equipamentos públicos", referiu.

Manuel Jorge Valamatos destacou ainda que, apesar da reabertura destes dois equipamentos, continuam em curso diversas obras de recuperação. Entre elas estão intervenções em estradas municipais, pontões, linhas de água e parques públicos, bem como a reposição das condições em infraestruturas da responsabilidade de outras entidades, como a Estrada Nacional 2, em Espinhaço de Cão, cuja reparação depende da Infraestruturas de Portugal.

O presidente da Câmara recordou igualmente que já foram reabertas as praias fluviais da Aldeia do Mato e das Fontes e que o município conseguiu também apoiar, em articulação com a CCDR, a recuperação de habitações permanentes afetadas pelas cheias.

"Foi muito, muito triste"

Para Patrícia Galvão, que com o marido David Mendes, são concessionários do Sasha - Aquapólis Sul, a reabertura representa o fim de um período particularmente difícil.

À Antena Livre recordou a madrugada em que recebeu o aviso da subida das águas e a rapidez com que a situação evoluiu.

"Nunca pensámos que a água subisse ao nível que subiu. Já tínhamos passado por uma cheia em 2013 e estávamos preparados para isso, mas desta vez foi completamente diferente. Quando vimos a água chegar ao teto, chorávamos ao ver o nosso espaço e tudo aquilo que tínhamos criado. Foi muito, muito triste", recordou.

Apesar de terem conseguido retirar alguns equipamentos, a rapidez da subida da água impediu que salvassem grande parte dorecheio.

"As quatro da manhã começámos a tirar as coisas e às nove já tínhamos água dentro do bar. Foi tudo muito rápido", explicou.

Quando regressaram ao espaço, três dias depois da descida das águas, encontraram um cenário de destruição total.

"A única coisa que ficou intacta foi o chão. O resto foi tudo destruído. Não ficou um vidro inteiro."

Reinvenção para manter o negócio

Enquanto decorriam as obras de reconstrução, David Mendes e Patrícia Galvão optaram por criar um espaço temporário numa propriedade da família para manterem o contacto com os clientes e garantirem algum rendimento.

"Era o nosso ganha-pão. Precisávamos que os clientes não se esquecessem de nós e também de conseguir sobreviver até à reabertura", explicou.

O novo Sasha mantém o conceito original, mas apresenta melhorias funcionais que resultaram das alterações propostas pelos concessionários e aceites pela Câmara Municipal.

A cozinha foi reorganizada, tornando o trabalho mais eficiente, a sala ganhou mais espaço útil e as casas de banho passaram para o exterior, eliminando um dos principais constrangimentos do antigo edifício.

"Agora temos tudo muito mais funcional. A cozinha está muito melhor para trabalhar e as casas de banho no exterior libertam espaço para os clientes", destacou Patrícia Galvão.

A partir desta reabertura, o Sasha vai também alargar a oferta gastronómica. Além das bifanas, hambúrgueres, cachorros e restantes produtos habituais, passará a servir diariamente um prato do dia ao almoço.

O espaço continuará ainda a apostar em momentos de animação, com noites de karaoke e música ao vivo, sobretudo após o verão.

Nesta fase da época alta, o estabelecimento estará aberto todos os dias, encerrando apenas às segundas-feiras.

 

Depois do espaço em Rossio ao Sul do Tejo, Manuel Jorge Valamatos, deslocou-se para Alvega, onde esteve na reabertura da Estação de Canoagem. Trata-se de um espaço de restauração situado junto ao rio Tejo e que, nas cheias de fevereiro deste ano, esteve submerso durante vários dias.

  

Com a reabertura do Sasha e da Estação de Canoagem de Alvega, o município recupera dois equipamentos de referência junto ao rio Tejo, num processo que marca mais uma etapa na reconstrução dos estragos provocados pelas cheias de fevereiro.

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