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A. MatosCar
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Uma única ponte (IC9) tem de resolver todas as situações da região

11/06/2026 às 12:40

Seis dias é o tempo certo para as Festas de Abrantes que mantêm o modelo dos últimos anos. Nesta entrevista, o presidente da Câmara de Abrantes aborda as Festas e as obras em curso e para começar. Não fugimos à Nacional 2, nem ao IC9 e falamos sobre as praias fluviais, na chegada do verão e sobre defesa nacional.

Mais umas Festas de Abrantes. Este ano, o calendário já permitiu que fossem menos dias. É mais ajustado?

O calendário facilita esse enquadramento de menos dias e nós entendemos que, na verdade, nove dias são muitos dias de festas porque envolve sempre muita gente. Julgamos que seis dias é um tempo suficiente para a realização de umas festas com a dimensão de Abrantes, com a diversidade toda que queremos trazer do ponto de vista cultural e social. Seis dias é o tempo certo para o contexto das nossas festas e, sobretudo, para a história, desta última década.

Mantém-se o modelo ou está prevista alguma alteração em termos de palcos/ artesanato/ tasquinhas?

É muito idêntica ao ano passado. O ano passado surgiu a necessidade de colocarmos a festa com mais de juventude, ou seja, os DJs no largo 1.º de Maio e anulámos o palco que estava na Praça da Câmara por questões de segurança e do próprio funcionamento da festa que trazia alguns constrangimentos. Fizemos uma valorização das marchas populares, em que é bom recordar que no primeiro ano tivemos apenas três marchas e agora temos 13. Temos vindo a aumentar o número de marchas, mas sobretudo a aumentar o envolvimento das instituições do concelho, quer das escolas, quer das IPSS, quer das coletividades e queremos, obviamente, valorizar esse momento. As festas têm sempre esta importância de trazer muita gente de fora, mas também queremos valorizar as nossas.

Festas: Seis dias é o tempo certo para o contexto das nossas festas

Após a passagem das tempestades e das cheias, estas intempéries vieram de alguma forma alterar o planeamento previsto para este ano? (Em quê?)

Obviamente que as cheias e a tempestade deixaram prejuízos na ordem dos 16 milhões de euros e, por exemplo, no Aquapolis Sul é preciso fazer uma grande intervenção, sobretudo nas estruturas elétricas, para conseguir ter ali o concerto final e o fogo de artifício. Estamos a trabalhar em tempo recorde para ter todas as condições para que a festa decorra com normalidade quase sem perceber da existência desses dois fenómenos que deixaram aqui um rastro de destruição. A Feira de São Matias estava praticamente em cima das cheias e não havia condições para recuperar estruturalmente, sobretudo a estrutura elétrica. Agora sim, começamos a ter condições. Já tivemos os Mercados Ribeirinhos, a Escapadinha dos Mourões, em que estiveram ali mais de 700 crianças a conviver. Falta recuperar de facto aquele edifício de restauração, o Sasha River que tem as obras a andar. Vamos ver se conseguimos a tempo das Festas, não vai ser fácil.

Anunciou recentemente que esta é a maior fase de obras no concelho. O que é que está a andar (Cineteatro S. Pedro, ULS Norte, Residência de Estudantes, ESTA) e para quando a sua conclusão?

O Cineteatro São Pedro queremos ainda este ano inaugurar, é essa a previsão. Queremos inaugurar para um período indoor, para um período de inverno, estamos agora com os processos da mecânica de cena, que são a parte toda do palco, das estruturas técnicas do palco, ainda também um investimento muito significativo, mas queremos até ao final do ano conseguir inaugurar.

A creche, estamos em fase final. Houve já um concurso para a gestão desta creche municipal, que se tudo correr bem, no próximo ano letivo, em setembro, vamos iniciar o funcionamento com 107 crianças, mais de 25 postos de trabalho. A residência de estudantes é a obra, infelizmente, mais atrasada. E por variadíssimas circunstâncias, mas nomeadamente onde a depressão também teve aqui uma influência significativa, sobretudo porque os trabalhadores deixaram de estar aqui a trabalhar para proteger as suas casas e as suas famílias. A Unidade de Saúde Familiar está a andar a bom ritmo, e já temos três médicos alocados a essa nova gestão dos cuidados de saúde primários.

