O CRIA tem cerca de 170 utentes em Abrantes e Mação, cerca de uma centena de trabalhadores, auxiliares e técnicos superiores, e um orçamento anual da ordem dos 3 Milhões de Euros.
Quase a chegar aos 50 anos de existência, o CRIA foi fundado em 1977 o objetivo de promover a inclusão social e apoiar pessoas com deficiência ou incapacidade. E apontou sempre a ser uma resposta, sobretudo, através da área educativa, depois ocupacional e ainda na formação profissional. E com estas respostas atender aos diversos níveis de deficiência, das mais profundas a mais leves.
O CRIA hoje designa-se como Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, mas durante muitos anos foi o Centro de Recuperação Infantil de Abrantes. Criado numa altura de mudança de mentalidades porque, antes, ter uma pessoa com deficiência numa família era para esconder da sociedade.
Felizmente as mentalidades mudaram, as respostas começaram a surgir um pouco por todo o país, assim como a normalização da integração. Até porque, em muitos casos, a integração pode ajudar ou mudar a vida de muitas destas pessoas que ao terem deficiências mais leves podem trabalhar ou estar em áreas de formação profissional, sem terem de estar afastados ou à margem das sociedades.
O CRIA nasceu em Abrantes, mas com instalações espalhadas por vários locais. Desde sempre agregou os concelhos dos arredores de Abrantes como Constância, Gavião, Mação e Sardoal.
Quando foi fundado, a 23 de março de 1977, o CRIA apontava a ser uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) focado na recuperação e reabilitação de crianças com deficiência.
Apesar do aniversário ser a 23 de março, foi num 3 de março de 1977, após escritura notarial, que a instituição ganhou forma jurídica. De acordo com esse documento, a sede provisória era na Praça Barão da Batalha, freguesia de S. João Baptista, cidade de Abrantes. E nesse documento legal pode ler-se que o objetivo é “promover a motivação e adaptação da criança diminuída à família, à sociedade, através da sua educação e valorização profissional.”
Em maio ainda desse ano, 1977, Palmira Vieira Ferreira cedeu uma casa em Rio de Moinhos e 100 mil escudos para as necessárias obras de adaptação, para que naquele espaço se pudesse instalar o C.R.I.A..
E foi ainda nesse mesmo ano, 1977, que nesta casa de Rio de Moinhos foram acolhidas as primeiras crianças (cerca de duas dezenas).
Em finais da década de 70 começou a ser equacionada a compra de um terreno de 10 hectares com pinheiros e oliveiras, em Olho de Boi. Mas só a 26 de janeiro de 1984 é que foi efetivada a escritura de compra deste terreno. O CRIA pagou 400 mil escudos por cinco hectares do terreno, os outros cinco hectares foram oferecidos pelo proprietário do terreno, Eng. Miguel Paes do Amaral.
Na altura havia já indicação clara de que a IPSS necessitava de um espaço capaz de responder aos desafios e aquilo que, na altura, a direção preconizava para estas pessoas.
A 20 de setembro de 1991 foi lançada a primeira pedra para a construção das novas instalações do CRIA e a 14 de junho de 1996 a vida do CRIA mudou de forma definitiva com a conclusão das novas instalações. E foi nesse ano que Câmara Municipal de Abrantes atribuiu ao Centro a Medalha de Mérito Social do Município, o mais alto galardão atribuído na altura por esta entidade.
A partir de 1 de julho de 2007, fica operacional o Lar Residencial do CRIA. Uma outra resposta para fazer face a um problema. Os utentes que não têm família capaz de os acolher ou os que têm deficiência mais profunda e necessitam de acompanhamento permanente.

Corria o ano de 2009 quando esta IPSS alterou oficialmente a sua designação de Centro de Recuperação Infantil de Abrantes para Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, mantendo a sigla CRIA. E a mudança de designação foi feita, de acordo com a direção da altura, “para refletir mais fielmente a amplitude atual das respostas sociais que vão muito além da infância”. Isto porque a instituição, ao longo dos anos, foi alargando a área de ação, passando a ser um chapéu com integração social, formação profissional, apoio a adultos com deficiência, atividades ocupacionais e lar residencial.
Hoje o CRIA é uma estrutura com um orçamento anual de 3 Milhões de Euros, com acordos com a Segurança Social, Municípios e algumas empresas, em diversas áreas da sua atividade. Tem cerca de 170 utentes nas suas várias áreas de ação e cerca de uma centena de trabalhadores, entre os cuidadores, auxiliares, técnicos superiores, professores, formadores e administrativos.
A instituição trabalha para capacitar e integrar socialmente crianças, jovens e adultos com deficiência nas suas famílias e na sociedade, oferecendo uma variedade de serviços e programas nas áreas da educação especial, no CACI - Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (a escola do CRIA), formação profissional e reabilitação profissional; lar Residencial para pessoas com deficiência que necessitem de apoio continuado; terapias diversas (ocupacional, fisioterapia, terapia da fala, hidroterapia, hipoterapia); e projetos comunitários, como intervenção precoce, ajuda alimentar, apoio familiar e programas de inclusão social.
O CRIA tem como presidente da direção Vitor Moura, secretária Maria Paula Ferrão, tesoureiro Luís Agudo e vogais, Fernando Jorge Lopes e José Carlos Veríssimo. O presidente da assembleia-geral é José Luís Silva e o presidente do conselho fiscal Luís Ablú Dias.
Tem ainda uma comissão de utentes que mais não é do que um grupo de utentes que representa todos os colegas das várias respostas sociais que funcionam na instituição.
Jerónimo Belo Jorge