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Pego: Governo adia leilão de capacidade para armazenamento de energia

14/09/2026 às 20:52

O Governo adiou por algumas semanas o leilão para atribuição de 1.050 megavolt-ampere (MVA) de capacidade de ligação à rede elétrica a projetos com armazenamento, cujo lançamento estava previsto para hoje, anunciou a ministra do Ambiente e Energia.

"Tivemos 62 participações, cada uma delas com vários contributos, e, portanto, estamos a incorporar e a analisar cada um desses contributos", disse hoje Maria da Graça Carvalho, justificando o adiamento.

A governante falava aos jornalistas no Tagusvalley - Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes, distrito de Santarém, no final de uma visita a convite do município, que incluiu uma reunião sobre energia, ambiente e projetos estruturantes para Abrantes e o Médio Tejo.

"Está a demorar um pouco mais, era para sair hoje, mas vai sair nas próximas semanas", afirmou a ministra, apontando para um prazo de "três, quatro semanas".

O processo abrange dois concursos, um para atribuição de 750 MVA a instalações de armazenamento autónomo e outro para 300 MVA de capacidade destinada a centros eletroprodutores renováveis associados a armazenamento.

Apresentados pelo Governo no final de junho, os procedimentos estiveram em consulta pública, estando inicialmente previsto que as candidaturas abrissem hoje.

No caso de Abrantes, Maria da Graça Carvalho anunciou ainda que parte da capacidade disponível no Pego será atribuída à Zona Livre Tecnológica (ZLT), criada no âmbito do processo de transição justa após o encerramento, em 2021, da central termoelétrica a carvão.

"Ficou hoje aqui também decidido que haverá uma parte que será atribuída à Zona Livre Tecnológica", afirmou.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, disse estar "expectante" quanto ao concurso e considerou que a capacidade remanescente do ponto de injeção tem "um potencial incrível de atração", tanto para produtores como para consumidores de energia.

O autarca defendeu que o território deve aproveitar a disponibilidade de energia, água, terrenos e conhecimento acumulado para captar projetos industriais, centros de dados e novos investimentos em produção energética que criem emprego e dinamizem a economia.

O Pego está em processo de reconversão depois de a Endesa ter vencido, em 2022, o concurso de transição justa lançado na sequência do encerramento da produção a carvão.

A energética prevê iniciar em 2027 a construção de um projeto com cerca de 600 megawatts (MW) de capacidade híbrida renovável, combinando energia eólica, solar e armazenamento, num investimento estimado em 600 milhões de euros.

Questionada sobre o ritmo da reconversão, Maria da Graça Carvalho afirmou que o Governo gostaria que o projeto "andasse o mais depressa possível", reconhecendo limitações técnicas e de licenciamento.

C/ Lusa

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