A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo congratulou-se hoje com o adiamento para 2027 das obras nos descarregadores da Barragem de Castelo de Bode, defendendo que a decisão permitirá preparar municípios e operadores turísticos para a descida da albufeira.
“É uma boa decisão, na medida em que vai dar tempo, quer aos municípios, quer aos operadores turísticos, de nos prepararmos para o baixo nível da água”, afirmou o presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, referindo que as autarquias e os empresários do setor tinham sido informados “com pouca antecedência” sobre a intervenção inicialmente prevista para este ano.
Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a EDP, a operação de manutenção, prevista para este ano, deverá decorrer entre junho e outubro de 2027 e obrigará à descida temporária da albufeira para níveis abaixo da cota 105, correspondente a cerca de 56% da capacidade total de armazenamento.
A intervenção incidirá sobre os descarregadores de cheias da barragem e inclui a substituição do sistema de estanquidade, tratamento anticorrosivo e reparação de componentes estruturais.
Manuel Jorge Valamatos considerou que o adiamento representa uma oportunidade para os municípios criarem “condições para minimizar o impacto do nível da barragem tão baixo”, recordando a situação vivida em 2022, quando os níveis de água estiveram significativamente reduzidos.
“Vamos aproveitar esse momento de 2027 para poder fazer algumas obras, nomeadamente rampas de acesso das embarcações”, afirmou, defendendo que a região deve encarar a intervenção também como uma oportunidade para melhorar infraestruturas ligadas ao turismo náutico.
O responsável sublinhou ainda a importância estratégica da albufeira para o desenvolvimento turístico do Médio Tejo, apontando o projeto Castelo de Bode 360 como exemplo da aposta regional na valorização daquele “grande espelho de água”.
“Há aqui uma intenção de valorizar, potenciar e divulgar” a barragem, afirmou, defendendo igualmente a necessidade de criar “condições estruturais para a captação de fluxos turísticos”.
Numa publicação divulgada pelo presidente da APA, Pimenta Machado, é afirmado que o adiamento da intervenção pretende “permitir um planeamento adequado por parte dos municípios e demais entidades envolvidas”.
Segundo o responsável, trata-se de “uma intervenção fundamental para assegurar, a longo prazo, as condições de segurança e o bom funcionamento da barragem”, acrescentando que os trabalhos decorrerão “sem qualquer risco para a infraestrutura, populações ou áreas envolventes”.
A APA garantiu ainda que, durante o período das obras, ficarão assegurados o abastecimento de água para consumo humano, incluindo à EPAL, a manutenção do caudal ecológico do Tejo, os lançamentos para jusante e a produção de energia elétrica “sem impactos relevantes”.
Pimenta Machado destacou ainda que a intervenção integra o plano regular de inspeções e manutenção da infraestrutura, considerando tratar-se de uma operação “essencial para garantir a segurança, fiabilidade e sustentabilidade” da barragem.
A albufeira de Castelo de Bode constitui um dos principais polos turísticos do Médio Tejo, sobretudo durante os meses de verão, concentrando atividades náuticas, alojamento turístico e eventos ligados ao lazer e natureza.
A Barragem de Castelo de Bode, inaugurada em 1951 no rio Zêzere, entre os concelhos de Tomar e Abrantes, criou uma albufeira com cerca de 60 quilómetros de extensão, considerada uma das maiores reservas estratégicas de água doce do país.
Além da produção hidroelétrica, a albufeira abastece atualmente cerca de três milhões de pessoas, sobretudo na Grande Lisboa e em dezenas de concelhos das regiões do Ribatejo e Estremadura, através do sistema da EPAL.
A albufeira estende-se pelos concelhos de Tomar, Abrantes, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei, Sertã, Sardoal e Figueiró dos Vinhos.
Lusa