Artistas e bandas como Luís Trigacheiro, Cláudia Pascoal, D.A.M.A., Iolanda, Napa e Os Quatro e Meia musicaram sonetos de Florbela Espanca para “Florbela”, álbum com direção artística de João Só, a ser editado na sexta-feira, 20 de Março.
Editado na véspera do Dia Mundial da Poesia, “Florbela” inclui 14 temas, unidos pela “lírica, as letras, o tipo de poemas”, disse o músico, produtor e compositor João Só, em declarações à agência Lusa.
“Isto é engraçado, porque da Cláudia Pascoal ao Luís Trigacheiro vai um salto musical grande, mas não sei como, o cunho da Florbela Espanca torna o disco todo mais homogéneo”, disse.
Criar músicas a partir de sonetos de Florbela Espanca (1894-1930) foi “o grande desafio” deste projeto, tendo em conta que “a baliza do soneto é difícil; a estrutura para uma canção [do] soneto é difícil”.
“E como é curto, normalmente, nuns casos repetiu-se uma parte, tivemos que ‘aldrabar’, ali um bocadinho para as canções não terem todas só um minuto. Mas a minha ['Desejos Vãos'] foi um caso meio estranho, a canção parecia que se estava a escrever a ela própria. E foi esse gatilho que me entusiasmou a aceitar o projeto”, partilhou.
Antes de aceitar assumir a direção artística, João Só quis compor uma canção, a que interpreta, “para perceber se era uma coisa que faria sentido ou não”, acabando por ficar “completamente apaixonado pela obra” de Florbela Espanca.
João Só musicou inicialmente “Desejos Vãos” desafiado por um amigo, João Afonso Oom de Sousa, que fez uma primeira seleção de cerca de 40 sonetos que poderiam ser musicados e que o músico acabou por reduzir para 14.
No processo de escolha, em alguns poemas imaginou logo quem lhes daria voz, caso de Carolina de Deus (“O Maior Bem”), dos Napa (“Amor que Morre”) e de Iolanda (“Vaidade”), outros foram os músicos que os escolheram.
Os Trovante, em 1987, popularizaram “Perdidamente”, soneto de Florbela Espanca que os Os Quatro e Meia recriaram agora para “Florbela”.
“Já os tinha visto, no nosso processo de produção dos últimos trabalhos deles, a cantar a ‘Perdidamente’ tantas vezes em contexto de camarim, de festa, por isso eu sabia que aquilo ia ter um impacto engraçado tanto no público deles como no público geral. Eles inclusive cantaram com o Luís Represas nos dois espetáculos do MEO Arena e foi um momento muito bonito”, recordou João Só.
“Florbela” fica disponível nas plataformas digitais e será editado também em CD e Vinil.
Para já não estão marcadas apresentações do álbum ao vivo, mas “a ideia é ter várias apresentações pontuais”.
“E o projeto não morre agora. Aliás, o projeto começa agora, por isso a ideia é agora [irmos] desenvolver essa estratégia toda”, disse João Só.
Uma estratégia que poderá passar pelas escolas, algo que o músico gostaria muito.
Além de João Só, Cláudia Pascoal, Iolanda, Napa, Os Quatro e Meia, Carolina de Deus, Luís Trigacheiro e os D.A.M.A., participam também, no álbum “Florbela”, Ana Mariano, Edmundo Inácio, Jorge Pitacas e Mariza Liz, Joana Espadinha, Manuel Guerra e Mimi Froes.
Lusa