A Força Operacional Conjunta (FOCON), mobilizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) para apoiar Espanha no combate aos incêndios rurais na província de Ávila, regressou esta quarta-feira, 29 de julho, a Portugal, após concluir uma missão de cinco dias num dos maiores incêndios deste verão na Península Ibérica.
A força portuguesa foi mobilizada no passado dia 25 de julho, na sequência de um pedido de assistência formulado pelas autoridades espanholas, ao abrigo do protocolo de ajuda mútua em matéria de Proteção Civil existente entre Portugal e Espanha.
Coordenada pela ANEPC, a missão integrou 128 operacionais, provenientes da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, dos Corpos de Bombeiros Voluntários da Sub-região das Beiras e Serra da Estrela e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana.
Durante a operação, os elementos portugueses foram integrados no dispositivo espanhol de combate aos incêndios, atuando em estreita articulação com a Unidade Militar de Emergência (UME) de Espanha, responsável pelo comando operacional da resposta.
Em declarações à rádio Antena Livre, o comandante da missão portuguesa, David Lobato, explicou que o pedido de disponibilidade surgiu na sexta-feira ao final do dia, tendo a convocatória sido efetuada no sábado.
"Chegámos no sábado ao final do dia, começámos a trabalhar na madrugada de sábado para domingo e estivemos em operações até terça-feira ao final do dia", referiu.

Segundo David Lobato, o incêndio que motivou a intervenção portuguesa teve uma dimensão excecional.
"Estamos a falar de um incêndio que, em cinco dias, consumiu quase 70 mil hectares, com uma progressão muito violenta", afirmou.
Apesar da dimensão, o comandante explicou que as características do fogo não diferiram significativamente daquelas que os bombeiros portugueses enfrentam habitualmente.
"Os incêndios em Espanha têm as suas características, pela orografia e pelo tipo de combustível, mas este não fugiu muito daquilo que temos muitas vezes em Portugal."
A maior diferença esteve na dimensão da emergência e no número de pessoas afetadas.
"Foram feitas evacuações massivas. Falar de deslocações de cerca de 60 mil pessoas é uma realidade diferente da portuguesa."
Ainda assim, destacou o comportamento da população espanhola.
"As pessoas foram muito ordeiras. Algumas não queriam sair das suas casas, mas acataram facilmente as ordens das autoridades, facilitando o trabalho de todos."
Quando a missão portuguesa terminou, os dois setores atribuídos à FOCON encontravam-se já extintos, permanecendo apenas ações de vigilância.
David Lobato considera que a participação portuguesa representa também uma forma de retribuir a ajuda que Espanha tem prestado a Portugal em situações semelhantes.
"Viemos representar Portugal, mas também dar uma ajuda a alguém que, quando nós precisamos, está sempre disponível para nos ajudar."
O comandante acredita que este tipo de missões internacionais será cada vez mais frequente.
"Este será um novo normal. Espanha enfrenta as mesmas condicionantes que Portugal e não tenho dúvidas de que esta não será a última missão."
David Lobato

Durante a operação, a força portuguesa recebeu diversos agradecimentos por parte das autoridades e da população espanhola.
"Na cerimónia de encerramento, quer o Delegado do Governo, quer o comandante da Unidade Militar de Emergência e o presidente da Província de Ávila manifestaram um agradecimento enorme, de coração."
David Lobato destacou ainda que um dos principais objetivos foi plenamente alcançado: o regresso de todos os operacionais em segurança.
"O primeiro objetivo é sempre: vamos todos e voltamos todos."
Segundo o comandante, durante toda a missão não se registaram feridos nem incidentes relevantes, apenas pequenas avarias mecânicas em algumas viaturas, prontamente resolvidas.
"Ficou um enorme orgulho e um sentimento de missão cumprida. Esperamos chegar todos a Portugal da mesma forma como saímos."
Entretanto, também a missão portuguesa destacada para França aproxima-se do fim, estando o regresso previsto para quinta-feira, 30 de julho.
A equipa foi mobilizada no dia 24 de julho, na sequência de um pedido de assistência apresentado por França através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.
A missão é liderada pela ANEPC e integra a reserva rescEU posicionada em Portugal, sendo composta por duas aeronaves anfíbias Fire Boss e uma equipa de sete elementos, incluindo dois representantes da ANEPC, três pilotos e dois mecânicos do operador aéreo.
Com estas duas operações internacionais, Portugal volta a reforçar o seu papel nos mecanismos europeus e ibéricos de cooperação em proteção civil, disponibilizando meios especializados para apoiar países parceiros no combate aos incêndios rurais de grande dimensão.
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