A falta de equipas técnicas especializadas está a atrasar a recuperação das casas afetadas pela depressão Kristin em Ferreira do Zêzere, levando o presidente da câmara a pedir ajuda urgente às empresas de construção civil de todo o país.
“Sem equipas técnicas especializadas e reforço operacional imediato, muitas famílias continuarão expostas e a recuperação será demasiado lenta”, afirmou hoje o presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, em comunicado.
Na nota, Bruno Gomes (PS) salienta que “centenas de famílias continuam a enfrentar falhas no fornecimento elétrico e danos estruturais nas habitações”, mais de uma semana após o temporal que atingiu este município do distrito de Santarém.
Nos dias seguintes à tempestade, o concelho recebeu a visita do Presidente da República, membros do Governo e responsáveis nacionais, que realizaram avaliações e reuniões técnicas, mas a ajuda que tem chegado é considerada pela autarquia lenta e insuficiente face às necessidades no terreno.
“Apesar da presença institucional e do acompanhamento realizado, a dimensão dos danos no concelho exige uma resposta mais rápida, mais robusta e com meios técnicos no terreno capazes de dar resposta imediata às populações”, lê-se no comunicado da Câmara Municipal.
Apesar da instalação de equipamentos provisórios para injeção de energia na rede, persistem falhas no abastecimento elétrico devido a dificuldades logísticas no reabastecimento de combustível aos geradores, relatou a autarquia.
“Existe combustível disponível, mas a gestão logística do seu fornecimento aos geradores tem provocado falhas sucessivas no abastecimento elétrico”, lê-se no comunicado.
A autarquia indicou ainda que a localização do concelho no interior tem dificultado a mobilização de meios, quando comparado com centros urbanos também afetados, defendendo maior atenção à situação local.
Nas telecomunicações, o serviço começou a recuperar gradualmente após mais de cinco dias sem rede, embora o município tenha considerado “lenta” a resposta da operadora MEO.
Uma semana e três dias depois do temporal, "muitos telhados continuam destelhados" e as lonas distribuídas pelo município, provenientes de ações de solidariedade de todo o país, têm funcionado apenas como solução provisória, frequentemente arrancadas pelo vento, relatou a autarquia.
“As telhas que continuam a chegar representam uma solução mais duradoura, mas muitas famílias, maioritariamente envelhecidas, não têm capacidade física, técnica ou financeira para realizar as reparações, nem encontram profissionais disponíveis”, alertou o autarca.
Ferreira do Zêzere, declarou, regista atualmente mais de duas dezenas de deslocados e mais de uma dezena de desalojados, num contexto de “crescente vulnerabilidade social e emocional”.
A nota informativa indica ainda que equipas do município, proteção civil, bombeiros, voluntários e técnicos do serviço social, em articulação com o Instituto da Segurança Social, permanecem no terreno a apoiar a população e a distribuir alimentos e roupa quente.
A autarquia identificou como necessidades imediatas equipas multidisciplinares - eletricistas, carpinteiros, pedreiros e avaliadores estruturais - com capacidade para intervir em coberturas e reparações exigentes, bem como equipamentos de estabilização para intervenções urgentes.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Lusa