Por este andar, quando estiver concluída a obra, já tem o corpo clínico preenchido por clínicos?

Nem fazia sentido estar com as obras a andar sem ter o corpo técnico preparado. É inaugurar e começar a trabalhar nessa estrutura. Felizmente temos já três médicas dedicadas a esse espaço, em que queremos manter, e reforçar, os postos de saúde de Carvalhal, Mouriscas e Rio de Moinhos. A nova Escola Superior de Tecnologia de Abrantes foi a que começou mais tarde e a que está mais atrasada. Apontamos para o ano letivo de 2028–2029, e sim, é uma obra de grande envergadura. Estamos a falar de cerca de 8 milhões de euros de investimento numa estrutura já pré-existente dentro do Parque de Ciência e Tecnologia e que é de uma grande ambição, é um projeto para duplicar a capacidade de alunos que temos hoje na atual esta e acreditamos, neste contexto desta nova região do Oeste de Vale do Tejo, em que há a afirmação do Politécnico de Tomar e do Politécnico de Santarém, que, curiosamente, são dois Politécnicos que são líderes de universidades europeias.

E das que estão para começar? (Rotunda e parques do Hospital, Multiusos)

É importante percebermos também o investimento que temos feito através dos contratos interadministrativos com as freguesias. Ultrapassámos todos os anos mais de um Milhão de Euros que confiamos neste trabalho com as juntas de freguesia. Não estamos a falar apenas de uma rotunda. Estamos a falar da requalificação de toda a frente do Hospital, em parques de estacionamento, em muros de suporte, por exemplo, na barreira do Tribunal. É uma obra de grande envergadura, estamos a falar de saneamento, estamos a falar de iluminação pública, é uma grande intervenção, não é apenas uma rotunda.

A rotunda é o elemento simbólico desta grande intervenção, depois do grande investimento que foi feito no nosso Hospital. Houve muitos milhões de euros que foram investidos nos últimos anos no nosso Hospital para o valorizar. O Hospital desempenha aqui um papel importante também na nossa centralidade de Abrantes no contexto de toda a região e é importante do ponto de vista público também darmos esta resposta.

Já lançámos a empreitada, esperamos ter vários candidatos e em breve a obra estará em andamento. O multiusos... já lançámos a empreitada, sim. O que quero dizer é que agora é abrir propostas e adjudicara obra. Essa obra vai começar seguramente este ano. Lá está, porque às vezes as pessoas não percebem os procedimentos, às vezes há reclamações e há procedimentos administrativos técnicos que dificultam o andamento dos processos, em concreto.

Seguramente este ano não começará essa obra, mas no início do próximo ano queremos acreditar que essa obra também vai arrancar, porque é absolutamente decisiva e estruturante para a cidade, para o centro histórico....

... Mas quando se fala em multiusos é mais que multiusos, porque vai reordenar, vai fazer regeneração urbana de toda aquela zona envolvente, não é?

Não é só o edifício… tem razão. Não é apenas a sua função o que vai permitir que lá possa acontecer, é toda uma requalificação urbana.

Aquele edifício do antigo mercado ele está completamente caduco, está inclusive até a risco de queda e precisamos urgentemente reagir.

Também há muita habitação a ser construída para o mercado das rendas acessíveis. Quando é que as famílias poderão contar com essa oferta? E quanto aos prazos do PRR?

Não temos o assunto completamente fechado, mas sabemos, obviamente, que o país inteiro está a fazer este investimento. No contexto do Médio Tejo, que conheço bem, nós até estamos muito bem avançados relativamente a esta concretização. O que sabemos é que irão haver, seguramente, depois de agosto de 26, mecanismos para continuar a financiar este grande desígnio do país. Nós precisamos urgentemente de ter muita habitação a custos acessíveis, é a única forma de resfriar os preços incríveis, quer do arrendamento, quer da compra.

