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A. MatosCar
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Abrantes: Tagusvalley reforça regras de admissão após caso Polyfarchemi. Câmara garante que não existiam sinais de atividade ilícita (c/áudio)

24/06/2026 às 14:47

A direção do Tagusvalley [Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes] garantiu que não existiam indícios que permitissem suspeitar das alegadas atividades ilícitas atribuídas à empresa Polyfarchemi, visada numa recente acusação do Ministério Público relacionada com uma alegada rede internacional de tráfico de droga e branqueamento de capitais.

O assunto foi debatido na última reunião da Câmara Municipal de Abrantes, onde o presidente da autarquia e da direção do Tagusvalley, Manuel Jorge Valamatos, prestou esclarecimentos sobre a presença da empresa no parque tecnológico e sobre as diligências realizadas pelas autoridades.

Segundo explicou o autarca, a Polyfarchemi instalou-se no Tagusvalley em setembro de 2022, apresentando um projeto industrial ligado à produção de polímeros destinados aos setores aeronáutico e aeroespacial, atividade enquadrada nos objetivos do Parque de Ciência e Tecnologia.

De acordo com a informação transmitida pelo diretor-executivo do Tagusvalley, Pedro Saraiva, à direção do parque a empresa cumpriu os procedimentos normais de admissão e apresentou a documentação necessária para a instalação num espaço de aceleração empresarial. Durante o período em que permaneceu nas instalações, não foram identificados elementos que levantassem suspeitas quanto à legalidade da sua atividade.

Em agosto de 2023, a Polícia Judiciária realizou diligências nas instalações da empresa. O Tagusvalley colaborou com as autoridades e forneceu todos os esclarecimentos solicitados, tendo sido informado de que o processo se encontrava sob segredo de justiça.

“Fui informado pelo diretor-executivo da presença da Polícia Judiciária em 2023. O que nos foi transmitido foi que existia sigilo completo. Nunca falei com a Polícia Judiciária, nunca falei com o Ministério Público e nunca mais soubemos de nada até às notícias agora divulgadas”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.

O presidente da Câmara explicou ainda que a empresa estava instalada num espaço de aceleração empresarial e não numa incubadora, sublinhando que existem diferenças significativas entre os dois modelos de acolhimento.

“Na incubação existe acompanhamento técnico permanente dos projetos. No acelerador de empresas isso não acontece. As empresas têm maior autonomia e não existe contacto diário com os seus procedimentos internos”, referiu.

Segundo o autarca, os equipamentos destinados à produção de polímeros chegaram a estar instalados no parque tecnológico durante cerca de nove meses, mas, ao que tudo indica, a atividade industrial nunca chegou a iniciar-se em pleno.

Depois das explicações, no seu período de intervenção, o vereador João Morgado, eleito pelo PSD, manifestou preocupação com o caso, mas considerou que a situação não resulta necessariamente de falhas específicas do Tagusvalley.

O eleito explicou que procurou recolher informações junto de outros centros de inovação e incubação empresarial, concluindo que os mecanismos atualmente existentes não permitem um controlo permanente sobre a atividade desenvolvida pelas empresas instaladas.

“Percebi que isto aconteceu ao Tagusvalley, mas podia ter acontecido em qualquer outra parte. Os centros de incubação e aceleração não estão constantemente a fiscalizar aquilo que as empresas fazem, porque também existe a necessidade de lhes dar autonomia para desenvolverem os seus projetos”, afirmou.

Ainda assim, João Morgado defendeu que o episódio deve servir para retirar ensinamentos e reforçar mecanismos de prevenção, questionando a direção do parque tecnológico sobre as medidas que poderão ser adotadas para dificultar a instalação de organizações criminosas sob a aparência de projetos empresariais legítimos.

Face ao caso, a direção do Parque de Ciência e Tecnologia anunciou já alterações aos procedimentos de admissão de empresas.

Segundo o esclarecimento apresentado na reunião camarária, o Tagusvalley passou a adotar mecanismos concursais para a atribuição de espaços de aceleração empresarial e reforçou os critérios de avaliação dos projetos candidatos.

A direção do parque tecnológico sustenta que a acusação agora tornada pública descreve uma alegada organização criminosa internacional com elevados recursos financeiros, estrutura sofisticada e capacidade para aparentar legalidade através da utilização de empresas, documentação, certificações e operações internacionais.

“O Tagusvalley não é uma entidade de investigação criminal, não exerce funções inspetivas nem dispõe dos poderes legalmente atribuídos às autoridades competentes para fiscalizar cadeias internacionais de importação e exportação ou verificar a autenticidade da documentação apresentada”, refere a nota divulgada pela instituição.

A mesma informação sublinha que a acusação do Ministério Público não atribui qualquer responsabilidade ao Parque de Ciência e Tecnologia nem ao Município de Abrantes.

Apesar disso, a administração considera que o caso deve servir como oportunidade para reforçar procedimentos internos e aperfeiçoar os mecanismos de seleção e acompanhamento dos projetos empresariais instalados no parque tecnológico.

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