A Câmara Municipal de Abrantes vai reforçar, no ano letivo 2026/2027, o apoio às bolsas de estudo atribuídas a estudantes economicamente carenciados do concelho. O valor anual de cada uma das 44 bolsas apoiadas pelo Município sobe de 900 para 950 euros, representando um investimento municipal de 41.800 euros, a que acrescem mil euros para encargos administrativos.
A proposta surge no âmbito do protocolo entre o Município de Abrantes, o Rotary Clube de Abrantes e a Fundação Rotária Portuguesa e esteve em análise na reunião do executivo municipal desta terça-feira, 8 de setembro.
Manuel Jorge Valamatos explicou que, para além das 44 bolsas financiadas pelo Município, o Rotary consegue angariar outros apoios junto de empresas, particulares e da própria organização, elevando para cerca de 70 o número total de bolsas disponíveis.
O presidente da Câmara garantiu que, de acordo com os relatórios anuais apresentados pelo Rotary, não tem havido candidatos que cumpram os critérios de carência económica a ficar sem apoio.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes
O vereador do CHEGA, Nuno Serra, considerou positiva a medida, mas colocou uma questão diferente: saber quantos jovens de Abrantes terminam o ensino secundário e não chegam ao ensino superior por falta de condições económicas.
O eleito questionou se o Município dispõe de dados sobre a percentagem de jovens residentes no concelho que não prossegue estudos, as razões dessa decisão e, em particular, quantos desistem por não conseguirem suportar os custos associados ao ensino superior.
Nuno Serra quis ainda saber quantas das 44 bolsas são atribuídas a alunos que entram pela primeira vez no ensino superior, quantas apoiam estudantes que já o frequentam e qual a relação entre o número de candidaturas e as bolsas disponíveis.
A preocupação, sustentou, é perceber se existem jovens que necessitam de apoio mas que “nem sequer chegam a candidatar-se ao ensino superior porque antecipam que não terão condições económicas para o frequentar”.
Nuno Serra, vereador CHEGA CM Abrantes
Na resposta, Manuel Jorge Valamatos reconheceu que a Câmara não dispõe atualmente de uma métrica ou estudo que permita identificar quantos jovens não prosseguem para o ensino superior por razões económicas.
“Não temos nenhuma métrica, nenhum estudo”, afirmou o autarca, admitindo que poderão existir jovens que optem por não continuar os estudos e que, por nem sequer se candidatarem às bolsas, ficam fora dos dados conhecidos pelo Município.
Valamatos considerou pertinente aprofundar esta informação, reconhecendo a necessidade de o Município trabalhar cada vez mais com “dados” e “números”, embora tenha salientado a dificuldade em identificar situações de jovens que não chegam a apresentar qualquer candidatura.
O presidente assegurou, contudo, que os relatórios do Rotary nunca indicaram a necessidade de criar mais bolsas por existirem candidatos economicamente carenciados sem resposta.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes
O autarca mostrou ainda abertura para reforçar o apoio municipal caso venham a ser identificadas necessidades adicionais.
“A pior coisa que nos podia acontecer era verdadeiramente sabermos de alguém que não vai estudar”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, defendendo que devem ser mobilizados os mecanismos necessários para evitar que dificuldades financeiras impeçam o acesso ao ensino superior.
O presidente lembrou também que existem outras fontes de apoio, nomeadamente as bolsas atribuídas no próprio sistema de ensino superior, defendendo que os alunos devem conhecer todas as possibilidades de financiamento disponíveis.
Para 2026/2027, o Município irá assim disponibilizar 42.800 euros no âmbito do protocolo — 41.800 euros para as 44 bolsas e mil euros para encargos administrativos —, ficando cada bolsa municipal fixada em 950 euros anuais.