Já dissemos muitas vezes, mas convém voltar a dizer, que não é habitação social. Aqui é arrendamento acessível, sobretudo para casais jovens, quanto maior for a sua qualificação, quanto maior forem os seus rendimentos, maior é a probabilidade de acesso a essas habitações. É preciso, pelo menos, viver há cinco anos em Abrantes para poderem ser candidatos.

Creche: no próximo ano letivo vamos iniciar o funcionamento com 107 crianças, mais de 25 postos de trabalho

Três respostas rápidas para perguntas simples sobre mobilidade. A Estrada Nacional 2 (Avenida António Farinha Pereira), falou-se no eventual protocolo com as infraestruturas de Portugal. Já alguma novidade após a visita do Ministro?

Estamos a preparar, obviamente, uma proposta de protocolo com as infraestruturas de Portugal para responder àquilo que é uma vontade de, há muitos anos, de, no fundo, desclassificar a Estrada Nacional 2, desde a rotunda do Olho do Boi, até à ponte, em Barreiras Tejo. Nós queremos estabelecer um protocolo que essa estrada passe para a nossa gestão... para já, ainda estão a ser estudados, estamos a preparar esse caminho. O que é entendido é que podemos não fazer a desclassificação pura e dura, mas podemos estabelecer um protocolo em que a estrada passe para a nossa jurisdição, para podermos desenvolver projetos e candidaturas a fundos comunitários capazes de fazer algo que já estamos a preparar. Lançámos um concurso com a Ordem dos Arquitetos para os acessos, para os passadiços e para uma ponte pedonal e ciclável no Tejo.

É um grande projeto, é um projeto de grande ambição, é um sonho que temos de tornar realidade e queremos ligar o Parque de Ciências e Tecnologia, a Zona de Alferrarede, a Rotunda das Oliveiras ao Aquapolis, queremos ligar o Aquapolis ao Centro Histórico e queremos que as margens se liguem através de uma ponte pedonal e ciclável. É um projeto de grande ambição, mas que temos que o concretizar.

Na visita do ministro ficou certo que a Infraestruturas de Portugal poderá fazer uma intervenção nas barreiras do Castelo, na Zona dos Espinhaço de Cão?

Uma coisa não tem a ver com a outra. Esta derrocada aconteceu por via da tempestade Kristin e da quantidade de chuva durante muitos dias que provocou o deslizamento de terras. É um assunto muito específico e muito particular, e a IP terá que reagir e entregar-nos a obra concluída. A não ser que, por diferentes razões, haja a necessidade do Município se chegar à frente e ser o dono de obra. Sabemos que é prioritário para a Infraestruturas de Portugal o arranjo das barreira e nós queríamos era que a obra pudesse começar o quanto antes.

Não podemos fugir ao IC9. Após a visita do ministro Miguel Pinto Luz, já houve algum andamento ou alguma conversa? Foi incluído no grupo de trabalho que irá tomar essas decisões?

Aquilo que o ministro percebeu, que muitos têm percebido, muitos têm falado e muitos têm prometido é que o IC9 é, do ponto de vista da acessibilidade, do ponto de vista do desenvolvimento desta região, é absolutamente decisivo.

Mas não foi dar um passo atrás com este novo estudo prévio, quando já havia o estudo de impacto ambiental?

Acredito que sim, entretanto, caducaram os estudos de impacto ambiental. O que é verdade é que, durante muitos anos, vários governos dos diferentes partidos prometeram à região a conclusão do IC9, mas nada foi feito. Essa é que é a nossa realidade objetiva. O que nós queremos, haja mais estudos, menos estudos, é o IC9. E também já percebemos que, para que haja a conclusão do IC9, o território tem que estar unido, e os autarcas têm que falar todos a mesma linguagem, porque se cada um quer uma ponte aqui, o outro quer uma ponte no seu território, o outro quer uma ponte no outro lado, não vai haver ponte...

