A Casa do Povo de Mouriscas promoveu este sábado uma sessão de esclarecimento e treino aberto de Walking Football, uma modalidade destinada a pessoas com mais de 50 anos que alia atividade física, convívio e envelhecimento saudável.
A iniciativa decorreu na Herdade da Murteira, em parceria com a Associação de Futebol de Santarém, Fundação Benfica e Escola Profissional de Densenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), e poderá ser o ponto de partida para a criação de duas equipas na freguesia: uma de cariz competitivo e outra mais lúdica e recreativa.
Estiveram presentes a vereadora com o pelouro da Ação Social do Município de Abrantes, Raquel Olhicas, o assessor para o Desporto, Nuno Gomes, e a presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas Paula Lopes. No momento, Raquel Olhicas, destacou a importância desta modalidade lúdica poder crescer para as instituições que tratam dos idosos no concelho de Abrantes.

José Madrinha, da Fundação Benfica, explicou que o Walking Football é uma variante adaptada do futebol tradicional, sem corrida e sem contacto físico, que permite a prática desportiva por pessoas que já não conseguem acompanhar a intensidade do futebol convencional.
“As regras são ligeiramente diferentes, porque a mobilidade de uma pessoa de 50 anos não é a mesma de uma pessoa de 80 ou 90 anos, e por isso são mais ligeiras, as pessoas divertem-se mais, fazem daquilo uma festa, na área competitiva não é bem assim, quando começamos a série toda a gente teve o bichinho e quer ganhar, pois toda a gente diz que a outra equipa correu”, revelou José Madrinha.
Segundo o responsável, a modalidade promove a saúde física e mental, o convívio e a qualidade de vida, sendo uma importante ferramenta para o envelhecimento ativo. “A parte lúdica, ou a parte recreativa, é uma parte de lazer das pessoas, no fundo algumas com 90 anos, nós tivemos, por exemplo, na Fundação Benfica, uma senhora com 90 anos que andava lá todas as sextas-feiras a treinar, a brincar, a passar o tempo, mas aquilo para ela era uma alegria andar de um lado para o outro, no fundo é isso um bocado.”
José Madrinha mostrou-se satisfeito com o interesse demonstrado em Mouriscas e considerou que o concelho de Abrantes tem condições para desenvolver várias equipas nos próximos anos.
José Madrinha

Também Luís Guedes, da Associação de Futebol de Santarém, destacou o crescimento da modalidade no distrito, onde já existem dez equipas distribuídas por oito entidades, entre clubes, universidades seniores e autarquias.
“É bom sinal este tipo de encontros, de demonstrações para tentar chamar pessoas ex-praticantes de futebol, grande parte deles, a virem gastar-se, ganhar, eu diria mais ganhar um bocadinho de tempo de boa saúde aqui aos fins de semana.”
O dirigente acredita que Abrantes poderá integrar em breve este movimento, sublinhando que o Walking Football oferece uma oportunidade para antigos praticantes continuarem ligados ao futebol de forma segura e adaptada à idade. Luís Guedes revelou ainda que a Associação de Futebol de Santarém está disponível para apoiar novas entidades interessadas em aderir à modalidade.
Luís Guedes

Por sua vez, Ana Pedro, presidente da Casa do Povo de Mouriscas, explicou que a iniciativa surgiu da necessidade de criar respostas desportivas adequadas a uma população cada vez mais envelhecida. “Não temos oferta para eles, e foi nesse sentido que esta iniciativa surgiu. Acho que é uma mais-valia para a nossa comunidade, porque efetivamente não existe aqui, existe em concelhos, mas no nosso não. Achámos que faria todo o sentido fazê-lo, achámos que é uma mais-valia, na verdade”, revelou.
A dirigente confirmou a intenção de avançar com duas equipas, uma competitiva e outra recreativa, envolvendo não só antigos futebolistas da freguesia, mas também utentes de instituições locais, como o lar da freguesia.
Ana Pedro mostrou-se satisfeita com a adesão registada nesta primeira experiência e revelou que os participantes manifestaram vontade de voltar a reunir-se dentro de duas semanas para continuar os treinos.
Ana Pedro indicou que a coletividade semeou, “mas sem as pessoas nós não fazemos nada. Ver essa força de vontade da parte deles (praticantes) é mais importante do que qualquer coisa, porque sem os jogadores não vale a pena nós termos as iniciativas que tivermos. Acho que o grupo que aqui se formou hoje está empenhado nisso, está com vontade disso, e portanto acho que tem tudo para resultar, tem tudo para dar certo.”
A responsável destacou ainda a colaboração estabelecida com a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, que disponibilizou as suas instalações para a prática da modalidade.
Ana Pedro

O Walking Football nasceu em Inglaterra e tem registado um crescimento significativo em Portugal, especialmente após o envolvimento da Federação Portuguesa de Futebol. Destinado a maiores de 50 anos, promove a atividade física regular, o convívio social e a inclusão, mantendo viva a paixão pelo futebol de uma forma segura e acessível a todas as idades.
Galeria de Imagens