A Guarda Nacional Republicana sinalizou, até 30 de abril, 8.548 terrenos por falta de limpeza, para prevenir fogos rurais, a somar aos das tempestades na região centro, e registou mais ocorrências e detidos, revelou a força de segurança.
Segundo avançou à Lusa a GNR, no âmbito da operação Floresta Segura, até 30 de abril realizaram-se “8.548 sinalizações de terrenos para serem limpos, sendo que, no período homólogo, em 2025, foram realizadas 10.417 sinalizações”.
Nas sinalizações por distrito, Leiria lidera com 1.908 (2.606 até 30 de abril de 2025), seguido de Bragança com 1.213 (1.162), Santarém com 667 (941), Viseu com 526 (798) e Coimbra com 501 (818), enquanto Évora é o menos sinalizado, com 43 terrenos (51 em 2025).
No entanto, apesar das sinalizações relacionadas com a gestão de combustíveis serem menores este ano, Ricardo Vaz Alves, da direção do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (Sepna), explicou que a GNR teve “um reforço” da sua atividade no âmbito da tempestade Kristin, nos distritos de Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Santarém, que resultaram “à volta de 3.100 monitorizações” de “carga combustível que não foi recolhida dos terrenos”.
“Se juntarmos uma com a outra [Floresta Segura e Kristin], vai dar a mesma coisa”, pois “na realidade, nós tivemos que mobilizar meios para aquele setor e daí também termos menos” na gestão de combustível, acrescentando que, “só no âmbito da Kristin, Leiria tem 2.100” sinalizações, o que representa “uma estabilização entre as 10 e 11 mil” sinalizações anuais.
Em termos operacionais, desde o início do ano, o porta-voz da GNR, Carlos Manuel Canatário, avançou que se registaram, até 30 de abril, “2.008 ocorrências de incêndio rural, em comparação com 764 ocorrências no período homólogo de 2025”, registando-se 8.976,4 hectares (ha) de área ardida, comparativamente aos 3.418,4 ha no período homólogo do ano transato.
E se, até 30 de abril de 2025, a GNR registou 33 autos de contraordenações a queimadas ilegais, 88 autos a queimadas, queimas e fogueiras diversas, com 14 pessoas detidas, no mesmo período deste ano “foram registados 56 autos de contraordenações a queimadas ilegais, bem como 102 autos de contraordenações a queimadas, queimas e fogueiras diversas (dados provisórios), tendo sido detidas 76 pessoas”.
A estes dados oficiais, relacionados com “mais ocorrências, muito mais detidos e muito mais área ardida”, o diretor do Sepna avançou que, à data de hoje, oito dias após o final de abril, a GNR já contabiliza “81 detidos” e remeteu os ficheiros de georreferenciação com as áreas por limpar para os municípios e as entidades gestoras de infraestruturas para a regularização da situação, apesar de os prazos para limpeza ainda decorrerem.
“As queimas e queimadas são a causa que contribui mais para as ocorrências, pois entre 67% a 70% das causas investigadas [de incêndios] são devido a queimas e queimadas, o que é muito significativo para a data em que estamos”, salientou Vaz Alves.
De acordo com Carlos Canatário, “a proteção de pessoas e bens, no âmbito dos incêndios rurais, continua a assumir-se como uma das prioridades estratégicas para a GNR, sustentada numa atuação preventiva e num reforço de patrulhamento nas áreas florestais”.
O porta-voz concluiu que, através do Sepna, a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) funciona em permanência para a “denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas”.
Os prazos para os trabalhos de gestão de combustível na rede secundária, no âmbito das medidas de prevenção de incêndios rurais, foram estipulados até 31 de maio, em geral, e até 30 de junho nos concelhos abrangidos por declaração de calamidade, devido às tempestades de janeiro e fevereiro, mediante despacho dos secretários de Estado da Proteção Civil e das Florestas.
Lusa