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Energia: Centros de dados de Abrantes autorizados na ligação à rede, mas concorreram para aumentar a capacidade (c/áudio)

15/09/2026 às 16:01

Os dois centros de dados previstos para o concelho de Abrantes concorreram ao procedimento nacional aberto pelo Governo para atribuir capacidade elétrica a grandes consumidores. O resultado ainda não é conhecido, mas deverá haver uma definição sobre o sistema de seleção até ao final do ano, anunciou a ministra do Ambiente e Energia.

Maria da Graça Carvalho falava durante uma visita ao Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, onde reuniu com o Município de Abrantes e analisou vários projetos estratégicos para o concelho e para a região.

Segundo a governante, os dois centros de dados previstos para Abrantes já possuem autorização para uma ligação à rede elétrica, mas apresentaram candidaturas para aumentar a potência disponível no âmbito da Zona de Grande Procura aberta a todo o território continental.

«Os centros de dados já têm uma autorização para uma ligação à rede, mas concorreram para aumentar a capacidade nesta Zona de Grande Procura nacional. Concorreram os dois», confirmou Maria da Graça Carvalho.

 

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente 

Foto: Mediaon | Marina Gonçalves

A ministra explicou que a capacidade de ligação à rede é um «bem escasso» e que o procedimento recebeu um número elevado de candidaturas, sobretudo de centros de dados. O Governo encontra-se agora a definir o modelo de seriação dos projetos.

«Ainda não há resultado. Está a ser analisado, mas temos de ter também, entre todos os outros critérios que vamos usar para essa decisão, o critério das condições especiais desta zona», afirmou.

Maria da Graça Carvalho adiantou que o resultado demorará «mais algum tempo», mas apontou para uma decisão em breve. Questionada sobre se o modelo de seleção ficará definido ainda este ano, respondeu: «Penso que sim. Pelo menos, qual é o sistema que vamos utilizar será definido este ano».

A ministra revelou que o Governo pretende dar prioridade aos projetos industriais reconhecidos como Projetos de Potencial Interesse Nacional. Os centros de dados, apesar de poderem beneficiar do estatuto PIN, não são considerados «PIN industriais».

«Vamos dar prioridade aos projetos PIN industriais. Os data centers não são considerados PIN industriais e depois temos de ver a seriação dos outros projetos», explicou.

A governante defendeu que a instalação dos dois centros de dados pode ser importante para Abrantes, mas alertou para a necessidade de não desvalorizar os investimentos industriais, por apresentarem, em regra, maior capacidade de criação de emprego e riqueza.

«Há também aqui os planos de ter dois centros de dados, que são importantes, mas não podemos menosprezar a parte industrial, porque é aquela que, em princípio, ainda cria mais riqueza e mais postos de trabalho do que os centros de dados», sustentou.

 

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente 

Foto: Mediaon | Marina Gonçalves

Maria da Graça Carvalho garantiu que o Ministério será «muito criterioso» na apreciação dos centros de dados, identificando três condições fundamentais: disponibilidade de capacidade elétrica, solução sustentável para o abastecimento de água e avaliação rigorosa dos impactos ambientais.

«Não pode existir uma utilização de água em zonas de escassez hídrica», advertiu, considerando, contudo, que a proximidade do rio Tejo poderá favorecer os projetos de Abrantes.

A terceira exigência será a avaliação pela Agência Portuguesa do Ambiente. Segundo a ministra, os critérios ambientais aplicados aos centros de dados serão tão rigorosos como os exigidos aos projetos industriais e a outros grandes investimentos.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, defendeu que o concelho reúne condições especiais para receber investimentos industriais, centros de dados e projetos de produção de energia.

O autarca destacou a capacidade elétrica existente no Pego, a disponibilidade de água e terrenos, assim como o conhecimento acumulado na região nas áreas da indústria e da energia.

«Temos de saber aproveitar o momento, de forma consciente, equilibrada e com bom senso, com estudos de impacto ambiental», afirmou, acrescentando que o Município apoiará os investimentos que contribuam para o desenvolvimento económico.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes 

Foto: CMA

Valamatos ressalvou, porém, que existem diferentes modelos de centros de dados. Alguns concentram-se essencialmente na instalação de equipamentos, enquanto outros necessitam de mais trabalhadores durante a fase de funcionamento.

«Temos de olhar para os diferentes projetos e perceber a causa e o efeito. Aquilo que valorizamos verdadeiramente é a criação de postos de trabalho, porque isso é que cria riqueza e dinâmica económica», declarou.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

Foto: Mediaon | Marina Gonçalves

O presidente da Câmara voltou também a defender uma compensação económica para Abrantes pelo encerramento da Central Termoelétrica do Pego.

«A descarbonização tem de acontecer e é importante para o planeta, mas há uns que pagam essa fatura e nós pagámos a fatura da descarbonização de forma muito pesada do ponto de vista económico», afirmou.

Manuel Jorge Valamatos considera que o concelho deve agora beneficiar da infraestrutura elétrica que permaneceu no Pego, procurando recuperar os níveis de atividade económica e emprego perdidos com o encerramento da central a carvão.

O objetivo, acrescentou, é alcançar uma coexistência entre a indústria e os centros de dados, desde que os projetos respeitem as exigências ambientais e produzam benefícios económicos para a população.

Procedimento recebeu pedidos para 5,6 gigawatts

O procedimento da Zona de Grande Procura foi criado pelo Governo para distribuir a capacidade disponível na rede elétrica por grandes consumidores, nomeadamente centros de dados, unidades industriais eletrointensivas e projetos de hidrogénio.

Não se trata de um concurso para produzir ou vender eletricidade, mas para obter o direito de ligar grandes instalações de consumo à rede pública.

Foram apresentadas 29 manifestações de interesse, que totalizam cerca de 5,6 gigawatts, maioritariamente associadas a centros de dados.

Este procedimento é diferente do leilão da capacidade remanescente do Pego, destinado a projetos de produção e armazenamento de energia. É também distinto da parcela de capacidade que o Governo pretende reservar para a Zona Livre Tecnológica de Abrantes, destinada a projetos experimentais e tecnológicos.

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