Antena Livre
Deseja receber notificações?
Município Abrantes
PUB

Caça: Mação prepara medidas para reduzir população de javalis e quer integrar projeto-piloto do Governo (c/áudio)

12/09/2026 às 11:27

O Município de Mação vai avançar com a constituição do Conselho Cinegético Municipal e pretende definir, dentro de 15 dias, medidas concretas para reduzir a população de javalis no concelho. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, José Fernando Martins, em declarações à Antena Livre, cerca das 21 horas desta sexta-feira, após uma reunião com oito das nove associações de caçadores com atividade no território.

O autarca considerou que a elevada participação demonstra a preocupação existente com a aproximação dos javalis às localidades.

“Os javalis estão a aproximar-se das localidades, entraram dentro da vila de Mação e das nossas aldeias”, afirmou José Fernando Martins, sublinhando que o objetivo da reunião foi encontrar, em conjunto com o ICNF e as associações, soluções para minimizar os prejuízos e os riscos para a população.

Apesar de ainda não terem sido aprovadas medidas para aplicação imediata, ficou agendada uma nova reunião de trabalho para daqui a 15 dias. Até lá, as associações deverão discutir internamente as propostas apresentadas e ouvir os respetivos associados.

Segundo o presidente da Câmara, uma das soluções deverá passar pela chamada correção extraordinária de densidades, autorizada pelo ICNF e conhecida entre os caçadores como recurso aos “selos vermelhos”.

A redução da população poderá ser feita através da caça durante os períodos legalmente estabelecidos e de ações extraordinárias, utilizando diferentes métodos, como batidas, montarias ou esperas, de acordo com as autorizações concedidas.

José Fernando Martins garantiu o “empenhamento máximo” da Câmara e admitiu a criação de apoios municipais, nomeadamente para ajudar a suportar despesas com a contratação de matilhas. Entre as propostas em análise está também a instalação de uma câmara frigorífica para armazenamento dos animais abatidos.

“Este problema não se resolve só com dar dinheiro para se fazer caça ou por cada animal abatido. É importante saber onde vamos colocar as carcaças e pensar no escoamento”, explicou o autarca.

Outra possibilidade passa pela criação de incentivos para que mais jovens obtenham carta de caçador. O presidente da Câmara alertou para o envelhecimento dos atuais praticantes e para a falta de renovação geracional na atividade cinegética.

Conselho Cinegético Municipal vai ser constituído

A autarquia vai ainda iniciar o processo de constituição do Conselho Cinegético Municipal, estrutura que não se encontra atualmente ativa em Mação.

José Fernando Martins considera que este órgão poderá assegurar suporte legal e logístico às medidas, facilitar o diálogo com as associações e manter o problema dos javalis na agenda municipal.

O ICNF deverá continuar a participar nas próximas reuniões, por ser a entidade responsável pela coordenação destas matérias e pela autorização das ações extraordinárias de controlo das populações.

Mação quer integrar projeto-piloto

O presidente da Câmara revelou ainda que o problema foi debatido na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e defendeu a inclusão de Mação no projeto-piloto que está a ser preparado pelo Governo.

“Espero que Mação venha a ser incluído nesta proposta de projeto-piloto, porque é importante que se olhe para este território e que se possa fazer algo mais do que aquilo que tem sido feito até agora”, afirmou.

José Fernando Martins alertou que a presença de javalis dentro das localidades deixou de ser um caso isolado e constitui um problema crescente em vários pontos do país. O próprio autarca revelou já ter encontrado animais no quintal da sua residência.

“Os javalis estão cada vez mais próximos e mais dentro dos agregados populacionais. Se este problema tem três ou quatro anos, uma década será muito tempo e a proliferação será muito maior”, advertiu.

José Fernando Martins, presidente CM Mação

O Ministério da Agricultura e Mar está a preparar um projeto-piloto que prevê o pagamento de um valor por cada javali abatido através da caça nas zonas onde seja identificado um excesso de animais.

O ministro José Manuel Fernandes confirmou a existência de um estudo da Universidade de Aveiro que identifica os territórios com maior concentração da espécie. A escolha das áreas abrangidas será feita com base em critérios técnicos.

Continuam por conhecer o valor a pagar por cada animal, as condições de acesso ao incentivo, o calendário da experiência e os territórios que integrarão a primeira fase. A medida pretende reduzir os prejuízos agrícolas e os riscos para a segurança rodoviária provocados pelo aumento da população de javalis.

Partilhar nas redes sociais:
Partilhar no X
PUB
Capas Jornal de Abrantes
Jornal de Abrantes - setembro 2026
Jornal de Abrantes - setembro 2026
PUB