Os dois projetos de centros de dados previstos para Abrantes têm estatuto de Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN) e representam, em conjunto, um investimento previsto de 8.653 milhões de euros e a criação de 570 postos de trabalho diretos.
Os números foram confirmados pelo Ministério da Economia e da Coesão Territorial à Antena Livre, que questionou o Governo sobre os projetos PIN existentes no Médio Tejo e, em particular, sobre os investimentos previstos para Abrantes.
As questões surgiram na sequência da recente visita da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a Abrantes, durante a qual foi confirmado que os dois centros de dados previstos para o concelho já possuem autorização de ligação à rede elétrica, embora os promotores tenham solicitado um aumento da capacidade inicialmente atribuída.
A Antena Livre questionou então o Ministério da Economia e da Coesão Territorial sobre quantos projetos com estatuto PIN estão atualmente em acompanhamento no Médio Tejo.
Na resposta enviada pelo gabinete do ministro Manuel Castro Almeida, o Governo confirma a existência de quatro: dois em Abrantes, um no Entroncamento e outro em Ferreira do Zêzere.
No Entroncamento, o projeto está relacionado com a criação de um polo ferroviário destinado à manutenção, reparação e construção de material ferroviário. O investimento previsto é de 86 milhões de euros, com a criação de 138 postos de trabalho diretos.
Em Ferreira do Zêzere, o projeto PIN pertence ao setor da indústria extrativa, representa um investimento estimado em 25 milhões de euros e deverá criar 20 empregos diretos.
Mas é em Abrantes que se concentra, de longe, o maior volume de investimento dos quatro projetos identificados pelo Ministério.
Segundo a resposta do gabinete de Manuel Castro Almeida, os dois projetos são oficialmente identificados como “Data Centre Abrantes” e “EDC Port I – Campus de Abrantes”.
Para o Data Centre Abrantes está previsto um investimento de 1.690 milhões de euros e a criação de 70 postos de trabalho diretos.
Já o EDC Port I – Campus de Abrantes apresenta um investimento previsto de 6.963 milhões de euros e aponta para a criação de 500 empregos diretos.
Somados, os dois projetos representam 8.653 milhões de euros de investimento e 570 postos de trabalho diretos, de acordo com os dados agora transmitidos à Antena Livre pelo Ministério da Economia e da Coesão Territorial.
A informação permite acrescentar novos dados aos processos que estão a decorrer no concelho. Do ponto de vista municipal, os projetos têm pedidos de informação prévia (PIP) aprovados com condicionantes.
Ligação elétrica já autorizada, mas promotores querem mais capacidade
Na visita a Abrantes, a 14 de setembro, Maria da Graça Carvalho confirmou que ambos os projetos já dispõem de autorização para ligação à rede elétrica. No entanto, os promotores apresentaram pedidos para aumentar a capacidade disponível, no âmbito do procedimento nacional de atribuição de capacidade a grandes consumidores.
A ministra explicou então que a análise terá em consideração três fatores fundamentais: energia, disponibilidade de água e impacto ambiental. O Governo decidiu também que os projetos industriais eletrointensivos terão prioridade relativamente aos centros de dados na atribuição da nova capacidade disponível.
A questão da água continua, contudo, sem dados concretos conhecidos para os dois investimentos de Abrantes. Na informação agora prestada à Antena Livre pelo Ministério da Economia não são indicados os consumos previstos nem os sistemas de arrefecimento que serão utilizados.
É uma matéria que tem sido levantada por associações ambientalistas, tendo em conta a dimensão dos empreendimentos e a pressão que centros de dados desta escala podem exercer sobre os recursos energéticos e hídricos.
A própria ministra do Ambiente tem afirmado que a disponibilidade de água será um dos critérios considerados na avaliação deste tipo de projetos, juntamente com a capacidade elétrica e o impacto ambiental.
Um dos promotores justificou anteriormente a escolha de Abrantes com o crescimento do mercado tecnológico, as condições proporcionadas pela Zona Livre Tecnológica e a proximidade à antiga Central Termoelétrica do Pego, destacando as infraestruturas e o potencial territorial existentes no concelho.

Foto setembro de 2025 | Jose Meneses, EDC Port 1
Na recente visita governamental ficou também estabelecido que parte da capacidade elétrica associada ao Pego deverá ser atribuída à Zona Livre Tecnológica de Abrantes e que a respetiva gestão operacional passará da Direção-Geral de Energia e Geologia para o Tagusvalley.
Os dados agora fornecidos pelo Ministério da Economia colocam, assim, números oficiais nos dois projetos PIN de centros de dados: 8.653 milhões de euros de investimento previsto e 570 empregos diretos.
No conjunto dos quatro projetos PIN atualmente em acompanhamento nos três concelhos do Médio Tejo identificados pelo Governo, o investimento previsto ascende a 8.764 milhões de euros, com uma previsão global de 728 postos de trabalho diretos.