Associações empresariais defenderam hoje, em Tomar, mais apoios e rapidez na chegada das medidas às empresas afetadas pela tempestade Kristin, alertando que os danos em zonas industriais do Médio Tejo são semelhantes aos de Leiria, mas com menor visibilidade.
“Quem anda no terreno verifica que o grau de destruição das empresas nestes concelhos é semelhante ao que se passa na Marinha Grande e em Leiria”, afirmou o presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), referindo as zonas industriais de Ourém, Caxarias, Ferreira do Zêzere e Tomar, municípios onde, duas semanas após a tempestade, persistem cerca de 7.000 pessoas sem energia em Ourém, 2.500 em Ferreira do Zêzere e mil em Tomar, e centenas de empresas paralisadas, com os apoios ainda por chegar.
José Eduardo Carvalho esteve hoje presente na conferência de imprensa realizada na sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, em Tomar, distrito de Santarém, na qual representantes dos municípios de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, a par da associação empresarial Nersant, apresentaram o balanço do impacto da depressão Kristin na região.
Questionado sobre as medidas de apoio já anunciadas pelo Governo, Carvalho sublinhou que, embora positivas, continuam insuficientes, reivindicando soluções adicionais.
José Eduardo Carvalho, presidente AIP

Entre as propostas destacam-se a introdução imediata de apoios a fundo perdido e a extensão do apoio de 10 mil euros – atualmente apenas disponível para a agricultura e a floresta – a outros setores, moratórias fiscais com duração mínima de seis meses, simplificação do lay-off, aceleração de linhas de crédito e incentivos já contratados, e celeridade nos apoios à reconstrução das empresas mais afetadas.
Sobre a evolução das medidas desde a reunião do dia 02 de fevereiro, Carvalho disse que os apoios ainda não começaram a ser desbloqueados.
“Até agora, aquilo que foi apresentado e publicado é tudo o que existe. Amanhã teremos uma reunião em Leiria e na Figueira da Foz com a Unidade de Missão, o IAPMEI e o Banco Fomento, e esperamos que sejam clarificadas e implementadas as medidas reivindicadas” declarou.
José Eduardo Carvalho, presidente AIP

Por outro lado, defendeu, “há necessidade urgente de aliviar a burocracia e garantir que os apoios a fundo perdido, as moratórias e a celeridade nos empréstimos cheguem efetivamente às empresas mais afetadas”.
“É imperioso que as medidas e apoios no terreno considerem e a realidade do Médio Tejo, onde a destruição em zonas industriais é grave e a recuperação depende de rapidez na execução das linhas de crédito e da dispensa de controlos administrativos prévios em obras públicas e privadas, tal como ocorreu em situações de calamidade anteriores”, defendeu.
O presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém – Nersant, Rui Serrano, indicou que os setores mais afetados são a agroindústria, a indústria transformadora e a construção, devido à exposição a intempéries, dependência de cadeias logísticas e transportes rurais interrompidos.
Rui Serrano, presidente NERSANT

O dirigente anunciou hoje a criação de uma estrutura informal de acompanhamento do impacto económico da depressão Kristin, em cooperação com a AIP, a CIM do Médio Tejo e os municípios afetados.
Entre os objetivos estão a identificação contínua de problemas, a avaliação das medidas de apoio já anunciadas, a monitorização da execução no terreno, a proposição de novas intervenções e a coordenação institucional entre associações e municípios.
Desde 28 de janeiro, quinze pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
C/ Lusa
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