A Câmara Municipal de Abrantes já tem em curso um conjunto de empreitadas superior a um milhão de euros para reparar os estragos provocados pela depressão Kristin e pelas cheias, estando ainda a preparar novas intervenções que deverão aumentar significativamente esse investimento. O ponto de situação foi feito pelo vice-presidente da autarquia, João Gomes.
No final da reunião do executivo municipal, e em declrações aos jornalistas explicou todas as intervenções.
Segundo o autarca, a prioridade tem sido a recuperação da rede viária, uma das áreas mais afetadas pelos fenómenos meteorológicos.
Entre as intervenções já adjudicadas está a reconstrução da estrada do Sobral Basto, cuja plataforma foi totalmente destruída. A obra representa um investimento de cerca de 150 mil euros, acrescido de IVA.
Foi igualmente lançado um pacote de três pequenas empreitadas, abrangendo o Carrapatoso, a ligação entre o Maxial e Maxial do Além e o troço entre Sentieiras e Atalaia, num investimento global também estimado em cerca de 150 mil euros, mais IVA.
Já entre Amoreira e Martinchel será realizada uma intervenção de maior dimensão, destinada a reparar vários abatimentos na via e numa passagem hidráulica, com um custo previsto de aproximadamente 261 mil euros, mais IVA.
Martinchel será reaberta à circulação com trânsito alternado para veículos ligeiros, regulado por semáforos, enquanto os veículos pesados continuarão a utilizar percursos alternativos.
O vice-presidente explicou que a demora na reabertura deveu-se à instabilidade dos taludes provocada pelas fortes chuvas.
"Os solos ficaram completamente encharcados e, à medida que foram secando com o calor, os maciços rochosos começaram a desprender-se. Só agora estão reunidas as condições de segurança para reabrir a via", afirmou.
A empreitada definitiva deverá ser lançada durante o mês de agosto e poderá ultrapassar os 500 mil euros, embora o valor final dependa da extensão dos trabalhos de estabilização dos taludes.
Além das estradas, o município está também a recuperar vários equipamentos públicos afetados.
O quiosque do Aquapolis Sul já foi reposto, decorrem trabalhos no passadiço da fonte dos Touros e no parque infantil. A estação de canoagem de Alvega também se encontra concluída e deverá reabrir em breve.
Segundo João Gomes, todas as intervenções já contratadas representam um investimento superior a um milhão de euros, financiado pelo Governo, sem contabilizar ainda a futura obra da estrada de Martinchel.
O autarca recordou ainda que continuam por executar diversas intervenções nas praias fluviais das Fontes e de Aldeia do Mato, bem como trabalhos de recuperação das linhas de água, salientando que uma das maiores dificuldades continua a ser encontrar empresas com capacidade para responder às necessidades existentes.

Quanto às obras da Estrada Nacional 118 e da Estrada Nacional 2, esclareceu que são da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, estando o município a acompanhar os projetos para minimizar os constrangimentos na circulação.
Também no final da reunião, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, manifestou expectativa de que o novo Fundo de Emergência Municipal venha a comparticipar uma parte significativa dos custos da reconstrução.
O autarca recordou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin e pelas cheias no concelho rondam os 16 milhões de euros.
"Esperamos que este fundo consiga responder de forma significativa às despesas da reconstrução que já estamos a realizar e apoiar uma recuperação que tem de acontecer rapidamente", afirmou.
Valamatos explicou que o mecanismo, financiado por fundos europeus, pretende apoiar os municípios afetados pelos fenómenos extremos, mas considera que será necessário complementar esse apoio com outras medidas.
O presidente destacou, como exemplo, os danos nas linhas de água, lembrando que a responsabilidade pela sua recuperação é partilhada entre os municípios e a Agência Portuguesa do Ambiente.
"Não faz sentido recuperar apenas os troços urbanos e deixar por intervir os restantes. Tem de haver um trabalho articulado entre os municípios, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Ministério do Ambiente", defendeu.

Nesse sentido, revelou que aguarda a realização de uma reunião com a ministra do Ambiente, considerando que, para além do Fundo de Emergência Municipal, terão de ser criados outros mecanismos financeiros capazes de responder à dimensão dos prejuízos provocados pela depressão Kristin e pelas cheias.