O proTEJO – Movimento pelo Tejo exige que seja disponibilizada às populações informação sobre o Plano de Emergência Interno da Barragem de Castelo de Bode e defende a realização de sessões públicas e simulacros de evacuação nos seis concelhos abrangidos pela instalação do novo sistema de sirenes.
Em comunicado, o movimento ambientalista reconhece como positiva a instalação de mais de 30 postos de sirene em Abrantes, Chamusca, Constância, Golegã, Tomar e Vila Nova da Barquinha, mas considera que a colocação dos equipamentos deve ser acompanhada por informação sobre a forma como as populações devem agir em caso de emergência.
Segundo o proTEJO, até ao momento a EDP não realizou sessões de esclarecimento junto das populações abrangidas e continua sem ser conhecido um calendário para essas ações ou para a realização de simulacros.
“Uma sirene instalada sem que a população saiba o que fazer quando ela toca” é insuficiente para garantir a segurança, sustenta o movimento, defendendo que as pessoas que vivem a jusante da barragem devem conhecer os sinais de aviso, procedimentos de autoproteção, pontos de encontro e rotas de evacuação.
Uma das principais reivindicações é a divulgação de um resumo acessível do Plano de Emergência Interno (PEI) da Barragem de Castelo de Bode.
O proTEJO pretende que a EDP e a Agência Portuguesa do Ambiente disponibilizem informação sobre a extensão da Zona de Autossalvamento (ZAS), os cenários de risco considerados e os procedimentos que devem ser adotados pela população.
O movimento salienta particularmente a importância da informação na Zona de Autossalvamento, onde, perante determinados cenários de emergência, o tempo disponível para uma resposta externa poderá ser reduzido, tornando os primeiros minutos determinantes para a autoproteção.
Além da divulgação do plano, o proTEJO apresenta outras três exigências: campanhas regulares de informação nas freguesias abrangidas, simulacros de evacuação com participação das populações e um plano específico de comunicação para a intervenção prevista na barragem em 2027.
De acordo com os dados apresentados pelo movimento, o novo sistema inclui entre seis e oito torres no concelho de Abrantes, abrangendo as freguesias de Martinchel, Rio de Moinhos e Tramagal.
Estão ainda previstas seis na Chamusca, seis em Constância, uma na Golegã, 12 em Tomar e quatro em Vila Nova da Barquinha.
As torres têm 11 metros de altura, alimentação através de painel fotovoltaico e integram o Sistema de Aviso às Populações associado aos planos de emergência das grandes barragens.
O proTEJO considera a expansão desta rede uma medida positiva, mas alerta que “testes sonoros isolados das sirenes não substituem exercícios de evacuação” que permitam testar a resposta das populações e das entidades de proteção civil.
A posição surge também numa altura em que a Barragem de Castelo de Bode, que atingiu 75 anos de exploração em 2026, se prepara para uma intervenção de manutenção de grande dimensão em 2027.
Segundo o comunicado, os trabalhos deverão decorrer entre junho e outubro e implicar o rebaixamento da albufeira em cerca de 16 metros.
Perante uma operação que considera atípica, o proTEJO reclama a divulgação antecipada de um calendário das diferentes fases de rebaixamento e posterior enchimento da albufeira, acompanhado por informação sobre a monitorização da infraestrutura.
Paulo Constantino, porta-voz proTEJO
O movimento identifica cinco preocupações principais: o desconhecimento dos sinais das sirenes, o reduzido tempo de reação na Zona de Autossalvamento, a dificuldade de acesso público à informação do Plano de Emergência, a ausência de simulacros com as populações e a necessidade de reforçar a comunicação durante a intervenção de 2027.
Para o proTEJO, a instalação dos novos equipamentos representa um reforço da capacidade de aviso, mas a segurança não pode ficar limitada às infraestruturas.
“A transparência sobre o risco não é alarmismo”, sustenta o movimento, defendendo que a informação e preparação das populações devem acompanhar o reforço dos sistemas de segurança de Castelo de Bode.