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A. MatosCar
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Mau tempo: Mação mantém falhas nas telecomunicações cinco meses após intempéries

26/06/2026 às 19:17

Cinco meses após a tempestade Kristin e as cheias do Tejo, Mação continua com falhas nas telecomunicações, postes caídos e cabos pelo chão, e estima prejuízos em cerca de 6 milhões de euros (ME), indicou hoje o município.

“É vergonhoso aquilo que se está a passar no concelho, […] ainda há gente sem comunicação em algumas zonas”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Mação, no distrito de Santarém.

José Fernando Martins sublinhou que, apesar de a eletricidade estar restabelecida e de as estradas municipais e caminhos florestais terem sido limpos, persistem problemas nas comunicações e em infraestruturas sob responsabilidade de entidades externas.

Afirmando que “não há evolução” na resolução das falhas nas telecomunicações, o autarca criticou aquilo que considera ser “um desprezo pelos territórios”, com impactos no funcionamento de serviços como bombeiros e proteção civil.

O presidente da Câmara apontou falhas persistentes em localidades como o Carvoeiro, onde “ainda não há fibra”, e na freguesia da Amêndoa, onde as interrupções de rede são frequentes e afetam também a atividade das empresas.

“Vergonhosamente, ainda há postes pelo chão e cabos caídos, e ninguém dá a cara”, afirmou, criticando a falta de resposta das operadoras e a ausência de calendarização para intervenções.

José Fernando Martins disse já ter levado o problema às autoridades nacionais, através de um memorando entregue durante a visita do Presidente da República a Mação, a 07 de abril, mas garante que lhe foi transmitido que a situação estaria resolvida, o que não aconteceu.

O autarca criticou também a atuação da Infraestruturas de Portugal, referindo a ausência de reposição de sinais de trânsito e placas direcionais em várias vias do concelho.

Ao fazer um balanço dos danos, estimou cerca de 6 milhões de euros de prejuízos em bens públicos, incluindo equipamentos municipais, juntas de freguesia e associações culturais e desportivas.

Segundo indicou, os privados estão a receber apoios, com 207 candidaturas aprovadas no valor de 1,2 ME, mais de metade já pagos, enquanto o município recebeu cerca de 600 mil euros em adiantamentos para o setor público.

O autarca reconheceu dificuldades na recuperação de equipamentos municipais devido à falta de empreiteiros e mão de obra, o que obrigou o município a recorrer a fundos próprios para intervenções urgentes em escolas, vias e no quartel dos bombeiros de Cardigos.

Está também em curso uma linha de apoio florestal de cerca de 200 mil euros para remoção de madeira caída em propriedades privadas, processo ainda em fase inicial.

As praias fluviais do concelho foram reabertas a 13 de junho, após intervenções municipais para reparação dos danos causados pelas intempéries, que afetaram também infraestruturas ribeirinhas como os passadiços da Ortiga, ainda sem solução definitiva.

“Temos agora a Feira Mostra de Mação, que arranca em julho, e que será uma oportunidade para unir as pessoas, pensar Mação e relançar o concelho”, afirmou José Fernando Martins, defendendo que estes momentos devem servir também para uma reflexão mais ampla.

“É preciso uma reflexão estratégica nacional para tornar os territórios mais resilientes a este tipo de fenómenos”, afirmou.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a 5 mil milhões de euros.

Lusa

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