… se ficar aqui, no limite de Abrantes e Constância resolve o problema?

O que eu acredito é que os autarcas têm que estar juntos e é isso que também estamos a trabalhar e ter a capacidade de perceber que tem que haver cedências, tem que haver algumas cedências para termos uma única ponte que resolva todas as situações.

Santa Margarida é um polo muito relevante no contexto da defesa. Depois temos o Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), a Barquinha e Tancos, temos Tomar, temos o Entroncamento, e eu julgo que no interesse da região e para o concelho de Abrantes, nomeadamente para zona industrial do Tramagal, é que precisamos muito da conclusão do IC9.

Se cada um andar a defender o seu quintal, há de ser muito difícil, não passamos do mesmo.

Está a chegar o verão, vamos falar de Praias fluviais. Tudo pronto para a época balnear? Sendo que Fontes recebeu pela primeira vez a distinção de Qualidade Ouro e voltamos a ter duas bandeiras azuis hasteadas.

As praias são bonitas, têm uma qualidade de água extraordinária, têm um envolvimento natural incrível e obviamente nós percebemos que todos os anos tem aumentado o número de quem nos visita e quem frequenta as nossas praias. Elas têm vindo, do ponto de vista das infraestruturas, a melhorar significativamente ano após ano e nós queremos acreditar que vamos continuar a investir nestas nossas estruturas. Vamos sobretudo continuar a apostar em poder criar mais praias aproveitando este grande património natural que é a Albufeira do Castelo Bode.

Regeneração Urbana: A rotunda do Hospital é o elemento simbólico desta grande intervenção

Uma das questões mais faladas nos últimos tempos é mesmo a da defesa. Sabemos que o Campo Militar de Santa Margarida vai contar com um forte investimento na área tecnológica, em Tancos, a unidade de helicópteros... Com a aposta que o Estado pretende fazer neste setor, Abrantes tem um dos ramos das Forças Armadas cada vez mais visíveis e importantes no seu território. Sabe se há algo previsto para o Apoio Militar de Emergência?

O que eu sei é que as questões do ponto de vista europeu dos financiamentos e da estratégia, todos sabemos que a defesa terá um papel muito relevante no contexto do investimento e nós queremos acreditar pela sua especificidade e sobretudo pela sua forma contemporânea na lógica militar, o regime de apoio militar de emergência cada vez terá, será impulsionado e cada vez terá uma expressão maior no contexto daquilo que é a atividade militar, a atividade do exército. Acreditamos que em breve e de forma continuada haja valorização desta infraestrutura tão importante para o país.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, diz que vamos ter um verão difícil e apela à limpeza dos terrenos. A Proteção Civil diz o mesmo. O comandante Nacional da ANEPC Mário Silvestre repete a mesma informação. E o presidente da Câmara está muito preocupado com o verão?

Muito preocupado. Aliás, mesmo sem tempestades Kristin estaria muito preocupado. A tempestade deixou um conjunto de fragilidades muito significativas na floresta, deixa muito material combustível que é impossível retirar. Há encostas e escarpas com muito material, com muitas árvores caídas. Em Abrantes os caminhos já estão 98% desobstruídos. No entanto, existe de facto muito material combustível, sobretudo naqueles vales encaixados, onde é muito difícil remover as árvores que tombaram, e obviamente estamos a falar de espaços privados, a grande maioria, e a situação torna-se mais difícil.

Os níveis de preocupação sobre essa matéria são obviamente elevadíssimos e cada vez temos vindo a tentar envolver mais estruturas e sobretudo no combate ao ataque inicial, através dos kits de primeira intervenção, através das associações de caçadores, envolvendo um conjunto de estruturas do território, incluindo os operadores da própria floresta. Há aqui um trabalho de muita gente, de um grande envolvimento para procurarmos criar as melhores condições para nos defendermos contra este inimigo feroz que é o fogo.

Entrevista por Jerónimo Belo Jorge

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