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Abrantes: Centro de Dados EDC Port 1«não pretende captar água do rio Tejo» (c/áudio)

7/11/2026 às 11:03

É um dos dois grandes projetos de centros de dados anunciados para Abrantes. Chama-se agora EDC Port 1, anteriormente EDC One, e representa um investimento anunciado de sete mil milhões de euros.

A dimensão do empreendimento tem suscitado expectativas quanto ao investimento e à criação de emprego, mas também dúvidas e críticas relacionadas com o consumo de eletricidade, a utilização de água, o ruído e os impactos no território.

Num webinar realizado esta quarta-feira, dia 4 de novembro, Ricardo Eiras, responsável pela gestão do projeto e operações, participou numa discussão pública sobre os desafios ambientais dos centros de dados.

O técnico reconheceu que há preocupações legítimas e admitiu que o setor tem de comunicar melhor com as populações.

O projeto começou a ser preparado há quatro anos e continua em fase de estudos.

 

O local escolhido corresponde à antiga instalação industrial da RPP Solar, um projeto que ficou por concluir em 2012.

Ricardo Eiras explicou que a escolha pretende aproveitar infraestruturas já existentes, numa área de cerca de 25 hectares, onde permanecem aproximadamente 30 mil metros quadrados de construções e infraestruturas abandonadas.

Mas é a utilização de água que tem concentrado uma parte importante das preocupações ambientais.

E sobre essa questão, o responsável deixa uma garantia: o EDC Port 1 não pretende captar água do rio Tejo.

 

A explicação foi aprofundada durante o período de perguntas do webinar.

Ricardo Eiras afirmou que os centros de dados preparados para a próxima geração de computação podem utilizar sistemas de refrigeração em circuito, sem depender de grandes volumes de água para arrefecimento.

Para explicar a tecnologia, recorreu a uma comparação com o radiador de um automóvel.

 

A ausência de captação de água do Tejo não significa, contudo, que o empreendimento não tenha consumo hídrico.

O responsável apontou uma necessidade estimada de cerca de 50 metros cúbicos por dia, essencialmente para utilização humana, associada a um complexo que, nas três fases previstas, poderá contar com cerca de 500 trabalhadores.

São aproximadamente 50 mil litros diários.

 

Mas se a tecnologia permite reduzir o consumo de água, qual é o preço a pagar em termos de eletricidade?

Ricardo Eiras reconheceu que, em dias de temperaturas muito elevadas, como acontece frequentemente na região de Abrantes, os sistemas de arrefecimento a seco precisam de mais energia para funcionar.

É uma das contrapartidas da solução tecnológica escolhida.

 

A eletricidade é, aliás, outra das questões centrais no debate sobre a instalação de grandes centros de dados.

São infraestruturas com necessidades energéticas muito elevadas, que exigem novas ligações à rede e investimentos em capacidade elétrica.

Ricardo Eiras assegurou que os custos das infraestruturas de ligação são assumidos pelos promotores, depois dos procedimentos técnicos e contratuais com os operadores da rede.

O responsável reconheceu que isso não significa necessariamente uma redução da fatura de eletricidade dos consumidores.

 

Outro dos receios prende-se com o ruído provocado pelos equipamentos de refrigeração e ventilação.

O responsável pelo EDC Port 1 explicou que o empreendimento ficará do lado oposto à antiga Central Termoelétrica do Pego, perto do novo posto de corte de Abrantes.

Segundo os cálculos apresentados pelo promotor, a habitação mais próxima encontra-se a cerca de um quilómetro e meio, estando previsto um limite de ruído de 45 decibéis.

 

O investimento também foi apresentado como uma oportunidade para a economia local, numa região marcada pelo encerramento da Central a Carvão do Pego.

Ricardo Eiras revelou a existência de um acordo para desenvolver habitação na Colina do Tejo, destinada a responder às necessidades dos primeiros 280 trabalhadores.

Uma preocupação que, segundo o responsável, resulta da experiência de outros territórios que receberam grandes investimentos e enfrentaram posteriormente dificuldades no mercado habitacional.

Ao longo da intervenção, Ricardo Eiras reconheceu que os projetos de centros de dados precisam de demonstrar a sua sustentabilidade ambiental, económica e social.

Garantiu que o EDC Port 1 está a desenvolver um estudo ambiental que abrange as quatro estações do ano, para avaliar as condições climáticas e otimizar a localização e o funcionamento dos equipamentos.

Confirmou também que está a ser preparado o Estudo de Impacte Ambiental, que será submetido aos procedimentos legalmente exigidos.

O responsável mostrou-se disponível para receber associações, cidadãos e outras entidades no local onde o empreendimento está previsto, defendendo que o setor precisa de maior transparência.

Mas há questões que continuam por esclarecer publicamente, nomeadamente a potência elétrica total prevista, o calendário de construção das diferentes fases, os consumos globais de energia e os impactos cumulativos dos dois projetos de centros de dados anunciados para Abrantes.

O EDC Port 1 mantém-se, por agora, em fase de planeamento.

E as garantias apresentadas pelo promotor terão ainda de ser confrontadas com os estudos ambientais, os procedimentos de licenciamento e as avaliações das entidades competentes.

 

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