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Mau tempo: Produtores florestais pedem parques públicos de madeiras, para manter preços

26/02/2026 às 12:12

O líder da maior associação de proprietários florestais do país pediu a construção de parques de retenção de madeiras nas zonas afetadas pela depressão Kristin, que permitam manter os preços e ajudar na limpeza dos territórios, vulneráveis a incêndios.

Em declarações à Lusa quando passa um mês da tempestade Kristin, o presidente da Forestis, Carlos Duarte, salientou que os milhões de árvores caídas representam consumo de muitos anos para a indústria madeireira e devem ser encontrados mecanismos para mitigar o impacto nos preços.

O responsável sublinhou que neste momento os proprietários são essenciais para “fazer a limpeza devida” dos solos, antes da época de fogos florestais.

Esses “parques de retenção de material lenhoso com valor comercial” para “abastecer a indústria sem risco de degradação dos preços” permitiriam manter rendimentos para os proprietários, que poderão reinvestir no território, disse.

Atualmente, conta com 37 Organizações de Proprietários Florestais (OPF) associadas, de âmbito de atuação sub-regional, que representam e apoiam tecnicamente mais de 19.500 proprietários, a Forestis alerta que o Governo deve financiar a criação desses parques públicos.

Quanto ao “material lenhoso sem valor comercial”, será necessário “apoio público para financiamento dos custos”, alertou, sempre num “quadro de parceria entre a produção, indústria e comércio, com o Estado a assegurar a gestão eficiente da retirada do material lenhoso com valor comercial”.

“A tempestade Kristin incidiu sobre territórios que já apresentavam elevada fragilidade ecológica e estrutural, potenciando impactos cumulativos de grande magnitude” e as “zonas mais litorais foram aquelas que tiveram uma elevadíssima proporção de árvores caídas”, observou. 

Por isso, são necessárias “políticas públicas que permitam modelos de gestão com escala”, que permitam a gestão sustentável dos territórios, a “criação de valor para as economias locais”, com “proteção dos recursos naturais” e “oportunidade social de criar emprego nos territórios de baixa densidade”, afirmou.

“A tempestade Kristin veio aqui criar uma situação de calamidade que exige medidas de curto prazo que possam atenuar ou eliminar tudo aquilo que são os danos criados e os impactos diretos ou indiretos”, disse, alertando para a “degradação dos taludes e de outros espaços mais sensíveis”, a “necessidade de remoção desse excesso de combustível”, bem como a limpeza do mato que impeça a “propagação de pragas e doenças”.

“Esse material tem valor económico e se todo ele entrar no mercado haverá uma diferença entre a oferta e a procura”, com um “risco de degradação do preço” e o “proprietário, que já tem um rendimento baixíssimo, ainda será mais prejudicado”, avisou Carlos Duarte.

As propostas já foram entregues à tutela e Carlos Duarte recordou que o “Governo considerou o setor florestal um setor estratégico”, com um plano até 2050 para promover o “valor económico na floresta”.

O objetivo é “aumentar a resiliência, identificar a propriedade e promover um novo modelo de governação das florestas através das associações florestais”, pelo que caberá agora ao executivo ser “consequente na resposta a esta crise”, que “representa também uma oportunidade”.

“O Estado só tem 2% da propriedade florestal, os baldios só 8% e mais de 90% pertence aos privados, território muito fragmentado, com 11,5 milhões de parcelas para os seis milhões de hectares” florestais.

A par do investimento estatal em parques, Carlos Duarte defendeu um programa “Simplex para as florestas”, diminuindo os procedimentos administrativos.

“O licenciamento de uma ação de reflorestação demora anos e hoje isso não é aceitável”, avisou.

Além de afetar mais de um milhão de pessoas na região centro do país, com particular destaque para Leiria e Santarém, a depressão Kristin consumiu muitos equipamentos públicos e privados, demoliu e danificou casas e infraestruturas de comunicações e de eletricidade, destruindo milhões de árvores pelo caminho.

Lusa

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